Alberto Botelho

Alberto Botelho
Alberto Botelho c. 1924.
Nome completoAlberto Mâncio Botelho
Nascimento6 de agosto de 1885
Lisboa, Portugal
Morte16 de abril de 1973 (87 anos)
Rio de Janeiro, RJ
OcupaçãoFotógrafo, cinegrafista, cineasta, produtor de cinema

Alberto Mâncio Botelho, mais conhecido apenas como Alberto Botelho (Lisboa, 6 de agosto de 1885 – Rio de Janeiro, 16 de abril de 1973), foi um fotógrafo, cinegrafista, roteirista, cineasta e produtor de cinema luso-brasileiro. Botelho é considerado um dos maiores cinegrafistas do Brasil, tendo sido responsável pela produção, direção, fotografia e montagem de mais de 2 mil documentários e cinejornais. Foi cinegrafista em vários filmes de sucesso, como A Viúva Alegre e Paz e Amor. Ao lado de seu irmão mais velho, Paulino Botelho, fundou a Botelho Film, considerada uma das maiores companhias cinematográficas do início do cinema brasileiro.

Biografia

Botelho com uma câmera Debrie, a manivela, usada por ele antes da chegada das câmeras a corda

Nascido em 1885 e criado na capital paulista, Alberto mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar no comércio. Aos 16 anos começa a trabalhar como repórter para o Jornal do Brasil, se transferindo para O Malho em 1913. Nessa mesma época faz as primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, a bordo de um balão livre. Botelho se interessa pelo cinema e o acompanha através da literatura estrangeira existente nessa época. Tornou-se representando dos produtos cinematográficos de Marc Ferrez em São Paulo, aproveitando a estadia para fundar a empresa de exibições Sul-Americana, junto com o eletricista Guilherme Louzada, e seu cunhado Arthur Carmo. O negócio falha e, cheio de dívidas, o repassam para Francisco Serrador. Serrador os convida para gerenciar uma loja de aparelhos cinematográficos, onde Botelho sugere que os usem para fazerem filmes.

Assim, Botelho dirige seu primeiro filme, Desfiles de Tiro de Guerra, lançado em 1907. A película teve um bom resultado, assim sendo chamado para assumir os trabalhos cinematográficos da F. Serrador & Cia. Nos próximos anos torna-se representante do Pathé-Jornal no Brasil, e fotografa grandes sucessos do cinema mudo brasileiro, como A Viúva Alegre e Paz e Amor, ambos produzidos pela empresa de William Auler, que havia contratado Botelho. Em 1909 participa de uma corrida automobilística em São Gonçalo, acontecimento registrado por Paulino, hoje considerado um dos filmes brasileiros mais antigos ainda sobrevivente. Em 1910, um de seus filmes, A Revolta da Esquadra, película que abordava o assunto mais falado no momento, a Revolta da Chibata é apreendido pela polícia, sendo esse considerado o primeiro filme brasileiro censurado por motivos políticos.

Funda a Carioca Film em 1912, empresa em que o cineasta Luiz de Barros dirige seu primeiro filme, A Viuvinha, em 1916. Botelho fotografa inúmeros filmes de ficção para Luiz de Barros na Guanabara-Film, sendo esse seu primeiro conta em anos, o que o anima, o que o faz escrever e produzir o longa-metragem Alma Sertaneja, filme que causou polêmica ao ser lançado, por mostrar a atriz Otília Amorim tomando banho nua em uma cachoeira. Em 1921 produz uma nova versão da obra O Guarani, do escritor José de Alencar, filme dirigido pelo ator João de Deus que lhe custou 30 contos de réis. Com o sucesso obtido com a fita, funda ao lado de Paulino a Botelho Film, estúdio voltado exclusivamente para a produção de documentários. Continua registrando acontecimentos do Brasil até os anos 60, onde se aposenta de sua carreira artística.

Alberto Botelho faleceu em 1973, aos 87 anos de idade.

Filmografia parcial

Ano Título Função Realizador Notas
1907Desfiles de Tiro de GuerraDiretor, cinegrafistaEle mesmoPrimeiro filme da carreira de Botelho, filmado com uma câmera Lumière.
1908O Crime da MalaCinegrafistaFrancisco Serrador1ª versão. Filme semidocumentário, utilizando cenas documentais filmadas por G. Sarracino.
1909Seiscentos e Seis Contra o Espiroqueta PallidoDiretorEle mesmo.Algumas fontes também citam Paulino Botelho como diretor.
Los BaturrosCinegrafistaFrancisco SerradorFilmes do gênero comédia musical. Apresentavam no elenco Claudina Montenegro e Santiago Pepe.
Los Boemios
Café de Puerto Rico
Cavalleria Rusticana Diretor, cinegrafistaEle mesmoFilme cantante.
Château MargauxCinegrafistaFrancisco Serrador2ª versão. Musical apresentando Claudina Montenegro e Santiago Pepe.
Che Gelida Manina Filme cantante. "Raconto do 1o. Ato" de "La bohème", Che gelida manina.
La ChicaneraMusical apresentando Claudina Montenegro e Santiago Pepe.
Chiribiribi2ª versão. Musical apresentando Claudina Montenegro e Santiago Pepe.
Duo da Mascote Filmes cantantes. Duetos de operetas famosas.
Duo de Amor
Duo da Africana
Duo de las Paraguas
La Educanda di SorrentoMusical apresentando Claudina Montenegro e Santiago Pepe.
Guitarrica
O Passeio de PepaA atriz Claudina Montenegro cantando a canção 'A voz da consciência'.
Las SapatillasMusical apresentando Claudina Montenegro e Santiago Pepe.
Torna a Sorrento2ª versão. Musical apresentando a atriz Claudina Montenegro.
ToscaMusical apresentando Claudina Montenegro e Santiago Pepe.
1910A Revolta da EsquadraDiretor, cinegrafistaEle mesmoPrimeiro filme brasileiro apreendido por motivos políticos.
Tui-Tui-Tui-Tui-Zi-Zi-ZiCinegrafistaFrancisco SerradorFilme cantante. Dueto da opereta "Sonho de valsa".
L'Airoso (I Pagliacci)Filme cantante. Trecho da ópera "I pagliacci".
Amor Ti VietaFilme cantante. Ária da ópera "Fedora".
L' Amore é Comme Zuccaro Musical apresentando a atriz Claudina Montenegro.
Carezze e BaciMusical apresentando a atriz Alda Tosca.
Dei Miei Collenti SpiritiFilme cantante. Ária do segundo ato da ópera "La traviata".
Di Quella PiraFilme cantante. Ária da ópera "Il trovatore".
La Donna è Móbile Filme cantante. Balada do terceiro ato da ópera "Rigoletto", La donna é mobile.
Cancíon AndaluzaMusical.
FedoraFilme cantante. Ária da ópera "Fedora".
Logo CedoWilliam AulerCrítica à moda tentada no Rio das 'jupes-cullotes'
Longe da LeiFrancisco SerradorRomanza do segundo ato da ópera "La traviata".
Melodia NapolitanaMusical.
Os Milagres de Nossa Senhora da PenhaWilliam AulerFita sacra, posados pelos artistas do teatro D. Amélia e D. Maria II, ornada de música sacra e coros sacros.
O Sole MioFrancisco SerradorMusical.
Paz e AmorAlberto MoreiraO maior sucesso do cinema mudo brasileiro, sendo uma sátira do até então presidente Nilo Peçanha que, ao assumir o governo, teria declarado aos repórteres: "Farei um governo de paz e amor".
Di Quella PiraFrancisco SerradorFilme cantante. Ária da ópera "Il trovatore".
La Salida de RobertoFilme cantante. Ária de "La tempestad".
Salve Dimora, Casta e PuraCavatina "Salve Dimora" da ópera "Fausto".
Si Fossi...Musical.
Tomba Degl'avi MieiFilme cantante. Ária do terceiro ato da ópera "Lucia de Lammermoor".
1911O Conde de LuxemburgoWilliam Auler2ª versão. Fita cantante em três partes.
A Dançarina DescalçaFilme cantante em três partes.
Primeira Regata de 1911Diretor, cinegrafistaEle mesmoDocumentário sobre competições de remo.
1912Mil e Quatrocentos ContosFinanciadorEle mesmoReconstituição, em três atos, de crime célebre.
1913Amor de Perdição CinegrafistaFrancisco Santos1ª versão. Filme inacabado, baseado na obra de mesmo nome de Camilo Castelo Branco.
Um Crime SensacionalDiretor, cinegrafista, roteiristaEle mesmo, Paulino BotelhoReconstituição de um crime ocorrido no Rio de Janeiro.
1914Chegada de Santos Dumont ao BrasilDiretor, cinegrafistaEle mesmoChegada de Santos Dumont ao Rio de Janeiro e entusiástica recepção feita ao mesmo.
1915Grande Prêmio Jockey ClubDiretor, cinegrafistaEle mesmoGrande prêmio Jockey Club, Rio de Janeiro.
1916PerdidaCinegrafistaLuiz de BarrosPrimeiro filme da parceria entre Barros e Botelho.
Vivo ou MortoUm dos primeiros filmes brasileiros exibidos no exterior.
1918Zero-TrezeFilme de propaganda da Loteria Federal.
Amor e BoêmiaEduardo AroucaFilme figurado por caricaturistas e figuras jornalísticas da época.
A DerrocadaLuiz de BarrosBaseado no conto Manhãs de Sol, de Leo Teixeira Leite Filho.
O Castigo do KaiserDiretor, cinegrafistaEle mesmoDocumentário do segundo carnaval de 1918, realizado em novembro para comemorar a vitória dos Aliados.
1919Alma SertanejaRoteirista, financiador e cinegrafistaLuiz de BarrosProdução da Carioca Film, companhia de Botelho.
1920O GuaraniFinanciador, cinegrafistaJoão de Deus6ª versão.
O Que Foi o Carnaval de 1920!DiretorEle mesmoAspectos do carnaval no Rio de Janeiro.
1923Brasil GrandiosoDiretor, roteirista e produtorEle mesmoO filme apresenta a beleza luxuriante da natureza do Brasil. Gravado em diversos estados.
Sua Majestade, a Mais BelaDiretor, cinegrafistaSobre a primeira rainha de beleza brasileira (precursora das misses) Zezé Leone.
1924O Reinado de AdonisDiretor, roteirista, produtor, cinegrafistaMusical.
Deem Azas ao BrasilDiretor, cinegrafistaCampanha em prol da aviação no Brasil.
1925O Brasil Potência MilitarDiretor, cinegrafistaDocumentário abordando as Forças Armadas do Brasil.
EducarDiretor, cinegrafista, produtorDrama romântico
1936O Jovem TataravôDiretor de fotografiaLuiz de BarrosPrimeira e única vez que Botelho trabalha em um filme da Cinédia.
1937O Descobrimento do BrasilDiretor de fotografiaHumberto MauroBotelho divide a direção com Humberto Mauro, Alberto Campiglia e Manoel Ribeiro.

Observação: A filmografia segue a ordem presente no livro Dicionário Jurandyr Noronha de Cinema Brasileiro, por isso alguns dos filmes podem não estar na ordem correta de lançamento ou produção.

Referências

  1. 1 2 3 NORONHA, Jurandyr Dicionário Jurandyr Noronha de Cinema Brasileiro EMC Edições, 2008
  2. 1 2 3 RAMOS, Fernão Pessoa e MIRANDA, Luiz Felipe Enciclopédia do Cinema Brasileiro SENAC São Paulo, 2000
  3. ↑ BARROS, Luiz de Minhas memórias de cineasta Artenova, 1978
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