Astisata

Astisata
Localização atual
Astisata está localizado em: Turquia
Astisata
Localização do sítio de Astisata
Coordenadas 38° 58′ 20″ N, 41° 27′ 04″ L
País Turquia
Região Anatólia Oriental
Província Muxe
editar - editar código-fonte - editar WikidataDocumentação da predefinição

Astisata (em latim: Astisata; em armênio: Աշտիշատ; romaniz.: Aštišat) era uma cidade do planalto Armênio do cantão de Taraunitis, na província de Turuberânia. Foi um importante centro religioso pagão, com um celebrado templo tripartido dedicado a Vaagênio, Astlique e Anaíte. No começo do século IV, o templo foi destruído por Gregório, o Iluminador, que converteu o recinto na primeira sede cristã oficial do Reino da Armênia.

Nome

Astisata é a forma latina de Astixata (Աշտիշատ, Aštišat), que é formado por Asti / Astarte + -xata (šat'), e significa "felicidade de Astarte". Seu nome foi corrompido popularmente como Iastixata (Յաշտիշատ, Yaštišat), que em um dos manuscritos de Agatângelo foi erroneamente derivado do iraniano yašt, "sacrifício", e do armênio šat, "muito, muitos", o que gerou o sentido de "[local] de muitos sacrifícios".

História

De acordo com as fontes armênias, Astisata estava situada ao norte do Mel, o principal rio que fluía pelo distrito de Taraunitis, na província da Turuberânia do Reino da Armênia. Geralmente se assume que estivesse no sítio do Convento de São Isaque, destruído por Tamerlão no século XIV, sobre uma colina ao norte da confluência dos rios Murate e Carasu, a norte de Muxe, perto da vila de Terque. Suas reais dimensões e população são desconhecidas, haja vista as fontes flutuarem a respeito de sua caracterização. Fausto, o Bizantino e Moisés de Corene variadamente referem-se a ela como uma localidade (teł) ou vila (gewł) e em uma única ocasião, Fausto caracteriza-a como uma cidade eclesiástica (awan). Nina Garsoïan propôs, com base na menção em Fausto de que a igreja em Astisata era "fortificada", que o sítio não deveria ser protegido por uma unidade populacional maior.

Durante a Antiguidade, Astisata foi um relevante templo pagão (mehean) tripartido dedicado a Anaíte, Astlique e Vaagênio, que foi particularmente relevante para os reis arsácidas. Os vanúnidas, um possível ramo cadete dos orôntidas, serviam como sumo sacerdotes de Vaagênio em Astisata até a eventual cristianização da Armênia em 301. O templo de Vaagênio foi destruído por Gregório, o Iluminador, sob autorização do rei Tiridates IV (r. 298–330). e em seu lugar construir-se-ia a Igreja de São João Batista e São Atenógenes, com os altares dos nomes da glória de Cristo e da Santíssima Trindade. Fausto reiteradamente referiu-se a essa igreja como "Igreja Matriz" (Mayr Ekełecʿi). Diz-se que Gregório batizou 190 mil pessoas em Astisata. Por volta de 314, Astisata foi incorporada ao patrimônio da Igreja Armênia, como posse pessoal de Gregório e seus descendentes. Robert H. Hewsen propôs que o cantão de Aspacúnia pertencia a Astisata.

Em certa ocasião, durante o reinado de Cosroes III (r. 330–339), o católico Vertanes I (r. 327/33–341/2), filho mais novo de Gregório, dirigiu-se a Astisata para celebrou a eucaristia acompanhado de reis, nobres e pelo povo. Depois, ao retornar a Astisata apenas acompanhado por alguns ajudantes, foi surpreendido por uma multidão de sectários pagãos que pertenciam às famílias e linhagens dos antigos sacerdotes pagãos, conhecidos como devoradores e destruidores do mundo. Eles foram enviados ali sob ordens da rainha da Armênia, que havia sido repreendida por Vertanes por seus modos dissolutos e por um adultério secreto. Alega-se que Vertanes foi protegido pela intervenção divida e seus agressores permaneceram presos por uma força invisível. Segundo alegações de Fausto, Vertanes pregou o Evangelho diante deles e suas orações permitiram que os invasores pudessem se mexer novamente. Arrependidos, prostraram-se diante dele, pedindo penitência, e o patriarca designou-lhes um tempo para isso. Depois disso, Vertanes batizou cerca de dois mil deles, além de suas mulheres e filhos.

Por volta de 347/8, durante o reinado de Tigranes VII (r. 339–350), Atenógenes e Papa, filhos do católico Hesíquio I (r. 341/2–347/8), dirigiram-se a Astisata, onde realizaram um grande festim, regado em bebidas. Bêbados, entraram na residência episcopal com cantores e palhaços e profanaram o local com sua presença. Supostamente, quando reclinaram-se em sofás, um anjo surgiu e os incinerou com um raio. Todos os presentes abandonaram o recinto e os corpos deles foram deixados lá por meses até serem recolhidos e sepultados num vinhedo pertencente a uma igreja chamada Agaraque. Jean-Pierre Mahé propôs que essa alegoria, como apresentada por Fausto, diz respeito ao assassinados deles, provavelmente por sua recusa a assumir a posição sacerdotal. Na mesma época, servia como supervisor das igrejas de Taraunitis o corebispo Daniel, um sacerdote siríaco autônomo que atuou nas porções ao sul da Armênia à época, influenciado pela Igreja na Síria e centrado em Astisata. Ele foi convidado a ocupar o trono catolicossal da Armênia por Tigranes, mas após ofender publicamente o rei, foi assassinado. O trono seria ocupado por Farnarses (r. 347/8–352), que era nativo de Astisata.

Expansão dos Mamicônios, com Taraunitis situada ao sul

De acordo com Fausto, pouco após 353, o eunuco Cílaces visitou Astisata para orar e receber as bênçãos do católico Narses (r. 353–373). Ao chegar, Narses e ele abençoaram um ao outro e Cílaces perambulou da residência episcopal às capelas dos santos. Quando voltou, entrou na sala de jantar, sentou-se e começou a comer e beber. Quando estava saciado e bêbado, falou arrogante e presunçosamente, insultando o rei Tiridates IV e os reis mortos e vivos da dinastia arsácida. Incomodado com sua postura, Narses ordenou que se retirasse. Em 354/6, Narses conveniou o Concílio de Astisata, no qual o zoroastrismo, paganismo, os casamentos consanguíneos e ritos funerários antigos foram proibidos e muitas instituições voluntárias (leprosários, orfanatos, etc.) foram criadas. Segundo João Mamicônio, as relíquias de Narses foram levadas para Astisata. Desde a morte do católico Isaque I, o Grande (438/9), último descendente masculino de Gregório, Astisata foi recebida como propriedade por Amazaspes I da família Mamicônio por conta de seu casamento com a filha de Isaque. No século VII, a mosteiro local foi destruída pelos árabes e em seu lugar foi erguida a Igreja de Isaque, que existiu até 1915, quando foi destruída durante o genocídio armênio. Em 1915, a vila de Terque possuía cerca de 600 habitantes armênios, devotos de São Isaque.

Referências

Bibliografia