Agote

Os agotes foram um grupo étnico e social de indivíduos perseguidos e que constituíam uma minoria socialmente desprezada na região ocidental de França e norte de Espanha, nomeadamente em Navarra e Pirenéus, País Basco, principado de Bearne, Aragão, Gasconha e Bretanha.

O seu nome difere de província em província e de dialeto em dialeto: Cagots, Gézitains, Gahets, e Gafets na Gasconha; Agotes, Agotac, e Gafos no País Basco; Capots em Anjou e Languedoc; e Cacons, Cahets, Caqueux, e Caquins na Bretanha.

Há registos deste grupo por volta do ano 1000. Não é certa a sua origem, e pensa-se que o nome possa ser uma corruptela de "godos", o que pode indicar a sua ascendência. Eram artesãos de pedra, de madeira e, nos tempos mais recentes, também de ferro.

Os agotes foram durante séculos alvo de discriminação de origem pouco conhecida. Considerando a origem do nome, alguns autores especulam que seja de origem gótica, talvez de alguns desertores do exército ou refugiados nos vales basco-navarros, onde foram mal recebidos pela população nativa. Isso deu origem ao preconceito e à discriminação alimentados com a lenda. Outra teoria é a de que os criminosos eram oriundos de França, e que para escapar à justiça se esconderam de quarentena antes de decidir cruzar a fronteira, e daí viria a ideia de que seriam portadores de hanseníase, uma das acusações mais comuns.

Cria-se, na tradição popular da época, que nasciam com cauda.

Acusados durante séculos de manter práticas religiosas ostensivamente pagãs, foram segregados e tratados como «raça inferior» e «herética» e impedidos de casar com as gentes locais, o que até reforçou uma certa endogamia. Os agotes sofreram discriminações que os obrigavam a viver fora dos núcleos populacionais e a vestir indumentária identificadora.

Em 1514 solicitaram e obtiveram do Papa Leão X uma rescritos pontificia que os libertava das restrições infames que lhes eram impostas ao culto. Não teve, porém, quase efeitos práticos e houve que chegar a 1819 para a promulgação em Espanha de leis que colocaram fim à marginalização, pelas Cortes de Navarra.

Hoje os agotes não formam mais uma classe social à parte e foram assimilados na população geral. Nada da sua cultura ou costumes resta.

Bibliografia

Referências

  1. ↑ «Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de agotes». aulete.com.br. Consultado em 8 de dezembro de 2021
  2. 1 2 3 4 5 Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 64. 552 páginas. Certas Famílias em os Reinos de Aragão, e Navarra, e Principado de Bearne, descendentes dos Godos, que sem mais culpa, que tyrannizarem os seus Maiores antigamente aquellas Provincias, são tratados com o maior desprezo, e abatimento, assim nas materias civís, como de Religião: e até dizem delles, que nascem com rabo.
  3. ↑ Robb, Graham (2007). A descoberta da França: uma geografia histórica da Revolução à Primeira Guerra Mundial. New York, London: W. W. Norton & Company. p. 43. ISBN 978-0-393-05973-1. OCLC 124031929
  4. ↑ Guerreau, Alain; Guy, Yves (1988). Les cagots du Béarn. [S.l.]: Minerve. p. 58
  5. ↑ Este artigo incorpora texto do artigo «Cagots» (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  6. ↑ Sean Thomas, "The Last Untouchable in Europe," The Independent, London, 28 July 2008, p. 20
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