
Ablaq (em árabe: أبلق; policromado; literalmente «malhado» ou «de coloração contrastante») é uma técnica arquitectónica que consiste na alternância regular de fiadas de pedra clara e escura na alvenaria.
O termo, de origem árabe, designa uma técnica associada sobretudo à arquitectura islâmica no mundo árabe. O ablaq é utilizado principalmente com fins decorativos, embora possa também desempenhar uma função estruturante na organização visual da fachada.
A técnica poderá ter raízes em tradições anteriores da arquitectura bizantina na região, onde se empregavam fiadas alternadas de pedra clara e tijolo de tonalidade alaranjada. O seu uso encontra-se documentado desde uma fase precoce da história da arquitectura islâmica.
A técnica decorativa do ablaq é geralmente considerada um possível desenvolvimento de práticas construtivas do antigo Império Bizantino, cuja arquitectura recorria à alternância sequencial de silhares de pedra clara e de materiais de tonalidade mais escura. O primeiro uso documental claramente identificado de alvenaria em ablaq encontra-se nas obras de reparação do muro norte da Grande Mesquita de Damasco em 1109.
A técnica poderá ter-se desenvolvido na Síria, onde a disponibilidade local de materiais pétreos favorecia a alternância cromática. No sul da região abundam tanto o basalto negro como o calcário claro, em quantidades aproximadamente equivalentes, o que terá incentivado o recurso a técnicas de alvenaria baseadas no contraste equilibrado entre ambos.

A Cúpula da Rocha, em Jerusalém, construída no final do século VII durante o período omíada, apresenta aduelas de pedra clara e escura em ablaq nos arcos da colunata interior. A cronologia exacta dos revestimentos marmóreos em ablaq deste monumento é objecto de debate académico, havendo divergências quanto à sua datação e autoria.
A alternância de alvenaria vermelha e branca nas aduelas dos arcos da Grande Mesquita de Córdova, construída a partir do final do século VIII e ampliada até ao século X, constitui outro exemplo precoce da técnica. Este uso poderá relacionar-se com modelos anteriores de Jerusalém e Damasco, conhecidos pelos governantes omíadas do Emirado de Córdova.
Andrew Petersen identifica o ablaq — caracterizado pela alternância de calcário branco e basalto negro — como um elemento distintivo da alvenaria monumental de Damasco.
A técnica surge igualmente na Mesquita Zitouna em Tunes, onde a alvenaria em ablaq foi introduzida numa campanha de renovação promovida pelos Zíridas em 991. Esta característica não se encontra na anterior arquitectura aglábida da região, podendo representar a continuidade de técnicas locais de tradição bizantina.

O ablaq encontra-se documentado em edifícios dos séculos XII e XIII em Diyarbakır, construídos sob os Artúquidas, bem como em algumas obras tardias da Dinastia aiúbida em Damasco. Aparece igualmente nos portais de certos monumentos seljúcidas do século XIII em Konya, como a Mesquita de Alâeddin e a Madraça Karatay, possivelmente devido à influência de artesãos sírios.
O ablaq assumiu particular relevância na arquitetura mameluca da Síria, Egipto e Palestina durante os séculos XIV e XV. Durante este período, utilizaram-se frequentemente pedra branca, pedra negra e tijolo vermelho em fiadas alternadas, criando composições de forte contraste cromático. A técnica era frequentemente combinada com outras soluções decorativas, como a utilização de aduelas engrenadas nos arcos.
Em 1266, o sultão mameluco al-Zahir Baybars al-Bunduqdari mandou construir em Damasco um palácio conhecido como Qasr al-Ablaq («Palácio do Ablaq»), edificado com alternância de alvenaria clara e escura, evidenciando o uso corrente do termo no século XIII.

A construção com fiadas alternadas de tijolo e pedra foi também comum na arquitectura otomana primitiva da Anatólia e dos Balcãs, embora tenha perdido protagonismo na fase posterior da arquitectura imperial otomana. A técnica do ablaq continuou, contudo, a ser utilizada regionalmente na arquitectura da Síria otomana a partir do século XVI.
Em Damasco, exemplos notáveis incluem a Takiyya Sulaymaniyya (século XVI), o Palácio Azem (século XVIII) e o Khan As'ad Pasha (século XVIII).
A alternância de mármore preto e branco tornou-se igualmente uma característica da arquitetura tunisina durante o período otomano (séculos XVI a XIX). Segundo Abdelaziz Daoulatli, esta prática poderá ter-se iniciado ainda no período hafsida, no século XIV, enquanto Georges Marçais sugere que terá sido incentivada pela influência da arquitectura mameluca do Egipto.