Prato servido em um brunch. | |
| Categoria | Refeição |
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Brunch é uma refeição feita no fim da manhã, que combina um café da manhã tardio com um almoço antecipado. A refeição ocupa, em geral, o intervalo entre o horário habitual do café da manhã e o do almoço, embora restaurantes e outros estabelecimentos também sirvam pratos de brunch em horários diferentes. O termo inglês é uma palavra-valise formada pela junção de breakfast (café da manhã) e lunch (almoço).
A palavra foi empregada pelo escritor britânico Guy Beringer no artigo "Brunch: A Plea", publicado em 1895 na revista Hunter's Weekly. Nele, Beringer propôs uma refeição dominical mais descontraída, que favorecesse a conversa e substituísse as refeições tradicionais de domingo. Nos Estados Unidos, o costume se difundiu no começo do século XX. Restaurantes de Nova Orleães já ofereciam refeições desse tipo no fim da década de 1890, e o brunch passou a fazer parte dos hábitos gastronômicos das classes mais abastadas de Nova Iorque no início da década de 1920. Embora o nome tenha surgido no mundo anglo-americano, há costumes alimentares semelhantes em outras regiões, como o dim sum da cozinha cantonesa.
Os pratos variam conforme o país e os costumes locais. Nos Estados Unidos, são comuns preparações mais substanciosas, como ovos Benedict e frango frito com waffles, acompanhadas, por vezes, de coquetéis à base de suco, como o Bloody Mary e a mimosa. Em outras versões, o cardápio pode reunir ovos mexidos, bacon, panquecas, geleias, frutas, saladas, pães, croissants, bolos, queijos, frios, sucos, chá e café.
O suplemento de 1896 do Oxford English Dictionary cita a revista britânica Punch, que situou a criação do termo na Grã-Bretanha, em 1895. O nome designava uma refeição de domingo destinada a quem havia participado das festas da noite de sábado. A proposta apareceu no texto "Brunch: A Plea", de Guy Beringer, publicado na Hunter's Weekly.
Beringer queria substituir o jantar servido cedo aos domingos na Inglaterra, geralmente depois dos serviços religiosos e composto de carnes e tortas salgadas, por uma refeição por volta do meio-dia. O cardápio começaria com chá ou café, geleia e outros alimentos típicos do café da manhã, passando depois a pratos mais pesados. Assim, quem tivesse saído na noite anterior não precisaria acordar cedo. Ao recuperar a proposta de Beringer, o jornalista William Grimes também destacou seu argumento de que a nova refeição estimularia a conversa, melhoraria o humor dos participantes e aliviaria as preocupações da semana.
O brunch, pelo contrário, é alegre, sociável e estimulante. Incentiva a conversa. Deixa você de bom humor, satisfeito consigo mesmo e com os outros, e afasta as preocupações e as teias de aranha da semana.
Guy Beringer, em "Brunch: A Plea" (1895).
No sul dos Estados Unidos, o brunch se desenvolveu como uma refeição elaborada, servida em restaurantes. Em Nova Orleães, essa forma de serviço já existia no fim da década de 1890. Elizabeth Begué, imigrante alemã estabelecida na cidade, é apontada como pioneira por oferecer um "segundo café da manhã" em seu restaurante, o Begué's. As refeições tinham de seis a sete etapas, duravam horas e eram acompanhadas de champanhe e café com chicória. A Exposição Mundial realizada na cidade em 1884 havia atraído turistas e dado projeção nacional ao estabelecimento. Outros restaurantes de Nova Orleães passaram a oferecer brunch, entre eles o Brennan's, o Antoine's e o Café du Monde.
Entre 1920 e 1950, a refeição se difundiu entre as classes altas de Nova Iorque. Em 1939, o The New York Times publicou uma reportagem de domingo dedicada ao assunto, observando que a palavra brunch ainda era usada sobretudo para refeições feitas em casa. Restaurantes de Manhattan que serviam cardápios semelhantes preferiam nomes como bracer breakfast e hunt breakfast. Alguns organizavam o serviço em torno de temas ou acompanhavam a refeição com atrações musicais.
No Hotel Lombardy, durante o chamado hunt lunch, os garçons usavam casacos cor-de-rosa semelhantes aos empregados em caçadas inglesas. No restaurante Madison, o brunch de domingo tinha música ao vivo e dança. Os cardápios apresentavam pratos salgados substanciosos, como vitela com rins salteados ao estilo caçador no Lombardy, rins de cordeiro e salsichas turbigo no Madison, frutos do mar fritos, preparações de frango e de carne bovina em conserva com batatas, além de feijão assado à moda de Boston. Também havia pães, doces de padaria, ovos, sucos e café. Coquetéis eram servidos onde a legislação permitia. Em Nova Iorque, as normas sobre bebidas alcoólicas impediam os restaurantes de vendê-las antes das 13h, e muitos serviços de brunch começavam por volta desse horário.
O brunch na forma difundida internacionalmente surgiu entre as elites urbanas britânicas e norte-americanas no fim do século XIX e foi adaptado aos horários e alimentos de cada lugar. Há também hábitos anteriores que se aproximam dessa proposta, entre eles o yum cha cantonês.
O yum cha, uma refeição cantonesa com dim sum e chá, é comum em restaurantes chineses de diferentes países. O serviço reúne pães recheados, bolinhos de massa e outros alimentos doces ou salgados, preparados no vapor, fritos por imersão ou assados. Os clientes escolhem pequenas porções em carrinhos que circulam entre as mesas, enquanto novos pratos saem da cozinha. O dim sum costuma ser consumido no meio da manhã, por volta do meio-dia ou durante o chá da tarde.
Em chinês, brunch pode ser traduzido por 早午饭, romanizado no sistema pinyin como zǎo wǔfàn. A palavra combina 早饭, zǎofàn, café da manhã, em que 早 significa "manhã" e 饭 significa "refeição", com 午饭, wǔfàn, almoço, em que 午 significa "meio-dia" e 饭 significa "refeição".
O Office québécois de la langue française aceita a palavra brunch e também apresenta o sinônimo francês déjeuner-buffet. No Quebec, déjeuner, mesmo sem o adjetivo petit, designa o café da manhã. Na pronúncia afrancesada do Quebec, o termo é pronunciado [bʁɔ̃ʃ], enquanto na França é mais comum a pronúncia [bʁœnʃ].
Em italiano, utiliza-se geralmente o empréstimo inglês brunch, embora o neologismo colanzo, formado pela união de colazione, "café da manhã", e pranzo, "almoço", venha se difundindo. Outras formas menos frequentes são colapranzo e pranzolazione, construídas com os mesmos elementos.
A terminologia das refeições varia entre as regiões italianas, pois seus horários e nomes nem sempre foram os mesmos. No norte da Itália, tradicionalmente se chamava prima colazione a primeira refeição do dia e colazione ou seconda colazione a segunda. Pranzo, por sua vez, podia designar a refeição da noite, embora hoje seja empregado, em geral, para o almoço. Com esse vocabulário, não havia necessidade de uma palavra específica para o brunch, já que colazione poderia abranger qualquer refeição feita de manhã ou no início da tarde.
Embora os nomes e horários das refeições tenham mudado, a ideia de uma refeição distinta que reúne características do café da manhã e do almoço chegou à Itália sobretudo por meio de hábitos britânicos e norte-americanos difundidos no século XX. Por isso, o anglicismo brunch é a forma predominante.
O bairro de Leslieville, em Toronto, na província de Ontário, às vezes recebe o apelido de "capital do brunch" da cidade devido à concentração de estabelecimentos que oferecem a refeição. Bufês de brunch também são encontrados em outras áreas do sul de Ontário, inclusive na região de Kitchener e Waterloo.
No Canadá, o brunch é servido tanto em casas particulares quanto em restaurantes. O cardápio costuma ser semelhante ao norte-americano, com café, chá, sucos de frutas, panquecas, waffles e rabanadas, além de presunto, bacon, linguiças, ovos mexidos, omeletes e ovos Benedict. Entre os pães, aparecem torradas, bagels e croissants. Doces como rolinhos de canela e bolos de café também podem fazer parte da refeição, assim como frutas frescas cortadas ou salada de frutas. Também são servidos pratos menos ligados ao café da manhã, como carnes assadas, quiche, sopa, salmão defumado, sanduíches e saladas, entre elas a salada Cobb.
Quando oferecido em casa ou em um restaurante, o brunch pode ser servido como bufê, com travessas de pratos e bebidas das quais os convidados se servem, muitas vezes sem limite de porções. Também há restaurantes em que os clientes escolhem os pratos de um cardápio e recebem o pedido à mesa.
Os preços variam desde refeições relativamente baratas, oferecidas em lanchonetes e restaurantes familiares, até serviços caros de restaurantes sofisticados e bistrôs.
Nas Filipinas, o brunch costuma ser servido entre as 9h e o meio-dia. Existe também a merienda, refeição leve que pode ocorrer no meio da manhã e, com frequência, entre as 15h e as 16h. A merienda faz parte dos hábitos alimentares filipinos desde o período de colonização espanhola.
Em Portugal, o brunch também é oferecido por cafés, hotéis e restaurantes, especialmente aos fins de semana. Costuma ser escolhido por quem faz a primeira refeição mais tarde e quer combinar alimentos do pequeno-almoço com pratos de almoço, frequentemente fora de casa.