| Aya Kōda | |
|---|---|
| 幸田文 | |
Aya Kōda, em 1950 | |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Nacionalidade | Japonesa |
| Parentesco | Kōda Rohan (pai) Tama Aoki (filha) Nao Aoki (neta) |
| Cônjuge | Ikunosuke Mitsuhashi (1928–1938) |
| Ocupação | Romancista, contista, ensaísta |
| Gênero literário | Romance, conto, ensaio |
| Carreira musical | |
| Período musical | 1947–1990 |
Aya Kōda (幸田文, Kōda Aya; Tóquio, 1 de setembro de 1904 — Ishioka, Ibaraki, 31 de outubro de 1990) foi uma escritora japonesa de romances, contos e ensaios, bem como membro da Academia de Arte do Japão. Filha do renomado romancista Kōda Rohan, estreou na literatura aos 43 anos com memórias sobre a convivência com o pai e alcançou reconhecimento pela prosa sensível, pela observação precisa e pelo estilo cortante herdado da linguagem de Edo. Entre suas obras mais conhecidas estão os romances Nagareru (1955) e Otōto (1956).
Kōda nasceu em 1 de setembro de 1904 no distrito de Terajima-chō, em Minami Katsushika-gun, na Prefeitura de Tóquio, como a segunda filha do romancista Kōda Rohan e de sua esposa Ikimi. Aos cinco anos perdeu a mãe; em 1912 perdeu também a irmã mais velha, Uta; e em 1926, o irmão mais novo, Shigetoyo, faleceu de tuberculose. A madrasta, Yayoko, era uma mulher culta, poetisa e cristã devota, mas sofria de reumatismo e tinha dificuldades para conduzir a casa, o que tornou o relacionamento entre as duas difícil.
Após reprovar no exame de ingresso da Escola Normal Superior Feminina de Tóquio, Kōda ingressou no Joshigakuin, um colégio cristão feminino, formando-se em 1922. Aos 24 anos casou-se com Ikunosuke Mitsuhashi, filho de um atacadista de saquê, mas se divorciou dez anos depois e retornou com a filha, Tama, para a casa do pai.
Durante os anos da Segunda Guerra Mundial e do pós-guerra imediato, Kōda assumiu a gestão da casa do pai, que adoecia progressivamente. A madrasta Yayoko, que vivia separada do marido, faleceu em 1945; Kōda Rohan morreu dois anos depois, em julho de 1947.
Com 43 anos, a pedido do editor Noda Utarō para um número comemorativo dos 80 anos do pai, Kōda produziu suas primeiras obras: memórias da vida ao lado do famoso romancista, como Chichi: sono shi (父 その死, lit. "A morte de meu pai") e Zakki (雑記, lit. "Notas avulsas"). Recebidas com entusiasmo pela crítica, essas obras inauguraram uma carreira literária marcada pela exploração da identidade feminina, das relações familiares e da cultura tradicional japonesa.
As obras seguintes aprofundaram os temas autobiográficos. Em Misokkasu (みそっかす) e Kusa no hana (草の花), Kōda revisitou a infância e a adolescência, explorando o sentimento de inferioridade gerado pela convivência com um pai exigente e a comparação constante com a irmã e as tias músicas que haviam estudado no exterior. A sua ficção era frequentemente lida como romance autobiográfico (jidenteki shōsetsu), e muitas de suas obras dissolviam a fronteira entre ensaio e escrita ficcional.
O romance Nagareru (流れる, lit. "Fluindo", 1955), considerado sua obra mais importante, narra a história de uma empregada doméstica que trabalha em uma casa de gueixas no bairro de Yanagibashi — experiência vivida pela própria autora no início da década de 1950. Já Otōto (おとうと, lit. "Irmão mais novo", 1956) retratou ficcionalmente a juventude conturbada de seu irmão Shigetoyo.
Em 1976, Kōda foi eleita membro da Academia de Arte do Japão. Nos anos finais de vida dedicou-se a angariar fundos para a restauração do pagode do templo Hōrin-ji, em Nara, e a escrever ensaios sobre árvores e deslizamentos de terra, resultando nas coletâneas Ki (木, "Árvores") e Kuzure (崩れ, "Desmoronamento"), publicadas postumamente. Faleceu de insuficiência cardíaca em 31 de outubro de 1990, em Ishioka, Ibaraki.
Sua filha, Tama Aoki (nascida em 29 de novembro de 1929), também se tornou escritora, sendo conhecida por Koishikawa no ie (小石川の家, lit. "A casa em Koishikawa"), obra sobre os anos de convivência com o avô Rohan. A neta Nao Aoki (nascida em 1963), formada em literatura alemã, é igualmente ensaísta.
As datas indicam a primeira publicação de cada obra.
Em 1956, Kōda recebeu o Prêmio Yomiuri por Kuroi Suso e o Prêmio Literário Shinchō por Nagareru; esta última obra lhe valeu ainda o Prêmio da Academia de Arte do Japão em 1957. Em 1973, recebeu o Prêmio Literário Joryū Bungaku Shū por Tō.
Os romances Nagareru e Otōto foram adaptados repetidamente para o cinema, o teatro, o rádio e a televisão. A versão cinematográfica de Nagareru, dirigida por Mikio Naruse em 1956, e a de Otōto, dirigida por Kon Ichikawa em 1960, tornaram-se referências do cinema japonês do período.
Kōda é considerada uma das principais vozes da literatura japonesa do século XX, especialmente no âmbito da escrita feminina e dos romances do eu. A *幸田格子* (Kōda Koshi) — um padrão têxtil em xadrez de tons castanho e cinza-rato, tecido à mão pelo artesão têxtil Riichi Urano especificamente para as capas da coleção completa de obras publicada pela Chūōkōronsha — tornou-se um símbolo visual associado à escritora, sendo descrito à época como a mais requintada encadernação da história editorial japonesa do pós-guerra. Em 2013, o Museu Literário de Setagaya realizou a primeira grande exposição dedicada à escritora, intitulada *"Kōda Aya" — Queria tê-la conhecido*.
No mangá Bungo Stray Dogs, uma personagem jovem recebe o seu nome, com traços de vida que parcialmente evocam os da escritora real. No filme Dias Perfeitos (2023), de Wim Wenders, o protagonista adquire um livro de sua autoria em um sebo, numa cena que alude ao reconhecimento tardio que sua obra merece.