| Carrapato-do-boi | |||||||||||||||||
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
Rhipicephalus microplus ( , ) | |||||||||||||||||
O carrapato-de-boi ou carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus - antigamente denominado Boophilus microplus) é um carrapato da família dos ixodídeos, de ampla ocorrência na América do Sul. O Rhipicephalus microplus é o mais importante ectoparasita dos rebanhos bovinos e está presente em todas as áreas tropicais e subtropicais entre os paralelos 32° N e 32° S, abrangendo regiões que se dedicam à pecuária nas Américas, na África, Ásia e Austrália. As perdas econômicas causadas pelo R. microplus são estimadas em quase 2 bilhões de dólares no Brasil, quando contabilizadas a queda na produção de leite e carne, a mortalidade, a redução da natalidade e os gastos no controle do parasita.
R. microplus é um ectoparasita hematófago que possui uma alta capacidade de dispersão e adaptação. Além disso, é um parasita monóxeno, ou seja, utiliza um único hospedeiro durante seu ciclo de vida, tendo como hospedeiros naturais os bovinos. Entretanto, em certos casos, como de intensa carga parasitaria, podem parasitar outras espécies como equinos, cães, ovinos, caprinos, búfalos, cervídeos e até mesmo o homem. O estágio de vida é dividido quatro: ovo, larva, ninfa e adulto. As larvas são caracterizadas por possuírem três pares de patas, já as ninfas possuem quatro pares de patas, porém não possuem órgão genital, enquanto o estágio adulto é caracterizado também pela presença dos quatro pares de patas e do órgão genital.
O ciclo de vida do carrapato-do-boi é dividido em duas fases: a fase parasitária e a fase de vida livre. A fase parasitária inicia com a fixação da larva no hospedeiro até atingir o estágio adulto, especificamente com o desprendimento das teleóginas (carrapato fêmea que ingere grande volume de sangue após o acasalamento). A partir deste momento inicia a fase de vida livre, onde a teleógina ao atingir o solo busca por locais que apresentem sombra, umidade e baixa temperatura, como embaixo de folhas, para realizar a postura dos ovos, podendo botar cerca de 3.000 ovos. Após esse processo a fêmea morre e em cerca de 14 dias começa a eclosão das larvas, reiniciado o ciclo.
O macho dessa espécie apresenta um par de placas de pontas agudas no ânus, possuem tamanho menor em relação as fêmeas e apresentam escudo dorsal completo, enquanto as fêmeas possuem escudo incompleto. Permanecem no hospedeiro por períodos maiores, se alimentam de forma discreta e sua principal função é a cópula, podendo fecundar diversas fêmeas enquanto se desloca pelo corpo do animal, contribuindo para o prolongamento da infestação.
As infestações do carrapato-do-boi levam a perdas diárias de sangue e geram estresse aos animais, afetando diretamente o bem estar animal, induzem a redução da eficiência alimentar levando a perca de peso, causam lesões no couro, anemia, comprometem o sistema imunológico, e consequentemente queda da produção de carne e leite. Além disso, esses carrapatos são vetores de protozoários e bactérias, como os protozoários do gênero Babesia spp., principalmente as espécies Babesia bovis e Babesia bigemina, mais recorrentes no Brasil, e bactérias da espécie Anaplasma marginale, que associada a esses protozoários causam a Tristeza Parasitária Bovina. Outros patógenos de importância veterinária transmitido por esses ectoparasitas são bactérias do gênero Borrelia spp., e do gênero Rickettsia spp., agentes da Febre Maculosa.
Por muitos anos, o R. microplus foi considerado uma única espécie. Entretanto, novos estudos levaram à reclassificação em duas espécies distintas: R. microplus e R. australis. Devido a grande semelhança entre R. microplus e R. australis, reconhecer a diferença foi uma tarefa complexa, mas que permitiram uma caracterização mais precisa dessas espécies crípticas. Evidências obtidas por meio da análise de características morfológicas, da ausência de co-especificidade, de marcadores de microssatélites, do DNA ribossomal mitocondrial 12S e 16S, bem como do genoma mitocondrial, levaram a reclassificação nas duas espécies. Nesse contexto, populações presentes em diversas regiões, como Austrália, Camboja, Nova Caledônia, Bornéu, Filipinas, Nova Guiné, Indonésia e Taiti, foram renomeadas como R. australis. O mais importante é que a compreensão mais aprofundada sobre a biologia e a distribuição das duas espécies pode proporcionar avanços nas estratégias de controle desses carrapatos.
Em relação ao controle desses carrapatos, Apesar da existência de outras formas de controle, atualmente, o principal método é realizado com o uso de carrapaticidas comerciais de diferentes bases químicas. Baseado no ciclo biológico do parasita, a maioria desses produtos atuam como neurotoxinas, danificando o sistema nervoso dos carrapatos ou impedem o carrapato atingir o estado de teleógina, não permitindo a sua queda no solo, evitando a geração de larvas que vão infestar o ambiente. Já os métodos de controle biológico incluem a seleção de raças menos sensíveis ao carrapato, o cultivo de pastagens que dificultam a sobrevivência das fases de vida livre, a ação de predadores naturais, o manejo do rebanho e a rotação de pastagens. Para o sucesso do controle do parasita é necessário levar em consideração fatores como a raça do animal, a época do ano e as medidas profiláticas adotadas no ambiente.
Entretanto, devido ao alto custo do controle disponíveis atualmente, a crescente resistência aos acaricidas devido ao uso incorreto desses, a procura de novas formas de controle é uma grande preocupação em todo o mundo. Entre métodos alternativos para o controle, a vacinação é proposta como uma estratégia segura e sustentável para superar problemas relacionados à infestação de carrapatos e à transmissão de doenças . No entanto, o progresso no desenvolvimento de vacinas dessas vacinas tem sido lento e irregular e, atualmente, poucas vacinas contra carrapatos foram desenvolvidas e testadas experimentalmente, e apenas duas entraram no mercado comercial, em apenas algumas regiões do mundo.