Abipones

Abipones
Guerreiros abipones
População total
817
Línguas
mataco-guaicuru, abipone (calhaga)
Religiões
Animismo, xamanismo, cristianismo
Grupos étnicos relacionados
Toba, Pilagá, Mocovi, Guaicuru e outros povos

Os abipones (em castelhano: abipones, singular abipón) foram um povo indígena da região do Gran Chaco, na Argentina e no Paraguai, falantes de uma das línguas guaicurus. Eles deixaram de existir como grupo étnico independente no início do século XIX. Um pequeno número de sobreviventes assimilou-se à sociedade argentina.

História

Os abipones ocupavam inicialmente o Gran Chaco da Argentina, nas regiões mais baixas do rio Bermejo. Eram originalmente, um povo sazonalmente nômade composto por caçadores-coletores, pescadores e, em menor escala, agricultores.

Em 1641, os abipones já haviam obtido cavalos dos colonos espanhóis e abandonaram a agricultura para se dedicarem à criação de gado e cavalos. Naquela época, eles ainda viviam ao norte do rio Bermejo. Passaram a ser temidos por seus vizinhos e pelos fazendeiros espanhóis, chegando até mesmo a ameaçar grandes cidades.

É provável que foram empurrados para o sul de seu território original pelos espanhóis e por outras tribos nativas, como os tobas. Eles acabaram se concentrando no território argentino situado entre Santa Fé e Santiago del Estero, delimitado pelo rio Bermejo ao norte e pelo rio Salado ao sul.

Antes da introdução do cavalo na região, eles subsistiam da caça, pesca, coleta de alimentos e apenas uma quantidade limitada de agricultura. Com a chegada do cavalo, veio uma mudança regional e, em especial, na maneira abipone de sobreviver. Eles abandonaram a agricultura e passaram a caçar a cavalo gado selvagem, ema, guanaco, veado e queixada. Os cavalos também facilitaram suas incursões a fazendas espanholas e até mesmo a cidades de Assunção e Corrientes.

A partir de 1710, um grande esforço militar dos espanhóis começou a impor gradualmente sua autoridade sobre os abipones. Em 1750, missões jesuíticas fora fundadas entre eles (principalmente por Martin Dobrizhoffer, que atuou por dezoito anos como missionário no Paraguai), e eles foram amplamente cristianizados e tornarem-se sedentários. As missões enfrentavam problemas incessantes com os colonos espanhóis e eram frequentemente atacadas pelos tobas e pelos mocovis, povos hostis da etnia guaicuru.

Em 1768, mais da metade dos abipones havia sucumbido a doenças e seu número estava abaixo de 5 mil. A expulsão dos jesuítas pelos espanhóis naquele ano foi fatal para os abipones. Quando eles tentaram retomar seus antigos modos de vida, descobriram que suas terras tradicionais estavam ocupadas por colonos e outras nações indígenas. Os tobas e os mocovís, auxiliados por doenças, aniquilaram-nos como nação em menos de meio século. Os sobreviventes se integraram à população argentina em geral. Eles aprenderam a falar espanhol, e abandonaram seus antigos costumes.

Acredita-se que o último falante da língua abipone morreu no século XIX.

Aparência e costumes

Tatuagem facial abipone

Segundo Martin Dobrizhoffer, que viveu entre eles por sete anos, os abipones eram um grupo de pessoas altas, bem proporcionadas e bonitas, com olhos negros, narizes aquilinos e cabelos negros e espessos, que eles arrancavam da testa até o topo da cabeça como um sinal tribal. Os rostos, seios e braços das mulheres eram tatuados com figuras pretas de vários desenhos, conforme sua idade e status social, e os lábios e orelhas de ambos os sexos eram perfurados.

Os homens eram guerreiros corajosos, sendo suas principais armas o arco e flecha, a lança e o bastão.Essas armas eram esculpidas em uma árvore local de madeira de lei, conhecida por eles como ‘'netergé–’', assim como as boleadoras. Em batalha, usavam uma armadura confeccionada com pele de anta, sobre a qual era costurada uma pele de onça-pintada. AAté mesmo as mulheres abipones tinham fama de agressivas e detinham poder considerável nos ritos religiosos de seu povo.

Os abipones eram bons nadadores e cavaleiros. Durante a estação das enchentes, que durava cinco meses, viviam em ilhas ou até mesmo em abrigos construídos nas árvores.

Eles compartilhavam a maioria dos costumes dos guaicurus, incluindo a couvade. Os abipones raramente casavam antes dos trinta anos, e eram notavelmente castos. Charles Darwin relatou que “Entre os abipones, quando um homem escolhe uma esposa, ele negocia o preço com os pais. Mas acontece com frequência que a moça anula o que foi acordado entre os pais e o noivo, rejeitando obstinadamente até mesmo a menção ao casamento. Muitas vezes, ela foge e se esconde, escapando assim do noivo.” O infanticídio era comum, nunca sendo criadas mais de duas crianças em uma mesma família. As crianças eram amamentadas por dois anos.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 Hoiberg, Dale H., ed. (2010). «Abipón». Encyclopædia Britannica. I: A-ak Bayes 15.ª ed. Chicago, Illinois: Encyclopædia Britannica Inc. p.  33. ISBN 978-1-59339-837-8
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 John Mackenzie; John Haywood; Simon Hall (2005). Peoples, Nations and Cultures: An A-Z of the Peoples of the World, Past and Present. Reino Unido: Cassell. ISBN 978-0304365500
  3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9  Herbermann, Charles, ed. (1913). «Abipones». Enciclopédia Católica (em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company
  4. 1 2 3 Chisholm 1911, p. 65.
  5. 1 2 3 4 5 6 Dobrizhoffer, Martin. Historia de Abiponibus equestri, bellicosaque Paraquariae natione .. [S.l.]: Viennae, J. Nob de Kurzbek. Consultado em 6 de outubro de 2026
  6. ↑ Charles Darwin (2004) [1871]. The Descent of Man. Reino Unido: Penguin Classics. ISBN 978-0140436310

Bibliografia