Almurra

Os almurra (em árabe: آل مرة; romaniz.: Āl Murrah) são uma tribo árabe de pastores nômades da Arábia Saudita, tradicionalmente estabelecida entre Najrã, o Rubalcali e o oásis de Alhaça. Considerados uma das principais tribos beduínas da península Arábica, reivindicam ascendência na tribo dos iamitas dos hamedanitas, embora as obras genealógicas clássicas não registrem um ancestral denominado Murra ibne Iame e os próprios membros da tribo não preservem uma genealogia completa até esse epônimo. A tribo é considerada integrante da elite das antigas tribos beduínas da Arábia e tornou-se conhecida pela preservação de um dialeto reputado como um dos mais conservadores do árabe, bem como por suas habilidades tradicionais de caça e rastreamento. A partir de meados do século XVIII, expandiu-se para nordeste através do Rubalcali, alcançando o oásis de Alhaça e realizando deslocamentos ocasionais até o Cuaite e o sul do Iraque. Organizados em vários clãs e tradicionalmente dedicados ao nomadismo pastoril, os almurras mantiveram estreitas relações com a Casa de Saúde durante a formação do moderno Estado saudita, embora anteriormente tenham ocorrido confrontos entre ambos. Ao longo do século XX, parte de seus membros ingressou na Guarda Nacional Saudita ou passou a exercer trabalho assalariado, mas a tribo preservou grande parte de sua organização social e de seu modo de vida tradicional até pelo menos o final da década de 1960.

História

Os almurras reivindicam origem pré-islâmica e afirmam descender dos iamitas, ramo da tribo dos hamedanitas. Contudo, as obras genealógicas clássicas não registram um ancestral denominado Murra ibne Iame, nem os próprios integrantes da tribo preservam uma genealogia completa que remonte ao epônimo. Sua área de origem localiza-se em Najrã, de onde iniciaram uma expansão em direção ao nordeste por volta de meados do século XVIII. Ao longo desse processo passaram a ocupar extensas áreas do Rubalcali, alcançando o oásis de Alhaça e realizando deslocamentos ocasionais até o Cuaite e o sul do Iraque. Ao longo do século XX, o governo saudita procurou incorporar os almurras ao processo de sedentarização das tribos beduínas. No contexto da criação do movimento Ikhwan, foram estabelecidos assentamentos destinados à fixação permanente dos nômades, mas a tribo mostrou-se incapaz de abandonar seu modo de vida pastoril. Apesar dessa resistência à sedentarização, a relação com a Casa de Saúde caracterizou-se por uma estreita aliança. Embora anteriormente tenham ocorrido confrontos entre ambas as partes, Abdalazize ibne Saúde encontrou refúgio entre os almurras em períodos de dificuldade e recebeu seu apoio durante as campanhas que levaram à formação do moderno Estado saudita. Posteriormente, a aliança foi fortalecida por casamentos entre membros da família real e famílias de destaque da tribo. As transformações econômicas e sociais decorrentes da consolidação do Estado saudita e da descoberta do petróleo modificaram parcialmente o modo de vida tradicional dos almurras. Muitos de seus integrantes passaram a servir na Guarda Nacional Saudita ou a exercer trabalho assalariado, o que favoreceu o estabelecimento permanente de parte da população. Em contrapartida, práticas tradicionais como a caça e as razias tornaram-se ilegais. Apesar dessas mudanças, a tribo conservou sua organização social e manteve o nomadismo pastoril como principal forma de vida até pelo menos o final da década de 1960.

Organização

Os almurras afirmam descender de um ancestral comum, mas desconhecem a sequência genealógica completa que o ligaria aos iamitas. A tribo divide-se em sete ou oito clãs, cuja população total foi estimada em cerca de quinze mil pessoas no final da década de 1960. Embora a tribo nunca atue como um único corpo, exceto possivelmente em períodos de guerra, reconhece a autoridade de um chefe supremo, estabelecido nas proximidades de Bicaique. Seu poder, contudo, é limitado, restringindo-se principalmente ao aconselhamento, à mediação de conflitos internos e à representação da tribo perante o Estado. A organização social dos almurras é descrita como fortemente igualitária, não conferindo privilégios especiais aos seus líderes. Os almurras constituem tradicionalmente uma tribo de pastores nômades, tendo a criação de camelos como principal atividade econômica. Sua migração anual segue um padrão relativamente regular. Durante o verão, as diferentes linhagens, compostas em média por cerca de cinquenta famílias, reúnem-se junto aos poços que lhes pertencem. Com a diminuição das temperaturas, em setembro, dispersam-se em pequenos grupos de duas a quatro famílias para buscar novas áreas de pastagem. Após as primeiras chuvas, entre dezembro e janeiro, deslocam-se para o norte e, no final de março ou em abril, retornam gradualmente aos poços, onde voltam a formar os grandes acampamentos de verão. Diferentemente de muitas outras tribos beduínas, os almurras não possuem um segmento permanentemente sedentário que sirva de base à organização tribal. Embora controlem quatro pequenos oásis na porção setentrional de seu território, dos quais Iabrim é o maior, esses locais não são habitados de forma permanente. Apenas cerca de um terço da tribo os frequenta duas vezes por ano, para realizar a polinização e, posteriormente, a colheita das tamareiras. Além da criação de camelos, práticas tradicionais como a caça e as razias constituíram durante muito tempo importantes formas complementares de subsistência, embora tenham sido posteriormente proibidas pelo Estado saudita.

Referências

Bibliografia