'Boris Vasilievich Anrep (em russo: Борис Васильевич Анреп; São Petersburgo, 27 de setembro de 1883 – Londres, 7 de junho de 1969) foi um artista russo radicado no Reino Unido, notabilizado por sua atuação como mosaicista. É amplamente reconhecido por seus mosaicos monumentais em instituições como a National Gallery de Londres, a Catedral de Westminster e o Banco da Inglaterra, sendo considerado um dos principais responsáveis pela revitalização da arte do mosaico no Reino Unido no século XX.
Associado ao Grupo de Bloomsbury, Anrep integrou o ambiente intelectual britânico do início do século XX. Na Rússia, é também lembrado por sua ligação com a Era de Prata da poesia russa, em particular por sua relação com a poeta Anna Akhmatova.
Boris Anrep nasceu em São Petersburgo, em uma família aristocrática de origem germânica e escandinava. Seu pai, Vassily Konstantinovich von Anrep, era professor de medicina legal e ocupava cargos de relevância na administração imperial russa.
Entre 1899 e 1901, estudou em Kharkov, onde conheceu o crítico Nikolai Nedobrovo. Em 1902, ingressou na Escola Imperial de Jurisprudência de São Petersburgo, formando-se em 1905.
Após contato com o pintor Dmitri Stelletsky, passou a dedicar-se às artes. Em 1908, mudou-se para Paris, onde estudou na Académie Julian e em outras academias independentes. Posteriormente, frequentou o Edinburgh College of Art entre 1910 e 1911.
Durante sua formação artística, Anrep estabeleceu relações com artistas e intelectuais britânicos, incluindo membros do Grupo de Bloomsbury, como Virginia Woolf, Lytton Strachey, John Maynard Keynes e Roger Fry.
Em 1912, participou da organização da Segunda Exposição Pós-Impressionista em Londres, sendo responsável pela seção russa.
Além das artes visuais, Anrep produziu poesia em russo e inglês, influenciado por autores como William Blake e Percy Bysshe Shelley.
Anrep manteve uma relação próxima com a poeta Anna Akhmatova a partir de 1914. Embora descrita por ele como amizade, a relação teve impacto significativo na obra da poeta, que lhe dedicou diversos poemas.
O último encontro entre ambos ocorreu em Paris, em 1965.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Anrep serviu como oficial do exército russo. Em 1917, foi enviado a Londres como secretário militar do Comitê do Governo Russo, permanecendo no Reino Unido após a Revolução Russa de 1917.
A decisão de trabalhar com mosaicos foi influenciada por visitas a Ravena, onde Anrep entrou em contato com a arte bizantina.
Entre 1928 e 1952, Anrep produziu um conjunto de mosaicos para a escadaria principal da National Gallery:
Essas obras constituem um ciclo alegórico sobre a vida humana e incluem retratos de figuras contemporâneas, como Winston Churchill, T. S. Eliot e Bertrand Russell. Os mosaicos são frequentemente interpretados como uma síntese entre tradição clássica e cultura moderna do século XX.
A obra de Anrep caracteriza-se pela forte influência da arte bizantina, pelo uso de tesselas douradas e pela integração entre arquitetura e narrativa visual. Suas composições apresentam caráter simbólico e frequentemente incorporam figuras contemporâneas em contextos alegóricos, estabelecendo uma relação entre tradição religiosa e modernidade cultural.
Além de sua produção em mosaico, Anrep atuou como poeta, pintor, ilustrador e ensaísta.
Entre suas obras literárias destacam-se:
Boris Anrep é considerado um dos principais responsáveis pela revitalização da arte do mosaico no Reino Unido no século XX.
Sua obra estabelece uma ligação entre a tradição bizantina e a modernidade europeia, além de refletir a interseção entre arte, literatura e vida intelectual no contexto do início do século XX.