Acrobolbaceae

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Acrobolbus pseudosaccatus
Acrobolbus pseudosaccatus
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Sub-reino: Embryophyta
Superdivisão: Bryophyta sensu lato
Divisão: Marchantiophyta
Classe: Jungermanniopsida
Ordem: Jungermanniales
Família: Acrobolbaceae
E. A. Hodgs.
Gêneros
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Acrobolbaceae é uma família pertencente à divisão de plantas hepáticas (Marchantiophyta: Jungermanniales), a qual, juntamente com as divisões de musgos e antóceros, forma a superdivisão das briófitas (Bryophyta, em sentido amplo).

Assim como as outras briófitas, a família possui plantas que não apresentam tecidos condutores de seiva, logo são vegetais avasculares, sem presença de xilema e floema. Além disso, apresentam esporófito transitório que quando libera os esporos, morre. Assim sendo, nesses vegetais, o gametófito é considerado como a fase persistente.

Sendo hepáticas, são plantas avasculares de tamanho diminuto característico do grupo com representantes folhosos e talosos. As Acrobolbaceae possuem forma de vida folhosa, crescendo como "tapetes", em substratos terrícolas ou rupícolas.

Etimologia

O nome da família, cunhado por Eliza Amy Hodgson em 1962, origina-se do gênero Acrobolbus, descrito por Nees von Esenbeck em 1844.

O termo "akros", em grego, refere-se a "ponto alto", "extermidade", enquanto "bolbos" equivale a "planta com uma dilatação arredondada num caule subterrâneo".

A descrição original do gênero faz referência à presença de um "involucrum [...] terminale". O termo "involucrum" refere-se a uma bainha de tecido protetivo, originada do talo, envolvendo anterídios, arquegônios ou esporófitos, enquanto o termo "terminale" refere-se a uma localização terminal, ou apical.

Morfologia

A maior parte das espécies hepáticas são talosas, entretanto, a divisão também abrange espécies folhosas, como as espécies do grupo das Acrobolbaceae. As plantas desta família têm coloração de verde-clara a azulada, o crescimento é prostrado ou ascendente – algumas vezes têm base estolonífera. Os caulídios podem ou não ter epiderme espessada. Os ramos são intercalares e os estolões podem estar presentes ou não. Os filídios, que podem ser súcubos, inteiros ou bilobados, estão divididos em dois, e são lobados entre três e cinco margens inteiras, ciliadas ou dentadas. A parte debaixo dos filídios é ausente ou vestigial. Células usualmente com a cutícula papilosa, óleo-corpos marrons, granulares. Anfigastros ausentes. Os poucos rizóides estão em facículos ou dispersos na base foliar. Esporófito protegido por um marsúpio sólido do tipo Calypogeia em Lethocolea e Goebelobryum. Secção transversal da seta com muitas células. Cápsulas podem ser elipsoidais ou cilíndricas com ápice agudo envolto. Na família a reprodução vegetativa é rara, realizada através de filídios caducos ou gemas foliares. Gineceu terminal, em ramos folhosos.

Filogenia

Considerando o status filogenético, a família não está consolidada. Diversos trabalhos têm sido feitos para identificar as relações entre os gêneros e entre as espécies dentro de cada gênero, mas não foram suficientes para contemplar e entender todas as relações envolvidas. Uma pesquisa realizada a respeito da Subordem Jungermanniineae apresentrou a relação de Acrobolbaceae com outras famílias. Ainda que o reduzido número de gêneros amostrados nessa pesquisa não inclua todos os gêneros taxonômicos descrito, os autores concluíram que a família posiciona-se como grupo irmão de outras grandes famílias, como Jungermanniaceae, Gymnomitriaceae e Solenostomataceae:

Jungermanniales
Jungermanniineae
 

outras famílias (Solenostomataceae, Gymnomitriaceae, Endogemmataceae, Harpanthaceae, Gyrothyraceae, Arnelliaceae, Saccogynaceae, Jungermanniaceae, Antheliaceae, Southbyaceae, Geocalycaceae, Calypogeiaceae, Jackiellaceae, Notoscyphaceae, Balantiopsidaceae, Trichotemnomataceae, Blepharidophyllaceae)

 
Acrobolbaceae
 
 
 
 

Austrolophozia paradoxa

 
 

Goebelobryum unguiculatum

 
 
 
 

Acrobolbus ochrophyllus

 
 

Tylimanthus laxus

 
 
 
 
 

Saccogynidium australe

 
 

Saccogynidium decurvum

 
 
 
 

Lethocolea glossophylla

 
 
 
 

outras subordens (Perssoniellineae, Myliineae, Lophocoleineae, Cephaloziineae)

 
 

Taxonomia

O grupo está inserido na divisão Marchantiophyta, classe Jungermanniopsida, ordem Jungermanniales. Com relação à taxonomia interna, o número de gêneros incluídos na família varia de autor para autor, como visto a seguir.

Hodgson (1962)

Gêneros da família, de acordo com a autora:

Crandall-Stotler e Stotler (2000)

Segundo os autores, a família apresenta sete gêneros:

Schuster (2001)

Subfamílias e gêneros, de acordo com o autor:

Em um trabalho anterior, Schuster (1980) já havia adotado as subfamílias acima.

The Plant List (2013)

De acordo com esta base de dados, incluem-se dez gêneros na família:

Há 51 espécies descobertas atualmente.

Shaw et al. (2015)

Taxonomia da família, de acordo com os autores:

Briscoe et al. (2015, 2017)

Os autores consideram os seguintes grupos na família:

Os autores concluíram que os três gêneros de Acrobolboideae são polifiléticos. Logo, fundiram-nos em um, o gênero Acrobolbus.

Tropicos (2017)

A base inclui quinze gêneros na família, embora nem todos sejam válidos atualmente:

Chave de identificação

A seguir, uma chave de identificação para os gêneros presentes no Brasil:

Ocorrência

No mundo

Há registros georeferênciados de espécies da família Acrobolbaceae em todos os continentes, exceto a Antártida.

No Brasil

No Brasil, Acrobolbaceae apresenta três gêneros Lethocolea, Marsupidium e Tylimanthys. Cada gênero contempla uma espécie descrita: Lethocolea glossophylla (Spruce), Marsupidium gradsteinii Grolle e Tylimanthus laxus (Lehm. & Lindenb.) Spruce.

Domínios fitogeográficos

  • Domínios fitogeográficos: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal
  • Tipo de vegetação: Campo de Altitude, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Várzea, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial)

Estados

Estão presentes em todas as regiões do país: norte (Amazonas, Pará), centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná). Apresenta origem nativa, no entanto não é endêmica no Brasil.

Galeria

Notas

  1. ↑ Doyle (2013).
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Peralta et al. (s.d.).
  3. ↑ Hodgson (1962).
  4. 1 2 Gottsche, Lindenberg e Nees Von Esenbeck (1844, p. 5).
  5. ↑ Etymonline (s.d.).
  6. ↑ Magill (1990).
  7. ↑ Briscoe e Engel (2016).
  8. 1 2 Shaw et al. (2015).
  9. ↑ Briscoe et al. (2015).
  10. ↑ Briscoe et al. (2017).
  11. ↑ Nees von Esenbeck (1844, p. 5).
  12. ↑ Schuster (1963, p. 282).
  13. ↑ Beckmann e Scott (1992, p. 297).
  14. ↑ Grolle (1962, p. 135).
  15. ↑ Lehmann (1844, p. 1).
  16. ↑ Schiffner (1909, p. 304).
  17. 1 2 Mitten (1867, p. 751).
  18. ↑ Schiffner (1893, p. 86)
  19. ↑ Berggren (1898, p. 37).
  20. ↑ Winkler (1969, p. 69).
  21. ↑ Taylor (1846, p. 413).
  22. ↑ Grolle (1960 [1961], p. 43).
  23. ↑ Spruce (1885, p. 503).
  24. ↑ Mitten (1867, p. 751, 753).
  25. ↑ Grolle (1965, p. 99).
  26. ↑ GBIF Secretariat (s.d.).

Referências

Geral

Sobre os gêneros

O Wikispecies tem informações relacionadas a Acrobolbaceae.
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Acrobolbaceae