Associação Nacional de Travestis e Transexuais

Associação Nacional de Travestis e Transexuais
(ANTRA)
Seminário LGBT de 2016, em Brasília
FundaçãoDezembro de 2000
SedeNiterói, Rio de Janeiro, Brasil
Línguas oficiaisportuguês
PresidenteBruna Benevides
Websitehttps://antrabrasil.org/

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) é uma instituição brasileira voltada a suprir as necessidades da população de travestis e transexuais, assim como combater a transfobia.

Resultou de um processo de articulação nacional de organizações de travestis iniciado na década de 1990, que incluiu a Associação de Travestis e Liberados do Rio de Janeiro (ASTRAL), fundada em 1992, e redes conhecidas pelas denominações Rede Nacional de Travestis (RENATA) e Rede Nacional de Travestis e Liberados (RENTRAL). A ordem de utilização dos nomes RENATA e RENTRAL não está estabelecida de maneira consensual. O histórico institucional escrito por Keila Simpson apresenta a RENATA como anterior à RENTRAL, ao contrário da sequência proposta por Carvalho e Carrara, que reconhecem essa incerteza.

A diretoria da instituição é renovada quadrianualmente. A estrutura organizacional hierárquica é composta por presidente e vice-presidente e, logo abaixo, primeira-secretária, segunda-secretária, tesoureira, segunda-tesoureira, secretária de mulheres trans, secretária de homens transexuais, secretária de direitos humanos, secretária de articulação política, secretária de comunicação, conselheiros fiscais.

A organização se posiciona como de Esquerda (política), Transfeminista, e Interseccional.

História

Em 1992, foi fundada no Rio de Janeiro a Associação de Travestis e Liberados (ASTRAL), organização local que contribuiu para a formação do movimento organizado de travestis no Brasil. Ao longo da década de 1990, a criação de associações em diferentes estados e a realização de encontros nacionais favoreceram a articulação entre essas organizações. Esse processo culminou, em dezembro de 2000, na constituição da ANTRA como articulação de âmbito nacional. Segundo o histórico institucional redigido por Keila Simpson, a sigla ANTRA passou a ser utilizada em dezembro de 2000 com o significado Articulação Nacional de Transgêneros. A autora relaciona a escolha dessa denominação, em parte, ao estigma então associado à palavra travesti, afirmando que o nome Associação Nacional de Travestis e Transexuais foi adotado posteriormente, após debates internos no movimento. Carvalho e Carrara (2013), por sua vez, apresentam a organização constituída em 2000 como Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros.

A primeira presidente da ANTRA foi Liza Mineli, fundadora do Grupo Esperança, de Curitiba. Jovanna Baby havia participado da fundação da ASTRAL, em 1992, enquanto Keila Simpson fundou a Associação de Travestis de Salvador (ATRAS), em 1995, exercendo posteriormente a presidência da ANTRA.

Em 25 de maio de 2024, Bruna Benevides foi eleita presidenta da ANTRA para um mandato de quatro anos, durante uma assembleia geral que também elegeu Chopelly Santos como vice-presidenta, Pitty Barbosa como secretária-geral e Keila Simpson como tesoureira. Benevides continuou a exercer a presidência em 2026, conforme documentação do Ministério das Mulheres.

A formalização jurídica da ANTRA apresenta uma divergência documental. Segundo o histórico institucional redigido por Keila Simpson, a entidade obteve registro de personalidade jurídica em cartório em 2002. No entanto, os dados cadastrais da Receita Federal do Brasil, reproduzidos pela Econodata, identificam 26 de abril de 2001 como data de abertura da associação.

Em 2008, decidiu-se agilizar a administração, extinguindo-se as representações regionais da Antra, sendo então criadas Secretaria de Comunicação, Articulação Política, Direitos Humanos, Homens e Mulheres Transexuais.

Em 2013, a Antra contava com cento e cinco afiliadas que cobriam todo o território brasileiro.

Em 2018, a ANTRA iniciou a publicação de uma série anual de dossiês sobre assassinatos e outras formas de violência contra pessoas trans no Brasil, com dados inicialmente referentes a 2017. Os levantamentos reúnem informações provenientes da imprensa, de redes sociais, de registros públicos e de organizações e informantes locais. A própria entidade reconhece limitações de cobertura e a falta de dados demográficos necessários para calcular taxas de homicídio na população trans. A metodologia desses levantamentos tem sido objeto de análise acadêmica. Em uma revisão publicada em 2026, Natalia Heringer e Sara Wagner York apontaram problemas de subnotificação e identificação das vítimas, embora tenham observado padrões semelhantes nos registros da ANTRA e da Rede Trans Brasil. Beatriz Beraldo e Verônica Toste Daflon, também em 2026, questionaram o rigor metodológico de estatísticas amplamente difundidas, entre elas a esperança de vida de 35 anos e a posição do Brasil nas contagens internacionais de assassinatos de pessoas trans.

Ver também

Referências

  1. ↑ «Acordo de Cooperação Técnica GM nº 6/2025» (PDF). Ministério das Mulheres. 2025. p. 1
  2. 1 2 3 4 Da redação (22 de maio de 2009). «Travestis e transexuais elegem nova diretoria de ONG nacional». Grupo Gay da Bahia. Consultado em 23 de março de 2014
  3. 1 2 3 Adm. do sítio web (25 de Janeiro de 2013). «Antra pede a punição dos crimes transfóbicos em São Paulo». Portal dos Conselhos Municipais de Piracicaba. Consultado em 23 de março de 2014
  4. 1 2 Carvalho, Mario; Carrara, Sérgio (2013). «Em direito a um futuro trans?: contribuição para a história do movimento de travestis e transexuais no Brasil». Sexualidad, Salud y Sociedad (14): 319–351. doi:10.1590/S1984-64872013000200015
  5. 1 2 3 Keila Simpson Sousa. «História». Associação Nacional de Travestis e Transexuais. Consultado em 11 de outubro de 2026
  6. ↑ «Eleições 2024». Associação Nacional de Travestis e Transexuais. 27 de setembro de 2024. Consultado em 29 de agosto de 2025
  7. 1 2 Nascimento, Silvana de Souza (2022). «Epistemologias transfeministas negras: perspectivas e desafios para mulheridades múltiplas». Estudos Históricos. 35 (77). doi:10.1590/S2178-149420220311
  8. ↑ Muniz, Livia (2024). «ANTRA elege Bruna Benevides como sua nova presidenta». Revista Híbrida
  9. ↑ «Ministério das Mulheres e ANTRA renovam acordo para produção de dados sobre a realidade de travestis e mulheres trans». Ministério das Mulheres. 12 de junho de 2026
  10. ↑ «Associação Nacional de Travestis e Transexuais». Econodata. Consultado em 11 de outubro de 2026
  11. ↑ Associação Nacional de Travestis e Transexuais. «Assassinatos». ANTRA. Consultado em 11 de outubro de 2026
  12. ↑ «Dossiê: Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025» (PDF). Associação Nacional de Travestis e Transexuais. 2026. pp. 42–45
  13. ↑ Heringer, Natalia; York, Sara Wagner (2026). «A Social Cartography of Trans Homicides: Data, Epistemologies, and Contradictions». Sociology Compass. 20 (3): e70174. doi:10.1111/soc4.70174
  14. ↑ Beraldo, Beatriz; Toste Daflon, Verônica (2026). «Ativismo de Dados e Jornalismo: Dilemas da Cobertura Jornalística da Questão Transgênero no Brasil». Ação Midiática – Estudos em Comunicação, Sociedade e Cultura. 32 (1). doi:10.5380/am.v32i1.100930