Arthonia

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Arthonia quintaria
Arthonia quintaria
Classificação científica
Reino: Fungi
Divisão: Ascomycota
Classe: Arthoniomycetes
Ordem: Arthoniales
Família: Arthoniaceae
Género: Arthonia
Ach. (1806)
Espécie-tipo
Arthonia radiata [en]
(Pers.) Ach. (1808)
Sinónimos
Lista
  • Conioloma Flörke [en] (1815)
  • Trachylia Fr. (1817)
  • Naevia Fr. (1824)
  • Celidium Tul. (1852)
  • Celidiopsis A.Massal. [en] (1856)
  • Conida A.Massal. (1856)
  • Spilodium A.Massal. (1856)
  • Phacothecium Trevis. (1857)
  • Craterolechia A.Massal. (1860)
  • Glyphidium A.Massal. (1860)
  • Caldesia Trevis. (1869)
  • Arthonia subgen. Allarthonia Nyl. (1878)
  • Arthonia sect. Lecideopsis Almq. (1880)
  • Mycoporum subgen. Dermatina Almq. (1880)
  • Dermatina (Almq.) Arnold (1881)
  • Asterotrema Müll.Arg. (1884)
  • Arthoniopsis Müll.Arg. (1890)
  • Coccopeziza Har. [en] & P.Karst. (1890)
  • Lecideopsis (Almq.) Rehm [en] (1891)
  • Allarthonia (Nyl.) Müll.Arg. (1895)
  • Mycarthonia Reinke (1895)
  • Arthonia subgen. Allarthothelium Vain. [en] (1896)
  • Pseudoarthonia Marchand [en] (1896)
  • Conidella Elenkin [en] (1901)
  • Allarthonia (Nyl.) Zahlbr. [en] (1903)
  • Allarthothelium (Vain.) Zahlbr. (1908)
  • Merarthonis Clem. (1909)
  • Manilaea Syd. [en] & P.Syd. [en] (1914)
  • Charcotia Hue [en] (1915)
  • Phlegmophiale Zahlbr. (1926)
  • Allarthoniomyces E.A.Thomas (1939)
  • Mycasterotrema Räsänen [en] (1943)
  • Xerodiscus Petr. [en] (1943)
  • Tomaselliella Cif. [en] (1952)
  • Allarthotheliomyces Cif. & Tomas. [en] (1953)
  • Aulaxinomyces Cif. & Tomas. (1953)
  • Arthoniomyces E.A.Thomas ex Cif. & Tomas. (1953)
  • Tomaselliellomyces Cif. (1953)
  • Ameropeltomyces Bat. [en] & H.Maia (1967)

Arthonia é um gênero de líquens crostosos [en] da família Arthoniaceae. Eles são comumente chamados em inglês de comma lichens.:222

Taxonomia

O gênero foi circunscrito pelo liquenologista sueco Erik Acharius em 1806. Ele o distinguiu principalmente pela forma de seus esporocarpos. Acharius descreveu os apotécios como variáveis em contorno (arredondados, oblongos ou irregulares), posicionados na superfície ou parcialmente imersos nela, planos a ligeiramente convexos e apenas raramente profundamente deprimidos, e, de forma crucial, sem uma margem verdadeira. Ele enfatizou que essas estruturas são compostas por tecido próprio, e não pelo talo, formando toda a camada fértil ou sendo apenas recobertas por ela. O talo, conforme definido por Acharius, podia ser uniformemente crostoso e difuso, às vezes pouco delimitado e fino, pulverulento e parcialmente incorporado ao substrato, ou, em outros casos, folhoso e de consistência coriácea.

Acharius posicionou Arthonia imediatamente antes de Opegrapha [en]. Ao fazê-lo, traçou contrastes nítidos com gêneros vizinhos. Ele considerou se os chamados apotécios de Spiloma eram genuínos e, enquanto aguardava estudos mais detalhados, advertiu que espécies que apenas se assemelhavam a Spiloma, mas possuíam apotécios verdadeiros, não pertenciam a esse gênero e deveriam ser mantidas em Arthonia. Em contraste, Opegrapha foi descrito como possuindo apotécios claramente alongados, com um disco muito estreito, quase linear, e com margens próprias; essas características, para Acharius, estabeleciam uma fronteira clara em relação aos apotécios sem margem e de forma variável de Arthonia. Ele também observou diferenças em relação a Lecidea [en] e Peltidea, argumentando que, embora algumas espécies pudessem convergir em hábito superficial, a estrutura de seus apotécios as separava de Arthonia.

O nome genérico do século XIX Coniangium foi considerado uma ameaça ao uso já estabelecido de Arthonia. Quando a condição de nome sancionado sob o Art. 13.1(d) do Código de Berlim foi estendida aos fungos liquenizados, o nome sancionado Coniangium (conforme utilizado por Fries) poderia ter prioridade sobre o nome não sancionado Arthonia. O tipo de Fries, Coniangium vulgare, é um nome supérfluo porque ele citou Arthonia lurida, Lichen dryinus e Spiloma paradoxum como sinônimos; sob as regras de sanção, o nome sancionado Spiloma paradoxum deveria ter sido adotado, o que vincularia Coniangium ao complexo de Arthonia spadicea e deslocaria o uso de Arthonia. Para evitar esse resultado, Hawksworth [en] e David propuseram acrescentar Coniangium à lista de nomes rejeitados em favor de Arthonia, assegurando assim o uso corrente de Arthonia para um grande gênero cosmopolita. A análise subsequente pelo Comitê de Nomenclatura para Fungos não apoiou a proposta de adicionar Coniangium aos nomes rejeitados em favor de Arthonia (votação 5–9–0; não recomendado), com o argumento de que Coniangium não era “sancionado” e, portanto, não representava ameaça ao uso conservado de Arthonia.

Descrição

As espécies de Arthonia são tipicamente líquens crostosos, formando manchas finas e frequentemente pouco conspícuas que podem estar niveladas com a superfície (imersas) ou assentadas sobre ela (superficiais). O talo — o corpo principal do líquen — pode se espalhar sem limites bem definidos ou, por vezes, ser nitidamente delineado por finas linhas marrons. Em algumas espécies, o talo pode estar completamente ausente. Em testes químicos, os filamentos fúngicos (hifas) do talo podem apresentar reações características, tornando-se vermelhos ou azul-pálidos quando corados com iodo (I+) e, em seguida, azuis com uma solução de iodeto de potássio (K/I).

O parceiro fotossintético (fotobionte) é, na maioria das vezes, uma alga verde pertencente ao gênero Trentepohlia. Em alguns casos, contudo, está envolvido um tipo menos conhecido de alga verde, e algumas espécies são apenas fracamente liquenizadas ou vivem parcialmente decompondo matéria orgânica morta (saprofíticas) ou parasitando outros líquens (liquenícolas).

As estruturas reprodutivas de Arthonia são ascocarpos, que frequentemente se assemelham a apotécios (corpos frutíferos abertos em forma de disco), mas podem apresentar ampla variedade de formas. Podem ser arredondadas, alongadas, lineares ou até estreladas, e em cascas de árvores muitas vezes desenvolvem uma borda sutil e fina de tecido que inclui tanto células do líquen quanto do hospedeiro. A superfície exposta dessas estruturas (o disco) pode variar de marrom-avermelhado a preto e, às vezes, aparece recoberta por um pó claro ou esbranquiçado. Diferentemente de muitos líquens, Arthonia geralmente não possui borda protetora formada por tecido do talo e frequentemente também carece de uma camada de tecido fúngico, embora algumas poucas espécies desenvolvam um limite bem definido.

Internamente, a camada superior (epitécio) pode variar de incolor a avermelhada ou marrom-escura. A principal região produtora de esporos, o himênio, normalmente reage aos mesmos testes químicos que as hifas do talo, e essas reações auxiliam na distinção de Arthonia em relação a outros líquens. Abaixo do himênio, uma camada de suporte distinta, o hipotécio, pode estar ausente ou ser difícil de separar do himênio. Elementos fúngicos filiformes entrelaçam-se em uma matriz gelatinosa, tornando-se mais ramificados e pigmentados próximo às extremidades, onde frequentemente formam pequenas “cúpulas” escuras.

Os ascos, ou células portadoras de esporos, geralmente contêm oito esporos e apresentam uma estrutura característica do tipo Arthonia. Frequentemente abrem-se de maneira controlada ao liberar os esporos e possuem um ápice grande e em forma de domo com uma “câmara ocular” especializada que pode apresentar sutis mudanças de cor em testes químicos. Os ascósporos são tipicamente ovais ou alongados, divididos em um a sete segmentos (septos), inicialmente incolores e lisos. À medida que amadurecem e envelhecem, podem escurecer e tornar-se levemente rugosos. No início, os esporos podem apresentar uma camada externa muito fina e incolor.

Além da reprodução sexual por meio de ascósporos, Arthonia frequentemente produz estruturas minúsculas e pouco visíveis em forma de frasco chamadas picnídios. Estas geram pequenos esporos unicelulares e incolores (conídios), geralmente em forma de bastonete, mas ocasionalmente elipsoides ou filiformes.

Do ponto de vista químico, muitas espécies de Arthonia não contêm compostos liquênicos distintos, mas outras produzem uma variedade de substâncias, incluindo xantonas e determinadas antraquinonas. Essas diferenças químicas, juntamente com as diversas características estruturais, auxiliam na distinção das diferentes espécies dentro do gênero.

Galeria

Espécies selecionadas

Referências

  1. ↑ «Synonymy. Current Name: Arthonia Ach., Neues J. Bot. 1(3. Stück): 3 (1806)». Species Fungorum. Consultado em 19 de setembro de 2024
  2. ↑ Lumbsch TH, Huhndorf SM. (dezembro de 2007). «Outline of Ascomycota – 2007». Chicago, USA: The Field Museum, Department of Botany. Myconet. 13: 1–58. Arquivado do original em 18 de março de 2009
  3. ↑ Field Guide to California Lichens, Stephen Sharnoff, Yale University Press, 2014, ISBN 978-0-300-19500-2
  4. 1 2 Acharius, E. (1806). «Arthonia, novum genus Lichenum» [Arthonia, new lichen genus]. Neues Journal für die Botanik (em latim). 1: 1–23 [3]
  5. ↑ «Proposals to conserve or reject». Taxon. 38 (3): 493–527. 1989. JSTOR 1222304. doi:10.2307/1222304Acessível livremente
  6. ↑ Gams, Walter (1993). «Report of the Committee for Fungi and Lichens: 3». Taxon. 42 (1): 112–118. JSTOR 1223316. doi:10.2307/1223316
  7. 1 2 3 4 5 6 7 Cannon, P.; Ertz, D.; Frisch, A.; Aptroot, A.; Chambers, S.; Coppins, B.; Sanderson, N.; Simkin, J.; Wolselsey, P. (2020). Arthoniales: Arthoniaceae, including the genera Arthonia, Arthothelium, Briancoppinsia, Bryostigma, Coniocarpon, Diarthonis, Inoderma, Naevia, Pachnolepia, Reichlingia, Snippocia, Sporodophoron, Synarthonia and Tylophoron. Col: Revisions of British and Irish Lichens. 1. [S.l.: s.n.] p. 6. doi:10.34885/173Acessível livremente