
Yahya ben Ta'fuft, melhor conhecido em português como Bentafufa, foi um líder militar berbere que se destacou como "alcaide dos mouros de pazes da Duquela" e um dos principais aliados dos portugueses em Marrocos no início do séc. XVI.
Juntamente com Nuno Fernandes de Ataíde, Bentafufa foi um dos principais criadores de um grande protectorado português no sul de Marrocos, que inicialmente abrangia as terras Garabia e Abida mas, com a conquista de Azamor pelos portugueses, em 1513, passou a incluir também as terras de Xerquia, portanto toda a região da Duquela. Durante oito anos e por nomeação régia, Bentafufa cumpriu a função de alcaide dos mouros de pazes, líder militar e representante dos povos sob a suzerania portuguesa em Marrocos. A sua carreira ficou marcada sobretudo por campanhas militares ao lado dos portugueses e por missões politico-diplomáticas aos senhores locais.
Nada se sabe da sua vida até 1506, data em que se envolve nos conflitos políticos internos da cidade de Safim, que levarão à sua conquista pelos portugueses dois anos mais tarde. O porto de Safim era uma das principais escápulas do trigo colhido no sul de Marrocos, em Duquela e Enxovia. À medida que os portugueses avançaram para sul ao longo da costa africana, a cidade revelou-se também uma importante fonte de artigos para a troca por escravos e ouro na Guiné.
Em Agosto de 1508, Diogo de Azambuja chegou a Safim na Armada do Estreito, cujo capitão-mor, Garcia de Melo, fazia-se doente e ia a terra consultar um médico judeu, que também lhe servia de correio: ao alcaide de Safim, Aliadux, informava que Bentafufa o queria matar e a Bentafufa informava que esse era o objectivo de Aliadux. A tensão na cidade levou os moradores a pedir protecção aos portugueses, que desembarcaram, ocuparam algumas casas junto à beira-mar e iniciaram a construção de uma fortaleza. Sitiada a fortaleza, Diogo de Azambuja à cabeça dos soldados dispersou os atacantes e tomou posse da cidade. A acção de Azambuja, porém, levou ao abandono de Safim por parte dos seus residentes árabes e berberes e ao receio dos habitantes do campo em deslocarem-se à cidade.

Deslocou-se a Portugal duas vezes: primeiro em 1507, tendo ficado até 1510 ou 1511 e depois em 1514 a 1516. Ambas sob suspeita de traição, tendo regressado ilibado e com poderes reforçados pelo rei D. Manuel I.
A sua acção ficou registada por cronistas tão variados quanto Damião de Góis, Diego de Torres, Leão Africano e Luís del Mármol Carvajal. Leão Africano era um profundo conhecedor da realidade magrebina e conheceu-o pessoalmente durante as suas viagens como embaixador dos sultões oatácidas de Fez, em missões junto dos portugueses. Damião de Góis também se debruçou aprofundadamente sobre a sua carreira.
Enquanto alcaide dos mouros de pazes, Bentafufa antipatizou-se com Nuno Fernandes de Ataíde, que o acusa de exceder as suas competências, nomeando, sem consultar Ataíde, alcaides, almocadéns, fixando o tributo das tribos e de se auto-entitular de "rei". Em 1514, Ataíde enviou-o para Portugal sob acusações várias, entre elas o assassínio do judeu Dardeiro, intérprete de Safim, e da revolta de algumas tribos aquando da conquista de Azamor. Ficaria em Portugal até 1516, ficando no seu lugar o seu sobrinho Said. Durante estes dois anos os portugueses fizeram grandes avanços em Marrocos, chegando até o emir de Marraquexe, Mulei Nacer, o Hintata, a discutir uma vassalagem a Portugal, mas as negociações falharam.
Após a morte em combate de Nuno Fernandes de Ataíde, Bentafufa regressou novamente a Safim a 21 de Julho de 1516, na companhia do novo capitão da cidade, D. Nuno Mascarenhas, sendo bem recebido pelos seus amigos. Vinha nomeado por D. Manuel como alcaide da Duquela, com direito a um quinto dos cavalos capturados, e poderes para recolher tributo e administrar justiça entre as populações enquanto xeque. O rei concedeu-lhe uma guarda de cem lanceiros mouros e uma tença anual de trezentas onças de prata. Assumiu-se então como verdadeiro senhor do campo. Foi, porém, alvo de constante crítica e difamação por adversários muçulmanos, portugueses e judeus, habitantes da região. Terá dito que:
Os mouros dizem que sou cristão, e os Cristãos dizem que sou mouro, e assim estou em balanças sem saber o que hei de fazer de mim, senão o que Deus quiser, e quem boa correição tiver Alá o salvará.
Foi assassinado a 16 de Fevereiro de 1518, aquando de uma visita ao xeque da tribo dos Abida.