Os fagoinibidores (também conhecidos pelo termo inglês antifeedant ou substância antialimentar) são quaisquer compostos químicos orgânicos ou inorgânicos que, ao interagirem com os recetores gustativos e sensoriais de um organismo heterotrófico — principalmente insetos e outros fitófagos —, provocam a inibição ou a cessação imediata do seu comportamento alimentar. Ao contrário dos inseticidas químicos tradicionais, estes compostos não eliminam o organismo por toxicidade direta ou choque imediato após o contacto; a sua ação baseia-se num mecanismo neurofisiológico que atua como uma barreira química defensiva, tornando os tecidos vegetais indesejáveis e induzindo o estado de rejeição ou a morte secundária por inanição. Evolutivamente, os fagoinibidores representam uma das estratégias de defesa mais sofisticadas desenvolvidas pelas plantas sésseis na sua corrida armamentista contra a herbivoria, sendo maioritariamente constituídos por metabolitos secundários como terpenoides (com especial destaque para a azadiractina, extraída da árvore nim), alcaloides e compostos fenólicos. A nível sensorial, estas substâncias operam por duas vias principais: ou estimulam intensamente os neurónios associados à perceção de dissuasão e amargor ou bloqueiam a receção de compostos fagoestimulantes essenciais, como os açúcares e os aminoácidos, anulando o apetite do fitófago. Na agricultura contemporânea, o estudo e a síntese destas moléculas ganharam uma relevância fulcral no âmbito da gestão integrada de pragas (GIP) e da produção biológica. Por apresentarem uma elevada especificidade — uma vez que afetam apenas os organismos que tentam ingerir a cultura, poupando polinizadores e predadores naturais —, associada a uma rápida biodegradabilidade ambiental e a um risco residual de desenvolvimento de resistência biológica, os fagoinibidores afirmam-se como ferramentas ecológicas altamente eficazes e sustentáveis para a proteção fitossanitária mundial.