A aortografia é um procedimento médico invasivo de diagnóstico por imagem que consiste na visualização radiológica da aorta — a maior artéria do corpo humano — e dos seus ramos principais. Desenvolvido inicialmente na década de 1920 através de punções translombares diretas e perigosas, o exame foi revolucionado em 1953 pela técnica de Seldinger, que introduziu o acesso percutâneo seguro através do cateterismo de uma artéria periférica, geralmente a artéria femoral ou a radial. Durante o procedimento, realizado numa sala de radiologia de intervenção sob anestesia local, um cateter flexível é guiado sob orientação fluoroscópica até ao segmento aórtico pretendido (torácico ou abdominal). É então injetado um meio de contraste iodado através de um injetor automático, permitindo a captação de imagens radiográficas sequenciais de alta resolução através de angiografia por subtração digital. Este exame é fundamental para detetar e avaliar patologias estruturais graves, como aneurismas, dissecções aórticas, malformações congénitas (como a coartação da aorta) e oclusões arteriais graves causadas por aterosclerose. Apesar da sua elevada precisão, a aortografia comporta riscos inerentes à sua natureza invasiva, incluindo hemorragias locais, reações alérgicas ou toxicidade renal causadas pelo produto de contraste, e episódios embólicos decorrentes da manipulação arterial. Na medicina contemporânea, a aortografia exclusivamente diagnóstica tem sido progressivamente substituída por métodos não invasivos e tridimensionais, como a angio-TC e a angio-RM. Contudo, mantém um papel crucial e insubstituível no contexto intraoperatório, servindo como guia visual em tempo real para a realização de terapêuticas endovasculares complexas, tais como a colocação precisa de stents ou de endopróteses aórticas.