Almuxacar

Almuxacar (em árabe: المشقر; romaniz.: al-Mushaqqar) foi um assentamento fortificado da costa oriental da Arábia, situado na região de Hajar, no Barém histórico, cuja localização exata permanece desconhecida. As tradições sobre sua origem atribuem sua fundação tanto ao rei quindaíta Moáuia ibne Alharite quanto a um comandante do xainxá sassânida Sapor II. O assentamento esteve associado aos quindaítas, aos abedalcaicitas e a grupos ligados à presença persa no Barém, entre eles os ispaditas, que, segundo uma tradição, mantiveram uma guarnição em sua fortaleza. Antes do Islã, Almuxacar foi também sede de uma importante feira vinculada aos abedalcaicitas, realizada em Jamada II e frequentada por mercadores persas provenientes do outro lado do golfo Pérsico. No início da expansão islâmica na Arábia oriental, o assentamento parece ter estado sob controle de um chefe dos tamimitas em nome dos sassânidas.

Durante as Guerras da Apostasia, serviu de refúgio a Almondir ibne Anumane, conhecido como Alguarur, líder dos rebeldes do Barém que, após ser derrotado, retirou-se para Almuxacar antes de se juntar a Muçailima. Almuxacar continuou a florescer durante aproximadamente o primeiro século do Islã. Em 73 A.H. (692–693), durante o califado de Abalmaleque, tropas de Baçorá e Cufa perseguiram o líder carijita Abu Fudaique até o assentamento e o sitiaram ali até sua rendição. Almuxacar parece ter declinado posteriormente, embora por volta de 290 A.H. (903) Ibne Alfaqui ainda situasse ali a mesquita da sexta-feira do Barém e associasse o lugar a uma das maravilhas do mundo islâmico.

História

Almuxacar era um assentamento fortificado da costa oriental da Arábia, situado na região de Hajar, no Barém histórico. Sua localização exata é desconhecida, e Bosworth considerou que provavelmente somente investigações arqueológicas poderiam determiná-la. As tradições divergem quanto à origem de Almuxacar. Uma delas atribui sua fundação a Moáuia ibne Alharite, rei dos quindaítas, enquanto outra a relaciona a um comandante do xainxá sassânida Sapor II (r. 309–379). Os quindaítas, povo de origem catanita, são registrados em Almuxacar antes de parte da tribo migrar, em algum momento dos séculos IV ou V, para o norte, em direção a Négede, onde posteriormente se constituiu o Reino de Quinda. As fontes registram ainda os ispaditas, grupo cuja origem e natureza são explicadas de diferentes maneiras. Uma tradição relaciona sua designação a Ispade, localidade do Barém, enquanto outra a deriva do persa asb, "cavalo", alegando que o grupo recebeu esse nome por venerar cavalos. Outra interpretação relaciona a designação à reunião de diferentes facções tribais, ao passo que estudiosos modernos propuseram uma conexão com o título persa ispabade, hipótese segundo a qual os ispaditas poderiam ter constituído uma força a serviço do ispabade do Barém. Uma tradição afirma especificamente que constituíam uma guarnição estacionada na fortaleza de Almuxacar.

Almuxacar esteve também associado aos abedalcaicitas. Segundo Maomé ibne Habibe, a tribo encontrava-se estabelecida na região e realizava ali uma importante feira. Durante o período imediatamente anterior ao Islã, o Barém estava submetido à influência sassânida, ao mesmo tempo que diferentes grupos tribais árabes participavam de sua organização política. Entre as figuras proeminentes desse contexto encontrava-se Almondir ibne Sauá, pertencente aos tamimitas. No início da expansão islâmica na Arábia oriental, Almuxacar parece ter estado sob controle de um chefe dos tamimitas em nome dos sassânidas. Durante as Guerras da Apostasia, depois de ser derrotado, o líder dos rebeldes do Barém Almondir ibne Anumane, conhecido como Alguarur, retirou-se para Almuxacar antes de partir para se juntar a Muçailima. Almuxacar ainda florescia durante aproximadamente o primeiro século do Islã. Em 73 A.H. (692–693), tropas de Baçorá e Cufa comandadas por Omar ibne Ubaide Alá ibne Mamar, general do califa Abalmaleque (r. 685–705), perseguiram o líder carijita Abu Fudaique até Almuxacar e o sitiaram ali até sua rendição. Depois disso, o assentamento parece ter entrado em declínio. Por volta de 290 A.H. (903), Ibne Alfaqui ainda situava em Almuxacar a mesquita da sexta-feira do Barém e descrevia o lugar, embora não seja claro se se referia especificamente à mesquita ou à fortaleza, como uma das maravilhas do mundo islâmico. Bosworth observa, contudo, que Almuxacar não é mencionado pelos demais geógrafos.

Feira de Almuxacar

Além de sua função defensiva, Almuxacar foi sede de uma importante feira (sūq) da Arábia pré-islâmica. Segundo Maomé ibne Habibe, a feira era realizada em Jamada II e estava associada aos abedalcaicitas. Mercadores persas provenientes do outro lado do golfo Pérsico viajavam até Almuxacar para comerciar.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Bosworth 1993, p. 671.
  2. ↑ Savran 2000, p. 237.
  3. ↑ Önkal 2006, p. 34.
  4. 1 2 Kister 1993, p. 570.

Bibliografia