Abu Alualide Maomé ibne Abedalá ibne Amade ibne Maomé Alasraqui (em árabe: أبو الوليد محمد بن عبد الله بن أحمد بن محمد الأزرقي; romaniz.: Abū al-Walīd Muḥammad ibn ʿAbd Allāh ibn Aḥmad ibn Muḥammad al-Azraqī), mais conhecido como Alasraqui (em árabe: الأزرقي; romaniz.: al-Azraqī), foi um historiador árabe de Meca do século IX. Sua data de morte é incerta, tendo sido situada por Fuat Sezgin em 250 A.H. (864), embora outras cronologias tenham sido propostas. Alasraqui é conhecido como autor de Akhbār Makka wa-mā jāʾa fīhā min al-āthār, obra dedicada à história, geografia e topografia de Meca. Baseou grande parte de sua narrativa histórica nas tradições transmitidas por seu avô, Amade ibne Maomé Alasraqui, enquanto as informações relativas à topografia da cidade foram em grande medida acrescentadas pelo próprio autor. A obra constitui uma das principais fontes medievais para o estudo de Meca, especialmente da Caaba, dos locais relacionados aos ritos da peregrinação, dos edifícios, inscrições e configuração urbana da cidade. O texto transmitido sofreu acréscimos posteriores antes de alcançar a forma atualmente conhecida.
Alasraqui pertencia a uma família estabelecida em Meca cuja nisba remontava a um antepassado chamado Alazraque. Segundo a tradição conservada sobre a família, esse ancestral era um escravo bizantino de Calada ou Alharite ibne Calada Atacafi e recebeu o nome Alazraque em razão de seus olhos azuis. Durante o Cerco de Taife, em 8 A.H. (630), teria se convertido ao islã e recebido a liberdade, estabelecendo-se posteriormente em Meca. Seus descendentes alcançaram influência na cidade e estabeleceram vínculos matrimoniais com a aristocracia omíada. Segundo Fuck, a família posteriormente reivindicou uma origem árabe, apresentando-se como pertencente a um clã de taglibitas, e, no contexto das rivalidades entre caicitas e iemenitas, foi associada pelos cuzaaítas ao campo iemenita mediante uma genealogia que fazia Alazraque filho de Anre ibne Alharite ibne Fiar.
O avô de Alasraqui, Amade ibne Maomé Alasraqui, morto em 222 A.H. (837), interessou-se pela história e pelas antiguidades de Meca e reuniu grande quantidade de tradições a respeito da cidade. O próprio Alasraqui transmitiu relatos sobretudo de seu avô, além de Ibraim ibne Maomé e Maomé ibne Iáia. Isaque ibne Amade Alcuzai e Ibraim ibne Abede Açamade Alhaximi, entre outros, transmitiram relatos dele. Pouco se conhece sobre a vida de Alasraqui, e sua data de morte é incerta. Taquiadim Alfaci afirma que ainda estava vivo durante o reinado do califa abássida Almontacir (r. 861–862), sem indicar quando morreu. Cátibe Chelebi situa sua morte em 223 A.H. (838), enquanto Fuat Sezgin propõe 250 A.H. (864).
Alasraqui deve sua fama a Akhbār Makka wa-mā jāʾa fīhā min al-āthār (em árabe: أخبار مكة وما جاء فيها من الآثار). Para compor a parte histórica, utilizou principalmente as tradições de seu avô, Amade ibne Maomé, além das transmitidas por outras autoridades, enquanto as informações relativas à estrutura topográfica de Meca foram acrescentadas pelo próprio Alasraqui. Como a obra se apoia extensamente nas tradições do avô, este pode ser considerado, em certo sentido, um de seus principais responsáveis. Mais que uma história política e social de Meca, Akhbār Makka constitui uma descrição detalhada da configuração urbana e topográfica da cidade, dedicando atenção especial à Caaba e aos lugares associados aos ritos da peregrinação. Alasraqui preservou com particular cuidado as inscrições existentes nos edifícios de Meca, além de informações que não aparecem em outras fontes, o que tornou a obra uma fonte fundamental para os historiadores posteriores da cidade.
As tradições reunidas na obra remontam em grande parte ao círculo de Ibne Alabás e constituem fontes importantes para as tradições acerca de Meca no período pré-islâmico. Entre outras autoridades utilizadas aparecem Ibne Isaque, Alcalbi e Uabe ibne Munabi. A forma original redigida por Alasraqui era consideravelmente menor que o texto posteriormente transmitido. Abu Maomé Isaque ibne Amade Alcuzai, morto em 308 A.H. (921), fez numerosos acréscimos à obra, especialmente a respeito da reconstrução da Caaba realizada entre 281 e 284 A.H. (894–897). Maomé ibne Nafi Alcuzai, que viveu até depois de 350 A.H. (961), acrescentou ainda notas relativas a Babe Ibraim Alcaiate e Dar Anadua. Fuck igualmente observa que o texto recebeu numerosos acréscimos, sobretudo acerca das obras realizadas na Caaba entre 281 e 284 A.H., e foi transmitido a Maomé ibne Nafi Alcuzai, que efetuou apenas três adições.
Akhbār Makka tornou-se uma fonte de primeira importância para obras posteriores sobre a história da cidade. Segundo Fuck, foi utilizada por Alfaqui por volta de 272 A.H. (885–886), bem como por Saíde ibne Anre Alaxate e Omar Alisfaraini. Omar Alisfaraini resumiu a obra sob o título Zubdat al-aʿmāl wa-khulāṣat al-afʿāl, enquanto Ibne Alquirmani produziu o Mukhtaṣar Tārīkh Makkata al-musharrafa. Abalmaleque ibne Amade Alarmanti também a versificou sob o título Naẓm Tārīkh Makka li-l-Azraqī, obra que não chegou à atualidade. Ferdinand Wüstenfeld publicou o texto em Lípsia, em 1858, a partir de sete manuscritos conservados em bibliotecas europeias. Posteriormente, Rushdī al-Ṣāliḥ Malḥas preparou uma edição crítica utilizando dois manuscritos de Medina e uma cópia de um manuscrito do Cairo, publicada inicialmente em Meca e posteriormente reimpressa em Beirute.