Argivai | |
|---|---|
| Gentílico | argivaiense |
| Município | |
| Fundação | 2025-03-14 (refundação) |
| Governo | |
| • Tipo | Junta de freguesia |
| População | |
| • Total (2011) | 2 163 hab. |
Argivai é uma zona urbana de Póvoa de Varzim, em Portugal, sendo sede da Freguesia de Argivai.
A Freguesia de Argivai, que esteve em vigor entre 1836 e 1842 e, depois, de forma contínua, entre c. 1853 e 2013, neste último ano, foi extinta (agregada) no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada às freguesias de Beiriz e Póvoa de Varzim, para criar a União das Freguesias de Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai. Mas em 14 de março de 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais pela lei n.º 25-A/2025, pelo que a Freguesia de Argivai foi de novo reposta.
É uma das freguesias eclesiásticas da cidade da Póvoa de Varzim, estando dividida em duas partes: Argivai e Gândara. É paróquia desde a época medieval, tendo sido Paróquia-mãe da Póvoa até ao século XV. Pinho Leal em Portugal Antigo e Moderno identifica como certo que o primeiro assento da igreja de Argivai foi no lugar da Varzinha e este identifica este lugar como a Póvoa de Varzim. A Argivai estão associadas devoções religiosas poveiras (e, por inerência, das Caxinas e Poça da Barca), como o Senhor dos Milagres, Nossa Senhora do Bom Sucesso e o Dia do Anjo.
O nome da paróquia é de origem germânica e provem de Argivadi, de que é memória viva o Castro de Argivai; no entanto é popularmente conhecida na Póvoa de Varzim como Anjo. A Argivai está associado o Dia do Anjo, quando a população da Póvoa de Varzim se reunia nas bouças de Argivai para um piquenique familiar, visto que parte da população tinha ali origem.
Em 1220, o Rei D. Afonso II tinha em Argivai 22 casais rústicos e um amo do rei, possivelmente um aio de D. Sancho I, filho deste e de D. Maria Pais Ribeira, senhora de Vila do Conde e amante de D. Sancho I, conhecida como Ribeirinha. Em Quintela, havia um bom casal reguengo, que tinha passaro possivelmente um de "paço" no tempo de D. Sancho. Em Quintela, é recente o topónimo do Campo do Paço, casa com privilégios de Couto ou honra. Segundo o Tombo da Casa de Bragança, à casa estavam ligados os Condes de Barcelos e os descendentes de D. Maria Pais.
Outrora a paróquia de Argivai abarcava todo o território de Varzim. Note-se contudo que Varzim era, desde a fundação do condado portucalense, um vasto terrório feudal com autonomia administrativa e militar, uma honra de cavaleiros, abarcando todo o território desde a costa aos montes de Laundos e Terroso. Nas inquirições de 1220, diz-se que no Reguengo de Varzim, que era pousa do mordomo do Rei, havia 20 casais, que davam ao rei, quando aí vinha, 6 dinheiros por pensão.
Em 1626, a abadessa do mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, D. Maria de Meneses, deu início à construção de um aqueduto que transportaria as águas de uma nascente em Terroso até ao mosteiro. O aqueduto rapidamente se tornou na principal marca paisagística e arquitectónica da freguesia.
Com a autonomia política da Póvoa de Varzim e a permanência da paróquia de Argivai nos domínios de Barcelos, o seu território foi objecto de contenda entre os dois concelhos. Vindo a paróquia de Argivai a perder, novamente, território em 1707, anexado à Póvoa de Varzim. Em 1836, a freguesia hoje é anexada ao concelho da Póvoa de Varzim. No ano de 1842, a freguesia de Argivai chega mesmo a desaparecer, sendo anexada à freguesia da Póvoa de Varzim. Já pouco antes da nova reforma de 1853, a freguesia já se encontrava recuperada.
Apenas em 2006 com o novo plano de urbanização, a povoação passa a integrar a cidade de forma plena e conhece uma significativa expansão populacional e a instalação de equipamentos comuns para as cidades da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, nomeadamente o pólo da Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão, o futuro Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde e o Centro Empresarial Agros.
Em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, perde o estatuto de freguesia civil e é agregada às freguesias de Beiriz e Póvoa de Varzim, passando a fazer parte da União das Freguesias de Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai, agregação que foi revertida em 2025 pelo que a Freguesia de Argivai foi reconstituida.
A povoação é dividida em doze lugares: Aguieira, Bom Sucesso, Calves, Casal do Monte, Cassapos, Gândara, Igreja, Fiéis de Deus, Oliveira, Padrão, Pedreira e Quintela. O INE considera lugares apenas Bom Sucesso, Calves, Casal do Monte, Gândara, Padrão e Pedreira.

Argivai é paróquia antiga. No século XI, o "Censual" de Braga refere-a na Terra de Faria com o título "De Sancto Micahele de Argivai".
A paróquia foi perdendo importância e território com o desenvolvimento urbano da Póvoa de Varzim com a sua autonomia civil e, posteriormente também, religiosa.
| Lugar | População (2001) |
|---|---|
| Bom Sucesso | 156 |
| Calves | 138 |
| Casal do Monte | 398 |
| Gândara | 1071 |
| Padrão | 48 |
| Pedreira | 366 |
Nº de habitantes
