Abu Alabás Amade ibne Omar ibne Anas Aludri (em árabe: أبو العباس أحمد بن عمر بن أنس العذري; romaniz.: Abū al-ʿAbbās Aḥmad ibn ʿUmar ibn Anas al-ʿUdhrī; Almeria, 1003 — 1085), também chamado Ibne Dalai foi um tradicionalista e geógrafo do Alandalus. Embora as fontes biográficas medievais o apresentem sobretudo como especialista em hádice, sua notoriedade moderna decorre principalmente de sua obra geográfica sobre o Alandalus, considerada uma das mais importantes produzidas na Península Ibérica islâmica. Após permanecer cerca de uma década em Meca, onde estudou com destacados mestres da tradição profética, regressou ao Alandalus e tornou-se discípulo de Ibne Abede Albarre e Ibne Hasme, aos quais também transmitiu numerosos hádices recolhidos durante sua rihla. Entre seus discípulos figuraram Abedalá ibne Azobair Alhumaidi e Abu Ali Açadafi. Sua principal obra, o Tarṣīʿ al-akhbār, conservada apenas de forma fragmentária, reúne descrições geográficas, administrativas, econômicas e históricas do Alandalus e de outras regiões do mundo islâmico. Baseada em parte na geografia de Amade Arrazi, mas amplamente ampliada com informações originais, constitui fonte de excepcional importância para o estudo da geografia e da história política do Alandalus, preservando dados que frequentemente não sobreviveram em nenhuma outra obra.
Aludri nasceu em Almeria, no Alandalus, em 1003, e morreu na mesma cidade em 1085. Era membro de uma família estabelecida na aldeia de Dalías desde os primeiros tempos da conquista muçulmana do Alandalus, circunstância que explica o sobrenome Ibne Dalai pelo qual também era conhecido. Ainda muito jovem, acompanhou os pais na peregrinação a Meca, aproveitando a viagem para iniciar sua formação religiosa. Permaneceu na cidade durante aproximadamente dez anos, entre 1016 e 1025, período em que estudou com destacados especialistas em hádice, entre eles Abu Dar Alharaui. Ao regressar ao Alandalus, tornou-se discípulo de Ibne Abede Albarre e Ibne Hasme, aos quais também transmitiu numerosas tradições recolhidas durante sua permanência em Meca. Entre seus próprios discípulos figuraram Abedalá ibne Azobair Alhumaidi e Abu Ali Açadafi. Embora sua reputação contemporânea esteja ligada principalmente à geografia, as fontes biográficas medievais o apresentam прежде de tudo como um importante tradicionalista, particularmente dedicado à transmissão dos Sahis de Muslim ibne Alhajaje e Albucari, que estudara durante sua rihla ao Oriente.
Embora as fontes biográficas medievais enfatizem sobretudo sua atuação como tradicionalista, Aludri é atualmente reconhecido principalmente por sua contribuição à geografia histórica do Alandalus. Sua principal obra, intitulada Tarṣīʿ al-akhbār ("Adorno das notícias"), é conhecida apenas de forma fragmentária. Sobreviveram partes do sétimo volume, editadas modernamente a partir de um manuscrito conservado em Jerusalém, além de poucos fólios relativos ao Egito, à Síria e à Pérsia. Apesar desse estado lacunar, os fragmentos preservados permitem reconstruir, ao menos em linhas gerais, a organização e o alcance da obra. Na parte dedicada ao Alandalus, Aludri tomou como base a geografia de Amade Arrazi, preservando sua estrutura geral, embora nem sempre mantivesse a mesma ordem de apresentação das coras. A partir desse modelo, ampliou significativamente o conteúdo mediante a incorporação de informações administrativas, econômicas, fiscais e topográficas, bem como descrições detalhadas das principais cidades, províncias, itinerários e fenômenos naturais. A precisão de muitos desses dados levou estudiosos modernos a supor que o autor teve acesso direto a documentação oficial, tornando sua obra uma das mais importantes fontes geográficas sobre o Alandalus islâmico.
Além de seu valor geográfico, a obra constitui uma fonte histórica de primeira ordem. Em praticamente todos os capítulos, Aludri acrescentou longas exposições sobre a história das diferentes províncias, dedicando especial atenção às revoltas regionais que marcaram sua evolução política. Também incluiu notas sobre o período pré-islâmico e um extenso, embora incompleto, relato das campanhas militares de Almançor. Mesmo quando os acontecimentos já são conhecidos por outras fontes, sua narrativa costuma apresentar informações mais abundantes e pormenorizadas, preservando numerosos detalhes ausentes em outras tradições historiográficas. O manuscrito conservado em Jerusalém atribui à obra o título Tarṣīʿ al-akhbār, denominação igualmente registrada por diversos autores posteriores. Outras fontes, entretanto, referem-se ao mesmo trabalho como Niẓām al-murjān. Segundo uma hipótese proposta por Luis Molina, ambas as designações corresponderiam a versões distintas da mesma obra: a primeira preservada no manuscrito de Jerusalém, e a segunda utilizada amplamente por autores como Alcazuini, Ibne Abede Almunime Alhimiari e pelo compilador do Dhikr Bilād al-Andalus.