Baxal

Abu Alhaçane Aslame ibne Sale ibne Salme Arrazaz Aluaciti (em árabe: أبو الحسن أسلم بن سهل بن سلم الرزاز الواسطي; romaniz.: Abū al-Ḥasan Aslam ibn Sahl ibn Salm al-Razzāz al-Wāsiṭī; m. 904/5), conhecido como Baxal (em árabe: بحشل; romaniz.: Baḥshal), foi um historiador e transmissor de hádices muçulmano do século IX, associado à cidade de Uacite, no Iraque. Também conhecido pelo apelido de Arrazaz, relacionado ao comércio de arroz, destacou-se pelo conhecimento das tradições islâmicas e pela reputação de transmissor confiável. Sua principal obra é o Tārīkh Wāsiṭ (História de Uacite), uma das primeiras compilações historiográficas dedicadas à cidade e a seus estudiosos. Preservado em um manuscrito incompleto, o livro reúne informações sobre a história local e biografias de estudiosos religiosos e transmissores de hádices, organizadas cronologicamente por gerações (ṭabaqāt). A obra constitui uma fonte importante para o estudo da transmissão de tradições islâmicas e das redes intelectuais do Iraque nos primeiros séculos do Islã.

Biografia

Baxal, cujo nome completo era Abu Alhaçane Aslame ibne Sale ibne Salme Arrazaz Aluaciti, foi um historiador e transmissor de hádices muçulmano, falecido em 292 A.H. (904–905). Pouco se sabe sobre sua vida, incluindo seu nascimento e sua formação inicial. Era associado à cidade de Uacite, no Iraque, e recebeu o apelido de Arrazaz (al-Razzāz), relacionado ao comércio de arroz. Segundo uma tradição, teria exercido essa atividade, enquanto outra afirma que residia no bairro dos comerciantes de arroz (Razzāzīn). A origem de seu outro apelido, Baxal, cujo significado é apresentado como «negro» pela tradição biográfica, permanece desconhecida. Entre seus professores estavam seu avô materno, o transmissor de hádices Uabe ibne Baquia, além de Maomé ibne Abane Aluaciti e Maomé ibne Sabá Aljarjarai. Estudou e transmitiu tradições desses estudiosos, adquirindo reputação como especialista em hádices. As fontes biográficas descrevem-no como um transmissor de memória excepcional, digno de confiança e respeitado por seus contemporâneos.

Obras

A principal obra de Baxal é o Tārīkh Wāsiṭ (História de Uacite), dedicado à história da cidade e de seus estudiosos. O texto chegou à atualidade em um manuscrito incompleto, conservado no Cairo e datado de 888 A.H. (1483). Segundo Franz Rosenthal, a obra apresenta considerável valor histórico, especialmente por preservar informações sobre a história intelectual e religiosa de Uacite e suas relações com outras regiões do mundo islâmico. O livro começa com uma breve exposição sobre a história inicial de Uacite e seus arredores, mas concentra-se principalmente nas biografias de estudiosos religiosos e transmissores de hádices associados à cidade. Essas biografias são organizadas cronologicamente, segundo gerações ou classes de estudiosos (ṭabaqāt), e acompanhadas de informações sobre as tradições transmitidas por cada personagem. A primeira classe é formada pelos companheiros de Maomé que estiveram em Uacite, seguindo-se as gerações posteriores de estudiosos.

Rosenthal observa que a organização das biografias segundo classes representa uma etapa relativamente antiga do desenvolvimento da historiografia islâmica. A obra utiliza critérios que posteriormente se tornariam característicos de trabalhos biográficos mais elaborados. Em geral, as informações são dispostas conforme o nome do estudioso, seus mestres e discípulos e, ocasionalmente, uma ou mais tradições transmitidas por ele. Uma característica importante do Tārīkh Wāsiṭ é a atenção dedicada às relações entre os estudiosos de Uacite e os de outras cidades. Essas conexões são frequentemente documentadas por cadeias ininterruptas de transmissores (isnād), que permitem acompanhar a circulação das tradições religiosas. A obra constitui, assim, uma fonte relevante para o estudo das redes de transmissão de hádices e da formação das comunidades eruditas do Iraque nos primeiros séculos islâmicos. Segundo Abdülkerim Özaydın, o valor do livro reside particularmente nas informações que fornece para a avaliação da confiabilidade dos transmissores de hádices. Ao identificar os estudiosos, classificá-los por gerações e registrar suas tradições, Baxal preservou dados utilizados na crítica dos transmissores (jarḥ wa-taʿdīl). O Tārīkh Wāsiṭ recebeu uma edição preparada por Kūrkīs ʿAwwād, publicada em Baguedade em 1967 e posteriormente em Beirute, em 1986.

Referências

  1. 1 2 3 Özaydın 1991, p. 520.
  2. 1 2 Rosenthal 1986, p. 949.

Bibliografia