A Fonofobia é o medo antecipatório de sons. A fonofobia é uma resposta emocional, como ansiedade, por exemplo, que acontece pelo "medo" de que sons possam ocorrer, causar o agravamento de uma comorbidade (perda auditiva, zumbido) ou que o próprio som resulte em desconforto/dor . Por isso, a fonofobia se enquadra em uma categoria diferente da hiperacusia, misofonia e sensibilidade a ruído.
A fonofobia é uma subclasse da misofonia. Ao contrário da misofonia, o sentimento que predominantemente acompanha a fonofobia é o medo . A fonofobia é definida como um medo persistente, anormal e injustificado de sons . Indivíduos com fonofobia temem que sons ambientais normais possam danificar seus ouvidos e, portanto, tendem a evitar ambientes onde haja possibilidade de exposição a sons .
Sendo frequentemente utilizada na literatura científica para descrever uma intolerância exacerbada ao som resultante de enxaquecas , os mecanismos responsáveis pela causa da fonofobia na enxaqueca ainda são desconhecidos . De acordo com a Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-30), a fonofobia, juntamente à fotofobia, é um dos sintomas que auxiliam a fazer o diagnóstico diferencial de uma crise de enxaqueca . Poucas investigações quantitativas foram conduzidas sobre a fonofobia em tais pacientes, mas evidências anteriores sugerem que a sensibilidade sonora está presente predominantemente durante as crises, mas não de forma contínua no período entre os episódios .
A fonofobia deve ser entendida como hipersensibilidade a estímulos auditivos, envolvendo uma sensação de desconforto ou dor . Pessoas com fonofobia frequentemente evitam estar ao ar livre em ambientes urbanos devido à natureza imprevisível dos sons de carros, caminhões, motocicletas, sirenes de emergência ou pessoas gritando. Esses indivíduos geralmente sentem a necessidade de usar protetores auditivos ao ar livre, ou, ainda, em ambientes internos, quando não estão em suas casas .
As causas da fonofobia ainda não estão claramente descritas na literatura, mas estudos recentes indicam que a fonofobia pode ser decorrente de um aumento na excitabilidade dos neurônios auditivos devido à habituação prejudicada ou à excitação do tronco encefálico ou de outros neurônios na via auditiva . Vários estudos eletrofisiológicos avaliaram a via auditiva em pacientes com enxaqueca e com fonofobia. A fonofobia não parece estar relacionada a um fenômeno de recrutamento, comumente associado a danos nas células da cóclea .
Até o momento, não existe um método que avalie somente a fonofobia ou que busque diagnosticar apenas a fonofobia. Além disso, seria incomum que a fonofobia aparecesse de forma isolada, sendo mais provável que esteja associada a outras condições, como a hiperacusia, a misofonia ou a sensibilidade geral ao ruído. No questionário Sound Tolerance Interview (STI) , por exemplo, há apenas a opção de resposta "evita" para indicar o comportamento adotado em determinadas atividades por causa do som .
A fonofobia não apresenta um tratamento especifico, com limitadas pesquisas cientificas voltadas para tratamento e intervenção dos sinais e sintomas da condição . Entretanto, alguns estudos informam que o tratamento para a fonofobia e a hiperacusia envolve aconselhamento específico sobre a natureza benigna de qualquer som que cause uma reação negativa ou de medo, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Tinnitus Retraining Therapy (TRT), realizadas por psicólogos, para o tratamento de pessoas com fonofobia, indicando a necessidade de dessensibilizar o paciente a sons que causem reações extremas .