| Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) | |
|---|---|
| Tipo | Unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação |
| Fundação | 15 de janeiro de 1949 |
| Sede | Urca, Rio de Janeiro, Brasil |
| Diretor | Márcio Portes de Albuquerque |
| Área de influência | Brasil e América Latina |
| Website | cbpf.br |
O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) é um instituto de pesquisa em física do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), situado no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Foi fundado em 15 de janeiro de 1949 por um grupo de jovens físicos reunidos em torno de César Lattes e José Leite Lopes, entre eles Jayme Tiomno e Elisa Frota-Pessôa. Foi a primeira instituição brasileira dedicada exclusivamente à pesquisa em física.
O CBPF ofereceu o primeiro programa de pós-graduação em física do país. Do instituto saíram ou nasceram, total ou parcialmente:
Em 2024 publicou 444 artigos em periódicos indexados.
A criação do CBPF resultou de uma articulação entre cientistas, empresários, militares e políticos no pós-guerra. Contribuíram para ela o interesse estratégico pela energia nuclear e a repercussão na imprensa da detecção do méson pi, de que Lattes participou. Lattes disse mais tarde que "o CBPF foi gerado na Califórnia": a ideia surgiu quando ele trabalhava no cíclotron de Berkeley, onde em 1948 detectou píons produzidos artificialmente. Os historiadores Heráclio Tavares e Antonio Augusto Passos Videira interpretam a fundação como expressão de um "nacionalismo científico", que via a ciência como base de um projeto de desenvolvimento nacional.
Como a Universidade do Brasil não apoiou a criação de um centro de física nuclear, o CBPF foi constituído como uma sociedade civil. A primeira reunião do conselho, em 15 de janeiro de 1949, foi presidida pelo político João Alberto Lins de Barros, primeiro presidente da instituição. Segundo os historiadores, ele pagou do próprio bolso os salários dos pesquisadores durante os três primeiros meses. Lattes, ainda nos Estados Unidos, foi escolhido diretor científico e ocupou o cargo até meados de 1955. O dinheiro dos primeiros anos veio de cientistas de posses, de grupos empresariais e de agências estrangeiras, como a Fundação Rockefeller. A universidade cedeu um terreno no seu campus, e o primeiro prédio foi pago pelo banqueiro Mário de Almeida. O primeiro artigo científico do CBPF, de Elisa Frota-Pessôa e Neusa Margem, saiu em 1950 nos Anais da Academia Brasileira de Ciências.
O instituto e o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), criado em 1951, foram produtos do mesmo movimento de política científica. Lattes integrou o conselho deliberativo do CNPq desde a sua fundação.
Em agosto e setembro de 1949, o físico americano Richard Feynman passou cerca de seis semanas no Brasil, dando cursos no CBPF a convite de Tiomno. Voltou dois anos depois, para um período sabático, a convite de Leite Lopes. Em 1952 o CBPF firmou um convênio com a Universidade Maior de San Andrés, da Bolívia, para montar um laboratório de raios cósmicos a 5 421 m de altitude, no monte Chacaltaya. O laboratório deu origem a grupos de pesquisa em vários países sul-americanos. No mesmo ano, o CBPF ajudou a criar o IMPA, que funcionou numa sala do centro até 1957.
Os cursos avançados de física e matemática dos anos 1950 deram origem, em 1962, ao primeiro programa formal de pós-graduação em física reconhecido pela CAPES. Em 26 de março de 1962, o CBPF participou da criação do CLAF, que mantém sede no instituto. Em 1972 o CBPF foi autorizado a conferir títulos de mestre e doutor.
O CBPF foi uma das instituições atingidas pela repressão nos primeiros anos da ditadura militar. Em abril de 1969, com base no Ato Institucional n.º 5, Leite Lopes, Tiomno e Frota-Pessôa foram aposentados compulsoriamente das suas cátedras universitárias. Em outubro daquele ano, o almirante Octacílio Cunha, então à frente do CBPF, demitiu-os também do centro, com base no Ato Complementar n.º 75, sem direitos trabalhistas. Leite Lopes foi para os Estados Unidos. Segundo Clemente, o instituto "quase foi destruído pela intolerância de um regime".
Em 1975, depois de crises financeiras e de pessoal e da perseguição política, o CBPF foi incorporado ao CNPq. Em 1979 promoveu uma cerimônia de reencontro com os pesquisadores afastados por motivos políticos. Em 1980, Tiomno e Frota-Pessôa foram readmitidos.
Na década de 1970, o centro formou grupos de física da matéria condensada e grupos teóricos em física de partículas e relatividade. Em 1976, Mário Novello criou o grupo de cosmologia e gravitação. Em 1980, o Laboratório de Cálculo do CBPF deu origem ao LNCC. Roberto Lobo, presidente do CBPF, montou o comitê executivo do Projeto Radiação Síncrotron, que originou o LNLS. Em 2000, o CBPF passou do CNPq para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Em 2003, o grupo de cosmologia foi transformado no Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica (ICRA-BR).
Ricardo Galvão assumiu a direção em junho de 2004 e foi reconduzido em 2008. Na sua gestão o CBPF entrou na rede ICRANet e ajudou a criar redes nacionais de fusão nuclear (RNF) e de física de altas energias (Renafae). Em 2007, com o LNCC e o Observatório Nacional, o CBPF criou o Núcleo de Inovação Tecnológica NIT-Rio. O físico de altas energias Ronald Cintra Shellard (1948–2021), que dirigiu o CBPF duas vezes, foi um dos primeiros defensores da participação brasileira no CERN.
Em 2024, ano em que o Brasil se tornou o primeiro Estado-membro associado do CERN nas Américas, o CBPF comemorou seus 75 anos e o centenário de Lattes. Naquele ano, a Lei n.º 14.839 inscreveu o nome de Lattes no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
O CBPF organiza a pesquisa em 14 áreas. Nove são de pesquisa fundamental, entre elas:
As outras cinco são tecnológicas, como eletrônica e detecção, inteligência artificial aplicada à física, nanofabricação e instrumentação.
O programa de pós-graduação em física do CBPF tem nota 7 da CAPES, a nota máxima, e já formou mais de 900 mestres e doutores. O mestrado profissional em física com ênfase em instrumentação científica existe desde 2000 e tem nota 4. O CBPF publica a revista "Ciência e Sociedade" e realiza, todos os anos, a Escola do CBPF.
O CBPF é uma unidade de pesquisa do MCTI. Em 2017, havia 123 servidores, contra 153 em 2011. Em 2024 contava com 56 pós-doutores, e havia concursos em andamento para 36 vagas de pesquisador e 10 de tecnologista. Abriga a sede do CLAF, cuja direção para 2025–2029 coube a Ulisses Barres de Almeida, do CBPF.
| Período | Dirigente | Observação |
|---|---|---|
| 1949–1949 | João Alberto Lins de Barros | |
| 1949–1955 | César Lattes | |
| 1955–1959 | Guido Beck | |
| 1960–1964 | José Leite Lopes | |
| 1966-1974 | Octacílio Cunha | |
| 1979–1982 | Roberto Lobo | |
| 1985–1989 | José Leite Lopes | |
| 1989–2000 | Amós Troper | |
| 2000-2004 | João dos Anjos | |
| 2004–2011 | Ricardo Galvão | |
| 2011–2015 | Fernando Lázaro Freire Júnior | |
| 2015-2021 | Ronald Cintra Shellard | |
| 2021-atual | Márcio Portes de Albuquerque |