Badur I

Badur I

Badur I c. 1691

Função
Imperador mogol
-
Maomé Azam (en)
Jahandar (en)
Biografia
Nascimento
Morte
Sepultamento
Complexo de túmulos em Mehrauli (d)
Moti Masjid (en)
Nome nativo
قطب الدین محمد بهادرشاه
Nome no idioma nativo
قطب الدین محمد بهادرشاه
Atividade
Família
dinastia mogol (en)
Pai
Mãe
Nawab Bai (en)
Irmãos
Badr-un-Nissa Begum (en)
Maomé Aquibar (en)
Maomé Azam (en)
Maomé Kam Bakhsh (en)
Mehr-un-Nissa (en)
Zubdat-un-Nissa (en)
Zeb-un-Nisa (en)
Zinat un-nisa (en)
Sultão Maomé (en)
Cônjuges
Nizam Bai (en)
Nur un-nisa Begum (d)
Maharajkumari Amrita Bai Sahiba (en)
Nur-un-Nissa Begum (en)
Descendentes
Jahandar (en)
Azz-ud-din (d)
Azim-ush-Shan (en)
Rafi-ush-Shan (en)
Khujista Akhtar Jahan (en)
Outras informações
Religião

emblema

Badur I (em urdu: بہادر شاه اول‎—Bahādur Shāh Awwal) (Burhanpur, 14 de outubro de 1643 – Laore, 27 de fevereiro de 1712), também conhecido como xá Alam I, foi o oitavo imperador mogol da Índia, governou de 1707 até sua morte em 1712. Nascido Muazão, era o segundo filho do sexto imperador mogol, Auranguezebe com sua esposa rajapute muçulmana Begum Nauabe Bai e neto do xá Jeã. Em sua juventude, conspirou inúmeras vezes para derrubar seu pai e ascender ao trono. Seus planos foram todos interceptados pelo imperador, que o mandou prender várias vezes. De 1696 até 1707, Badur foi governador das províncias imperiais de Aquebarabade (mais tarde conhecida como Agra), Cabul e Laore e teve de enfrentar revoltas dos rajaputes e dos siques.

Após a morte de Auranguezebe, o xá Maomé Azão, seu terceiro filho com sua consorte principal, Dilras Banu Begum, declarou-se sucessor, mas foi derrotado, por Badur, pouco tempo depois em uma das maiores batalhas da Índia, a Batalha de Jajau. Durante o seu governo, Badur conseguiu, sem derramamento de sangue, anexar os estados rajaputes de Jodhpur e Amber, após terem declarado independência alguns anos antes.

Badur também provocou uma controvérsia islâmica na khutba ao inserir a declaração de Ali como wasi. Seu reinado foi perturbado por várias rebeliões: os siques sob a liderança de Banda Singue Badur, os rajaputes sob o comando de Durgadas Rathore e um príncipe mogol e meio-irmão de Badur, Maomé Kam Bakhsh; porém, todas elas foram reprimidas com sucesso.

Primeiros anos de vida

O xá Badur nasceu com o nome de Maomé Muazão em 14 de outubro de 1643 em Burhanpur. Ele era o segundo filho mais velho do príncipe Muiadim Maomé, que mais tarde se tornou o imperador mogol Auranguezebe, de sua esposa rajapute muçulmana Begum Nauabe Bai, que pertencia à tribo Jarral, sendo o segundo filho mais velho depois de seu irmão mais velho sultão Maomé, que morreu na prisão.

O reinado do xá Jeã

Príncipe Maomé Muazão, por Paul F. Walter, cerca de 1675. Museu de Arte do Condado de Los Angeles

Durante o reinado de seu avô, xá Jeã, Muazão foi nomeado vizir de Laore de 1653 a 1659. Em 1663, ele substituiu Xaista Cã como governador do Decão. Shivaji invadiu os arredores da capital mogol do Decão, Aurangabade, enquanto o indolente Muazão pouco fez para impedir isso. Enfurecido com isso, Auranguezebe enviou seu comandante mais competente, o rajá Jai Singh, para derrotar Shivaji, e foi então que o histórico Tratado de Purandar foi assinado.

O reinado de Auranguezebe

Depois que o rajá Jai Singh I derrotou Shivaji em Purandar, Muazão assumiu o comando do Decão em maio de 1667 e contou com a ajuda do marajá Jaswant Singh.

Em 1670, Muazão organizou uma insurgência para derrubar Auranguezebe e proclamar-se imperador mogol. Esse plano pode ter sido tramado por instigação dos maratas, e é difícil avaliar as próprias inclinações e sinceridade de Muazão. Auranguezebe tomou conhecimento da conspiração e enviou a mãe de Muazão, Begum Navabe Bai, para dissuadi-lo da rebelião. Muazão retornou à corte mogol, onde passou os anos seguintes sob a supervisão de Auranguezebe. No entanto, Muazão novamente esteve prestes a se rebelar em 1680, devido à política de terra arrasada adotada por Auranguezebe durante a repressão às rebeliões dos rajaputes. Mais uma vez, Auranguezebe dissuadiu Muazão com gentileza e passou a vigiá-lo com maior vigilância.

Nos sete anos seguintes, de 1681 a 1687, o historiador Munis Faruqui descreve Muazão como um “filho obediente a contragosto”.

Rebelião contra Auranguezebe

Auranguezebe recebe o príncipe Muazão. Biblioteca Chester Beatty

Em 1681, Muazão foi enviado de volta por Auranguezebe ao Decão para cortar a rota de retirada de seu meio-irmão rebelde, sultão Maomé Aquebar. Segundo Faruqui, Muazão fracassou deliberadamente em sua missão. Em 1683, após receber ordens de Auranguezebe para marchar para a região de Concão a fim de impedir o ainda rebelde Maomé Aquebar de fugir do país, mas, mais uma vez, Muazão não conseguiu atingir o objetivo que lhe fora atribuído. Em 1687, Auranguezebe ordenou que Muazão marchasse contra o sultanato de Golconda. Em poucas semanas, os espiões do imperador interceptaram mensagens traidoras trocadas entre Muazão e Abul Hasan, o governante de Golconda. Isso não podia ser confundido com incompetência; tratava-se claramente de traição. Auranguezebe prendeu Muazão e seus filhos, executou seus seguidores mais próximos, ordenou que seu harém fosse “enviado para a distante Deli” e dispersou sua comitiva. Auranguezebe proibiu Muazão de cortar as unhas ou o cabelo por seis meses e deu ordens para privá-lo de “boa comida ou água fria”. Ele não deveria se encontrar com ninguém sem o consentimento prévio de seu pai.

Reabilitação

Por volta de 1694, Auranguezebe reabilitou Muazão e permitiu que ele “reconstituísse sua casa”, recontratando alguns de seus funcionários. Auranguezebe continuou a espionar seu filho, nomeando seus homens para a casa de Muazão, enviando informantes ao seu harém e escolhendo seus representantes na corte imperial. Muazão e seus filhos foram transferidos do Decão para o norte da Índia e ficaram proibidos de liderar expedições militares no Decão pelo restante do reinado de Auranguezebe. Em 1695, Auranguezebe enviou Muazão ao Panjabe para combater os chefes tribais e reprimir uma rebelião liderada pelo sique Guru Gobind Singh. Embora o comandante tenha imposto “pesados impostos” aos rajas, ele considerou necessário deixar os siques em paz em sua cidade fortificada de Anandpur e se recusou a travar guerra contra eles por “respeito genuíno” à religião deles. Naquele ano, Muazão foi nomeado governador de Aquebarabade e, em 1696, foi transferido para Laore. Após a morte de Amim Cã, governador de Cabul, ele assumiu esse cargo em 1699, mantendo-o até a morte de seu pai, em 1707.

Imperador

Badur I e sua consorte

Guerra de sucessão

Auranguezebe morreu em 1707, sem nomear um príncipe herdeiro ou um sucessor designado. Muazão era governador de Cabul, e seus meios-irmãos mais novos, Maomé Kam Bakhsh e Maomé Azam, eram governadores do Decão e de Guzerate, respectivamente. Todos os três filhos pretendiam conquistar a coroa, e Kam Bakhsh começou a cunhar moedas em seu nome. Muazão derrotou Maomé Azam na Batalha de Jajau em junho de 1707. Maomé Azam e seu filho Ali Tabar foram mortos na batalha. Muazão ascendeu ao trono mogol aos 64 anos, em 19 de junho de 1707, com o título de Badur I. Ele então marchou para o Decão e derrotou e matou Kam Bakhsh em uma batalha perto de Haiderabade, em janeiro de 1708.

A revolta de Kam Bakhsh

Rúpia de prata do imperador mogol Badur I, cunhada na Casa da Moeda de Burhanpur

Maomé Kam Bakhsh marchou com seus soldados para Bijapur em março de 1707. Quando a notícia da morte de Auranguezebe se espalhou pela cidade, o governador local, Saíde Niaz Cã, entregou-lhe o Forte de Bijapur sem oferecer resistência. Ao ascender ao trono de Bijapur, Kam Bakhsh nomeou Ahsan Cã, que servia no exército como bakshi (general das forças armadas), nomeou seu conselheiro Taquarrube Cã como primeiro-ministro e atribuiu a si mesmo o título de Padshah Kam Bakhsh-i-Dinpanah (Imperador Kam Bakhsh, Protetor da Fé). Em seguida, conquistou Gulbarga e Wakinkhera.

Logo surgiu uma rivalidade entre Taquarrube Cã e Ahsan Cã. Ahsan Cã havia desenvolvido um mercado em Bijapur onde, sem permissão de Kam Bakhsh, não cobrava impostos das lojas. Taquarrube Cã denunciou o fato a Kam Bakhsh, que ordenou que a prática fosse interrompida. Em maio de 1707, Kam Bakhsh enviou Ahsan Cã para conquistar os estados de Golconda e Haiderabade. Embora o rei de Golconda tenha se recusado a se render, o subadar de Haiderabade, Rustam Dil Cã, o fez.

Taquarrube Cã tramou uma conspiração para eliminar Ahsan Cã, alegando que as reuniões entre Ahsan Cã, Saif Cã (professor de arco e flecha de Kam Bakhsh), Arsan Cã, Ahmad Cã, Nasir Cã e Rustam Dil Cã (todos ex-professores de Kam Bakhsh e membros da corte da época) para discutir assuntos públicos constituíam uma conspiração para assassinar Kam Bakhsh “enquanto ele se dirigia à oração de sexta-feira na grande mesquita”. Depois de informar Kam Bakhsh sobre o assunto, ele convidou Rustam Dil Cã para jantar; prendeu-o no caminho. Rustam Dil Cã foi morto ao ser esmagado pelos pés de um elefante. As mãos de Saif Cã foram amputadas, e a língua de Arshad Cã foi cortada. Ahsan Cã ignorou os avisos de amigos próximos de que Kam Bakhsh o prenderia, e acabou sendo encarcerado e tendo seus bens confiscados. Em abril de 1708, Badur I enviou, Maktabar Cã, à corte de Kam Bakhsh. Quando Taquarrube Cã contou a Kam Bakhsh que Maktabar Cã pretendia destroná-lo, Kam Bakhsh convidou o enviado e sua comitiva para um banquete e os executou.

Marcha para o Decão

Kam Bakhsh estabeleceu seu domínio em Bijapur

Em maio de 1708, Badur I escreveu uma carta a Kam Bakhsh na qual advertiu seu irmão contra a ideia de se proclamar soberano independente e iniciou uma viagem ao Túmulo de Auranguezebe para prestar homenagem a seu pai. Kam Bakhsh agradeceu-lhe em uma carta, “sem explicar nem justificar [suas ações]”.

Badur I chegou a Haiderabade em 28 de junho de 1708, onde soube que Kam Bakhsh havia atacado Machhlibandar para se apoderar de um tesouro no valor de mais de três milhões de rúpias escondido em seu forte. O “subadar” da província, Jan Sipar Cã, recusou-se a entregar o dinheiro. Furioso, Kam Bakhsh confiscou suas propriedades e ordenou o recrutamento de quatro mil soldados para o ataque. Em julho, a guarnição do Gulbarga declarou sua independência, e o comandante da guarnição, Daler Cã Bijapuri, “anunciou sua deserção de Kam Bakhsh”. Em 5 de novembro de 1708, o acampamento de Badur I chegou a Bidar, 108 quilômetros ao norte de Haiderabade. O historiador William Irvine escreveu que, à medida que seu “acampamento se aproximava, as deserções de Kam Bakhsh tornavam-se cada vez mais frequentes”. Em 1 de novembro, Kam Bakhsh capturou as propriedades de Pam Naik (zamindar, o proprietário de terras de Wakinkhera) depois que Naik abandonou seu exército.

Segundo Irvine, mais soldados de Kam Bakhsh desertaram à medida que o grupo do imperador se aproximava. Quando o general de Kam Bakhsh lhe disse que o fato de ele não ter pago seus soldados era a razão para a deserção, ele respondeu: “Para que preciso de alistá-los? Minha confiança está em Deus, e o que for melhor acontecerá.”

Pensando que Kam Bakhsh poderia fugir para a Pérsia, Badur I ordenou que seu primeiro-ministro, Zulficar Cã Nusrate Jungue, negociasse com Thomas Pitt, o governador da Presidência de Madras, para que lhe pagasse 200 mil rúpias pela captura de Kam Bakhsh. Em 20 de dezembro, foi relatado que Kam Bakhsh contava com uma cavalaria de 2 500 homens e uma infantaria de 5 mil.

Derrota e morte de Kam Bakhsh

Em 20 de dezembro de 1708, Badur I marchou em direção a Talab-i-Mir Jumla, nos arredores de Haiderabade, com “trezentos camelos, [e] vinte mil foguetes” para a guerra contra Kam Bakhsh. Seu filho, xá Jahandar, foi nomeado comandante da guarda avançada, mas mais tarde foi substituído por Cã Zaman. Badur I chegou a Haiderabade em 12 de janeiro de 1709 e preparou suas tropas. Embora Kam Bakhsh tivesse pouco dinheiro e poucos soldados restantes, o astrólogo real havia previsto que ele venceria a batalha “milagrosamente”.

Ao nascer do sol do dia seguinte, o exército mogol avançou contra Kam Bakhsh. Suas 15 mil tropas estavam divididas em dois grupos: um liderado por Mumin Cã, auxiliado por Rafi-ush-Shan e xá Jahan, e o segundo sob o comando de Zulficar Cã Nusrate Jungue. Duas horas depois, o acampamento de Kam Bakhsh estava cercado, e Zulficar Cã o atacou impacientemente com sua “pequena força”.

Com seus soldados em menor número e incapazes de resistir ao ataque, Kam Bakhsh juntou-se à batalha e disparou duas aljavas de flechas contra seus oponentes. Segundo Irvine, quando ele estava “enfraquecido pela perda de sangue”, Badur I fez com que ele e seu filho Bariquilá fossem feitos prisioneiros. Surgiu uma disputa entre Mumin Cã e Zulficar Cã Nusrate Jungue sobre quem os havia capturado, com Rafi-us-Shan decidindo a favor deste último. Kam Bakhsh foi levado de palanquim até o acampamento do imperador, onde morreu na manhã seguinte.

Anexações

Amber

Em sua marcha para Amber, Badur I visitou o túmulo de Salim Chishti

Após ascender ao trono, Badur I traçou planos para anexar os reinos rajaputes que haviam declarado independência após a morte de Auranguezebe. Em 10 de novembro, ele iniciou sua marcha rumo ao Reino de Amber, em Rajputana. Ele visitou o túmulo de Salim Chishti em Fatehpur Sikri em 21 de novembro. Enquanto isso, Mirabe Cã, assessor de Badur I, recebeu ordens para tomar posse de Jodhpur. Badur I chegou a Amber em 20 de janeiro de 1708. Embora o monarca do reino fosse Sawai Jai Singh, seu irmão Bijai Singh se opunha ao seu governo. Badur I determinou que, devido à disputa, a região passaria a fazer parte do Império Mogol, e a cidade foi renomeada como Islamabade. Os bens e propriedades de Jai Singh foram confiscados sob o pretexto de que ele havia apoiado o xá Azam, irmão de Badur I, durante a guerra de sucessão. Bijai Singh foi nomeado governador de Amber em 30 de abril de 1708. Badur I concedeu-lhe o título de “Mirza Rajá”, e ele recebeu presentes avaliados em 100 mil rúpias. Amber passou para as mãos dos mogóis sem guerra.

Jodhpur

Jaswant Singh, líder da dinastia Ratore, foi o Marajá do Reino de Marvar durante o reinado de Auranguezebe. Durante a guerra de sucessão após a morte do xá Jeã, ele apoiou o irmão mais velho de Auranguezebe, Dara Xucô. Após a derrota e execução de Dara Xucô por Auranguezebe, Jaswant Singh foi perdoado e nomeado governador de Cabul. Ele morreu em 18 de dezembro de 1678, sem filhos homens, mas com duas esposas grávidas.

Após o nascimento de Ajit Singh, filho de Rani Jadav Jaskumvar, Auranguezebe ordenou que ele fosse levado para Deli junto com as viúvas de Jaswant Singh. Auranguezebe pretendia anexar Marvar diretamente ao Império Mogol. O general rajapute Durgadas Rathore, que nutria ambições de retomar Jodhpur dos mogóis, travou uma guerra para impedir que Auranguezebe se apoderasse de Ajit Singh; ele atravessou Deli com seus homens e escoltou com sucesso o príncipe e as viúvas até Jodhpur. Após a morte de Auranguezebe, durante o breve reinado do xá Azam, Ajit Singh marchou para Jodhpur e libertou a cidade do domínio mogol.

Em Amber, Badur I anunciou sua intenção de marchar para Jodhpur quando Mirabe Cã derrotou Ajit Singh em Mairta, e chegou à cidade em 21 de fevereiro de 1708. Seus homens foram enviados para trazer Ajit Singh à cidade para uma audiência, onde Ajit Singh recebeu “vestes especiais de honra” e um lenço adornado com joias. Badur I seguiu então em direção a Ajmer e chegou à cidade em 24 de março, quando visitou o Mu'in al-Din Chishti.

Udaipur

O Reino de Mevar, sob o comando de Maharana Amar Singh I, havia se submetido ao domínio mogol em 1615, durante o reinado de Jahangir. No entanto, a dinastia Sisodia declarou sua independência após a morte de Auranguezebe, em 1707.

Enquanto estava em Jodhpur, Badur I recebeu a notícia de que o Maharana Amar Singh II havia fugido de Udaipur para se esconder nas montanhas. Seus mensageiros lhe transmitiram que Amar Singh havia ficado “com medo” dos acontecimentos em Amber e Jodhpur e achava que seu reino também seria anexado pelos mogóis mais uma vez. Segundo a crônica “Badur xá Nama”, devido a esse incidente, o imperador chamou Amar Singh de “incrédulo”. Badur I travou guerra contra o rei até que a insurgência de Maomé Kam Bakhsh o desviou para o sul.

Rebelião dos rajaputes

Enquanto o imperador se dirigia ao Decão para punir Maomé Kam Bakhsh, os três rajás rajaputes de Amber, Udaipur e Jodhpur organizaram uma resistência conjunta contra os mogóis. Os rajaputes primeiro expulsaram os comandantes mogóis de Jodhpur e Hindaun-Bayana e recuperaram Amber por meio de um ataque noturno. Em seguida, mataram Saíde Hussain Cã Barha, o comandante de Mevate, e muitos outros oficiais (setembro de 1708). O imperador, que na época se encontrava no Decão, teve que negociar uma trégua, reintegrando Ajit Singh e Jai Singh ao serviço mogol.

Rebelião sique

Badur I em uma expedição contra os siques

Guru Gobind Singh iniciou negociações com Auranguezebe em 1705 e partiu para o Decão em 1706 para encontrá-lo pessoalmente quando este concordou com a conciliação. No entanto, Auranguezebe morreu antes que ele pudesse chegar até ele, e Guru Gobind Singh decidiu encontrar-se com Badur I em seu lugar. O guru chegou a Agra em julho de 1707 e foi homenageado pelo imperador. Guru Gobind Singh acompanhou Badur I quando este partiu para uma campanha no Rajastão em novembro de 1707 e permaneceu no acampamento imperial por dez meses, antes de acompanhá-lo ao Decão na esperança de que ele logo se ocupasse dos assuntos do Panjabe. Guru Gobind Singh, no entanto, morreu em outubro de 1708, enquanto o imperador viajava para Haiderabade. Ele havia partido para Nandede alguns meses antes de sua morte, tendo ficado desiludido com Badur I, e disse a Banda Singh Bahadur para preparar o Khalsa para uma revolta.

Badur I, ao tomar conhecimento da revolta liderada por Banda Bahadur no Panjabe apenas um ano após a morte de Guru Gobind Singh, partiu do Decão rumo ao norte. Os siques começaram a avançar cautelosamente em direção a Deli e entraram no sarkar em Canda, onde iniciaram os preparativos para uma campanha militar. Eles invadiram Sonipat e Samana em novembro de 1709 e derrotaram o faujdar na Batalha de Sonipat e na Batalha de Samana, saqueando a cidade. Antes de tomar Sirinda na Batalha de Chappar Chiri, Banda Bahadur capturou Shahbad, Sadaura e Banur. Antes da chegada de Badur I, em dezembro, Banda Bahadur já havia capturado o sarkar de Sirhind, vários parganas do sarkar de Hisar e invadido o sarkar de Saharanpur.

Após a vitória em Sirhind, os siques voltaram-se para o Doab do Ganges. Com o surgimento de distúrbios em um pargana de Deoband e com os siques convertidos reclamando de prisão e perseguição por parte do faujdar Jalal Cã Orakzai, Banda Bahadur marchou sobre Saharanpur a caminho de Jalalabade. O faujdar de Saharanpur, Ali Hamid Cã, fugiu para Deli, enquanto os siques derrotaram os defensores e tomaram a cidade. Em seguida, atacaram Behat, cujos pirzadas proprietários de mausoléus e santuários sufis em terras muçulmanas) eram notórios por atos anti-hindus, especialmente o abate de vacas. A cidade foi saqueada e os pirzadas mortos. Os siques marcharam então para Jalalabade, e Banda pediu a Jalal Cã Orakzai que se rendesse e libertasse os prisioneiros siques, mas o faujdar recusou. Eles chegaram a Nanauta em 21 de julho de 1710 e derrotaram os xeiquezadas locais, que haviam oferecido uma defesa valente, mas acabaram se rendendo às forças superiores de Banda Bahadur. Os siques então cercaram Jalalabade, mas recuaram para a região de Doaba devido às enchentes no rio Krishna.

Os siques tentaram expulsar os mogóis das regiões de Jalandhar e Amritsar. Eles exortaram Shamas Cã, o faujdar de Jalandhar, a implementar reformas e entregar o tesouro. Shamas Cã fingiu submissão e, posteriormente, passou a atacá-los. Ele apelou aos muçulmanos em nome da religião e declarou uma jihad contra os siques. Os siques, em menor número, recuaram para Rahon e capturaram seu forte após derrotar os mogóis na Batalha de Rahon, em 12 de outubro de 1710. Em Amritsar, cerca de 8 mil siques se reuniram e capturaram Majha e Riarki, na região central do Panjabe. Eles também atacaram Laore, onde os mulás declararam uma jihad contra eles, sem que o governador enfrentasse os siques. Os gazis foram derrotados pelos siques.

Os siques utilizaram seu poder recém-consolidado para destituir os funcionários mogóis e substituí-los por siques. Banda estabeleceu sua capital em Lohgarh, onde fundou uma casa da moeda. Ele aboliu o sistema mogol de zamindari e concedeu aos agricultores autopropriedade de suas terras.

Esforços de repressão

BadurI com seus quatro filhos, no sentido horário: Azim-ush-Shan, Jahandar, Jahan e Rafi-ush-Shan

Badur I assinou tratados de paz com Ajit Singh, de Jodhpur, e Man Singh, de Amber, antes de se voltar para combater Banda Bahadur. Ele também ordenou que o nababo de Oude, Assafe Adaulá, o governador provincial Cã-i-Durrani, o faujdar de Moradabade o faujdar Maomé Amin Cã Chin, o subadar de Deli, Açade Cã, e o faujdar de Jammu, Vazide Cã, a acompanhá-lo na batalha.

Badur I partiu de Ajmer rumo ao Panjabe em 17 de junho de 1710, mobilizando grupos que se opunham a Banda Bahadur ao longo do caminho. Ao tomar conhecimento dos planos de Badur I, Banda Bahadur apelou, sem sucesso, a Ajit Singh e Man Singh em busca de ajuda. Enquanto isso, Bahadur Shah havia retomado Sonipat, Kaithal e Panipate ao longo do caminho. Em outubro, seu comandante cãzada Navabe Feroz Cã escreveu-lhe dizendo que havia “decapitado trezentos rebeldes”; Cã enviou as cabeças ao imperador, que as exibiu empaladas em lanças.

Em 1 de novembro de 1710, o imperador chegou à cidade de Karnal, onde o cartógrafo mogol Rustam Dil Cã lhe entregou um mapa de Thanesar e Sirhind. Seis dias depois, um pequeno grupo de siques foi derrotado em Mevati e Bansval. A cidade de Sirhind caiu nas mãos dos mogóis em 7 de dezembro; o general Maomé Amin Cã Turani, que liderava o cerco, presenteou o imperador com um chaveiro de ouro em comemoração à vitória. Após não conseguir recapturar Sadaura, Badur I marchou em direção a Lohgarh, onde Banda Bahadur se encontrava. Em 30 de novembro, ele atacou o forte de Lohgarh, capturando três canhões, armas de fogo de pólvora e três trincheiras dos rebeldes. Com pouca munição restante, Banda Bahadur e “algumas centenas de seus seguidores fugiram”. Seu seguidor, Gulab Singh (que estava “vestido como” Badur), entrou na batalha e foi morto. O imperador emitiu ordens aos governantes de Kumaon e Serinagar para que, caso Badur tentasse entrar em suas províncias, ele fosse “enviado ao imperador”.

Suspeitando que Banda Bahadur fosse aliado de Bhup Prakash, o rei de Nahan, o imperador mandou prender Bhup Prakash em janeiro de 1711; sua mãe implorou em vão por sua libertação. Depois que ela lhe enviou seguidores capturados de Badur I, ele ordenou que “adornos no valor de 100 mil rúpias fossem confeccionados” para ela, e Prakash foi libertado um mês depois. Shukan Cã Bahadur e Himmet Diler Cã foram enviados a Laore para pôr fim à rebelião de Banda Bahadur, e sua tentativa malsucedida foi reforçada por uma guarnição de cinco mil soldados. Badur I também pressionou Rustam Dil Cã e Maomé Amin Cã a se unirem a eles.

Banda Bahadur estava em Alhalab, a 11 quilômetros de Laore. Quando trabalhadores mogóis chegaram para reparar uma ponte na aldeia, seus seguidores os desinformaram dizendo que ele se preparava para atacar Deli passando por Ajmer. Banda Bahadur recebeu soldados do governante da aldeia, Ram Chand, para sua marcha contra os mogóis, e sitiou Fatehabade em abril de 1711. Depois de saber, pelo mensageiro Rustan Jungue, que ele havia cruzado o rio Rauí, o imperador atacou com artilharia liderada por Isa Cã. Na batalha de julho, Banda Bahadur foi derrotado e fugiu para as colinas de Jammu. Forças lideradas por Isa Cã Main e Maomé Amin Cã o perseguiram, mas não conseguiram capturá-lo. O imperador emitiu um édito aos zamindars (proprietários de terras) de Jammu para que capturassem o sique, se possível.

Banda Bahadur foi atacado por Maomé Amin Cã no rio Sutle, fugindo para as colinas de Garhwal. Considerando-o “invencível”, o imperador procurou Ajit Singh e Jai Singh em busca de ajuda. Em outubro de 1711, uma força conjunta mogol-rajapute marchou em direção a Sadaura. Banda Bahadur escapou do cerco que se seguiu, refugiando-se desta vez em Kulu, no atual Himachal Pradexe.

Controvérsia da khutba

Após ascender ao trono, o imperador Badur I converteu-se ao islamismo xiita e alterou a oração pública (ou khutba) dedicada ao monarca, recitada todas as sextas-feiras, atribuindo o título de wasi a Ali, o quarto califa e o primeiro imame xiita. Por causa disso, os cidadãos de Laore passaram a se ressentir de recitar a khutba.

Para resolver o problema, Badur I foi a Laore em setembro de 1711 e manteve discussões com Haji Yar Maomé, Maomé Murad e “outros homens renomados”. Na reunião, ele leu “livros de autoridade” para justificar o uso da palavra wasi. Ele teve uma discussão acalorada com Yar Maomé, afirmando que o martírio pelas mãos de um rei era a única coisa que desejava. Yar Maomé (apoiado pelo filho do imperador, Azim-ush-Shan) recrutou tropas contra Badur I, mas nenhuma guerra foi travada. Ele responsabilizou o khatib (recitador-chefe) da Mesquita Badshahi pelo ocorrido e mandou prendê-lo. Em 2 de outubro, embora o exército estivesse posicionado na mesquita, foi lida a antiga khutba (que não se referia a Ali como wasi).

Moti Masjid, local de sepultamento de Badur I

Morte

Segundo o historiador William Irvine, o imperador estava em Laore em janeiro de 1712 quando sua “saúde se deteriorou”. Em 24 de fevereiro, ele fez sua última aparição pública, e morreu durante a noite de 27 para 28 de fevereiro; segundo o nobre mogol Kamwar Cã, devido a um “aumento do baço”. Em 11 de abril, seu corpo foi enviado para Deli sob a supervisão de sua viúva, Mihr-Parwar, e de Assafe Já I. Ele foi sepultado em 15 de maio no pátio da Moti Masjid (Mesquita de Pérola) em Mehrauli, que ele construíra próximo ao darga de Qutbuddin Bakhtiar Kaki.

Seu sucessor foi seu filho Jahandar, que governou até 1713.

Moedas

O imperador Badur I emitiu moedas de ouro, prata e cobre, embora as moedas de seus antecessores também fossem utilizadas para pagar funcionários públicos e no comércio. As moedas de cobre do reinado de Auranguezebe foram cunhadas novamente com o nome dele. Ao contrário dos outros imperadores mogóis, suas moedas não usavam seu nome em um dístico; o poeta Danishmand Cã compôs dois versos para as moedas, mas eles não foram aprovados.


Vida pessoal

Nome, títulos e linhagem

A linhagem de Badur I; representa todos os seus descendentes, sejam eles provenientes de tradições escritas ou orais.

Seu nome completo, incluindo seus títulos, era “Abul Saíde Cutebe Naceradim Maomé Xá Alã Xá badur Badexá”. Após sua morte, historiadores contemporâneos passaram a chamá-lo de “Culde-Manzil” (Partiu para o Paraíso). Ele foi o único imperador mogol a possuir o título saíde, usado pelos descendentes do profeta islâmico Maomé. Segundo William Irvine, seu avô materno era o Rajá Tajuddin Cã Jarral (cuja filha, Nauabe Bai, casou-se com Auranguezebe).

Filhos

NomeNascidoMortoMãeFilhos
Jahandar16611713Nizam BaiAlamgir II, Izadim, Azadim
Azadim1664na infânciaNizam BaiNenhum
Azim-ush-Shan16651712Filha de Rup Singh Rathore de KishangarhMaomé Carim, Farrukhsiyar, Humaium Baquete, Rul Cudes, Açaulá
Daulat-Afza16701689Filha de Rup Singh Rathore de KishangarhNenhum
Rafi-ush-Shan16711712Begum Nur-un-NissaJahan II, Rafi ud-Darajat, Maomé Ibraim
Jahan I16741712-Farcunda Aquetar, Maomé Xá
Maomé Humayun1678na infância-Nenhum
Dahr Afruz Banu Begum16631703-Nenhum

Fonte: Irvine, pp. 143–144

Referências

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Bibliografia

Ligações externas

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Badur I
Nascimento: 14 de outubro de 1643 Morte: 27 de fevereiro de 1712
Precedido por
Auranguezebe
Imperador Mogol
1707–1712
Sucedido por
Jahandar