Centro Brasileiro de Análise e Planejamento

Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
(CEBRAP)
TipoInstituto de pesquisa
Fundação3 de maio de 1969 (57 anos)
SedeSão Paulo, SP
Membros200 pesquisadores
Websitehttps://cebrap.org.br

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) é uma instituição de estudos e pesquisas em sociologia, política, filosofia, economia, antropologia e demografia. Está sediado em São Paulo.

Além de promover cursos e seminários e conceder bolsas de pesquisa nas suas áreas de atuação, o Cebrap sedia o Centro de Estudos da Metrópole (CEM), dedicado aos estudos referentes à capital paulista, e a Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), dedicada a pesquisas nas áreas de saúde pública, sexualidade e direitos reprodutivos no Brasil.

Atualmente, o Centro conta com mais de 160 pesquisadores, entre antropólogos, cientistas políticos, demógrafos, economistas, filósofos, historiadores, juristas e sociólogos, e está organizado em 17 núcleos de pesquisa.

Segundo dados mais recentes divulgados pela própria instituição, o corpo de pesquisadores é composto por 41 pesquisadores permanentes e cerca de 140 pesquisadores associados, sendo 60 destes doutores. Ao longo de sua trajetória, o centro já realizou mais de 500 projetos de pesquisa e manteve parcerias com cerca de 200 instituições nacionais e estrangeiras, o que o consolidou como referência na produção de conhecimento nas ciências humanas. Em um levantamento de 2016 conduzido pela Universidade da Pensilvânia, o Cebrap foi classificado como o 37º melhor think tank do mundo na área de políticas públicas. A instituição também é reconhecida pela combinação de métodos quantitativos — como levantamentos amostrais, georreferenciamento e análise de redes — e qualitativos, como estudos de caso, etnografias, entrevistas e grupos focais, além de produzir visualizações de dados e ministrar cursos e oficinas metodológicas. A difusão do conhecimento produzido ocorre por meio da revista Novos Estudos Cebrap, de uma biblioteca virtual com artigos e vídeos, e de seminários abertos sobre temas da conjuntura brasileira.

Histórico

Foi fundado no ano de 1969, por intelectuais, a maioria dos quais professores da Universidade de São Paulo (USP) afastados da universidade pelos atos discricionários do regime instituído após o Golpe Militar de 1964. Financiado pela Fundação Ford, a injeção inicial de 145 mil dólares, fora uma oferta de Peter Bell, então presidente da fundação Alguns deles eram remanescentes do grupo de estudos sobre O Capital, que faziam os seus encontros numa casa da rua Bahia, no bairro de Higienópolis, em São Paulo capital.

Posteriormente, o grupo passou a dedicar-se a estudos sobre a realidade do país, com uma postura crítica ao regime de exceção e numa linha ideológica de esquerda. Fizeram parte do grupo inicial de pesquisadores do Centro: Boris Fausto, Cândido Procópio Ferreira de Camargo, Carlos Estevam Martins, Elza Berquó, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, Francisco de Oliveira, José Arthur Giannotti, José Reginaldo Prandi, Juarez Rubens Brandão Lopes, Leôncio Martins Rodrigues, Luciano Martins, Octavio Ianni, Paul Singer e Roberto Schwarz. Temas importantes referentes à sociedade brasileira foram objeto de estudos e debates do CEBRAP destacando-se: distribuição de renda, sociedade civil, democracia. Vários dos componentes do grupo lecionaram em universidades no exterior, consolidando laços acadêmicos com pesquisadores e professores estrangeiros. Posteriormente suas pesquisas passaram a receber financiamentos internacionais. A partir de 1972 e nos cinco anos seguintes, vários dos membros do CEBRAP expressaram-se pelo semanário Opinião, que se constitui em importante fonte de pesquisa sobre os estudos do pensamento social brasileiro da época.

As reuniões preparatórias para a criação do centro começaram já em 1968, na Faculdade de Higiene de São Paulo, e contaram também com a participação de docentes que não haviam sido cassados, como Juarez Brandão Lopes e Cândido Procópio Ferreira Camargo. Após as cassações de abril de 1969, prevaleceu entre os organizadores o entendimento de que a nova instituição deveria acolher todos os pesquisadores atingidos pela repressão, ainda que nem todos os convidados tenham de fato ingressado no centro. O Cebrap foi formalmente constituído em 3 de maio de 1969, com 27 signatários na ata fundacional, sob a presidência de Cândido Procópio Ferreira Camargo; em 1971, o quadro de sócios fundadores foi ampliado para 72 pessoas.

Um dos fatores que contribuíram para a sobrevivência da instituição em seus primeiros anos, além do financiamento da Fundação Ford, foram os vínculos que parte de seus integrantes mantinha com setores mais liberais do empresariado, da política e da Igreja, sobretudo em São Paulo. Conversas conduzidas por Fernando Henrique Cardoso no Rio de Janeiro resultaram na promessa inicial de cem mil dólares por parte da Fundação Ford para viabilizar o início das atividades do centro. A proposta gerou controvérsia interna quanto aos riscos políticos e às possíveis restrições intelectuais decorrentes de um financiamento estrangeiro; o impasse foi superado quando a Fundação, por meio de seu representante no Brasil, William Carmichael, ofereceu apoio institucional sem interferência na avaliação dos projetos apresentados, solução intermediada por Bolívar Lamounier, que viria a integrar o centro pouco depois. Diante disso, Octávio Ianni — que inicialmente se opusera ao financiamento da Ford — associou-se ao Cebrap um ano após sua fundação, enquanto Florestan Fernandes optou por não aderir ao projeto.

Segundo dados compilados pela própria Fundação Ford, o escritório da entidade no Brasil chegou a financiar 70% do orçamento do Cebrap em 1969, proporção que caiu para cerca de 30% em 1975; somente nesse último ano o centro recebeu duas doações da Ford que somaram 2,4 milhões de dólares. Essa relação de financiamento se estendeu de 1969 a 1976, embora nunca tenha sido suficiente para eliminar as incertezas orçamentárias enfrentadas pela instituição ao longo desse período.

O grupo inicial de pesquisadores seniores do Cebrap era composto por sete integrantes — Juarez Brandão Lopes, Fernando Henrique Cardoso, Paul Singer, Elza Berquó, Cândido Procópio Ferreira Camargo, José Arthur Giannotti e Octávio Ianni, este último incorporado em 1970 —, quase todos formados e/ou com atuação docente na USP e com doutorado concluído antes de 1967, o que conferia ao grupo relativa homogeneidade geracional e acadêmica. Nos anos seguintes, o quadro permanente incorporou outros pesquisadores atingidos pelas cassações, como Francisco de Oliveira e Bolívar Lamounier, em 1970, Vilmar Faria e Carlos Estevam Martins, em 1971, e Vinicius Caldeira Brandt, em 1974 — este último, ex-militante da luta armada, havia sido recém-libertado da prisão, onde fora torturado. Já na década de 1970, o economista José Serra, então exilado e radicado no Chile, também se uniu ao grupo.

O período de maior repressão vivido pela instituição ocorreu já no início do governo Ernesto Geisel, quando pesquisadores foram presos e praticamente todo o quadro de funcionários foi interrogado pela polícia; posteriormente, o prédio do centro na rua da Bahia sofreu um atentado a bomba, episódio que marcou o auge — e, ao mesmo tempo, o começo do declínio — da perseguição direta ao Cebrap. Em resposta, a direção do centro enviou, por intermédio do ministro Severo Gomes, uma carta ao presidente Geisel denunciando a perseguição sofrida — o único contato direto registrado entre a instituição e o governo militar sobre o tema.

A partir de 1971, a instituição passou a divulgar sistematicamente sua produção por meio de duas publicações periódicas, a revista Estudos Cebrap, voltada a um público mais amplo, e os Cadernos Cebrap, de circulação mais restrita e dedicados a trabalhos de formato intermediário; ambas circularam, em geral, até por volta de 1980. Dentre os trabalhos mais conhecidos produzidos por integrantes do centro nesse período estão Dependência e Desenvolvimento, de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto (1967), Economia Política da Urbanização, de Paul Singer (1973), e São Paulo: Crescimento e Pobreza, de Lúcio Kowarick e Cândido Procópio Ferreira Camargo (1975). A repercussão do modelo institucional do Cebrap também estimulou a criação de centros similares em países vizinhos sob regimes ditatoriais, como a Corporación de Investigaciones Económicas para Latinoamérica (Cieplan), no Chile, em 1974, e o Centro de Estudios de Estado y Sociedad (Cedes), na Argentina, em 1976.

Grupos, núcleos e programas

O Cebrap organiza parte de sua produção acadêmica em núcleos e grupos temáticos, cada um dedicado a uma área específica de pesquisa, com coordenação própria e produção bibliográfica associada.

Núcleos, grupos e programas do Cebrap
Núcleo/grupo/centroDescriçãoPesquisador(a)-coordenador(a)Publicações principais
Afro CebrapNúcleo dedicado à pesquisa, formação e difusão sobre temática racial, criado em 2019Márcia Lima (coordenação geral); Huri Paz (coordenação institucional)O Impacto das Cotas, de Luiz Augusto Campos e Márcia Lima
Cebrap SustentabilidadeGrupo voltado à produção de conhecimento sobre temas ambientais, como mudanças climáticas, biodiversidade e governança de recursos naturais, e suas conexões com a vida política e econômicaArilson Favareto, Mireya Valencia Perafán e Carolina Simões GalvaneseTrês Décadas de Planejamento das Áreas Rurais: Balanço e Perspectivas, organizado por Cidonea Machado Deponti, Tanise Dias Freitas e Arilson Favareto (Pedro & João Editores, 2021)
Centro de Estudos da Metrópole (CEM)Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiado pela Fapesp, sediado conjuntamente na FFLCH-USP e no Cebrap, reunindo pesquisadores de demografia, ciência política, sociologia, geografia, economia e antropologiaEduardo Cesar Leão Marques, Adrian Gurza Lavalle, Catarina Ianni Segatto, Fernanda Lima, Gabriela Spanghero Lotta, Mariana Giannotti, Maria Teresa da Silva Arretche, Renata Mirandola Bichir, Ursula Dias Peres e Vera Schattan Ruas Pereira CoelhoNa Linha de Frente: Avanços e Contribuições dos Estudos sobre Burocracia de Nível de Rua no Brasil, organizado por Gabriela Spanghero Lotta e Roberto Rocha Coelho Pires (2025)
Núcleo de Cidadania, Saúde e Desenvolvimento (NCSD)Criado em 2006, dedica-se à pesquisa sobre políticas e sistemas de saúde, com ênfase em equidade e participação social, além de temas de democratização, accountability e desenvolvimento regionalVera SchattanNão informado
Núcleo de Pesquisa Democracia e Ação Coletiva (NDAC)Reúne pesquisadores voltados ao estudo de atores da sociedade civil e suas interações com o Estado, com foco em representação política, instituições participativas, controle social e movimentos sociaisAdrian Gurza LavalleParticipação e Ativismos: Entre Retrocessos e Resistências, organizado por Luciana Tatagiba, Debora Rezende de Almeida, Adrian Gurza Lavalle e Marcelo Kunrath Silva (Zouk, 2022)
Núcleo de DesenvolvimentoRealiza estudos voltados a subsidiar ações do setor público, privado e do terceiro setor, com foco no desenvolvimento socioeconômico em diferentes escalas de gestão e para diferentes grupos populacionais, com atenção às dimensões de gênero, raça, idade e territórioMonise Picanço, Priscila Vieira, Tomás Wissenbach e Victor CallilEnvelhecimento, Gerações e Intergeracionalidade no Brasil, de Priscila Vieira, Juliana Shiraishi e Sabrina Guimarães
Núcleo de Etnografias Urbanas (NEU)Reúne pesquisadores das ciências sociais dedicados às transformações urbanas contemporâneas nas grandes cidades brasileiras, com temas como desigualdade, mudança religiosa, violência urbana e drogas, priorizando a etnografia como método de investigação nas periferias urbanasAna Paula GaldeanoNão informado
Núcleo de Instituições Políticas e Eleições (Nipe)Núcleo sediado no Cebrap dedicado ao estudo comparado do funcionamento das instituições políticas brasileiras, reunindo pesquisadores de diversas instituições do Brasil e do exteriorAndréa FreitasNão informado

Afro Cebrap

O Afro Cebrap é um núcleo voltado à pesquisa, formação e difusão de conhecimento sobre a questão racial, criado em 2019 no âmbito do Cebrap, com prioridade para a produção acadêmica de alto rigor metodológico e para a formação de novos pesquisadores. Entre suas produções está o trabalho O Impacto das Cotas, de autoria de Luiz Augusto Campos e Márcia Lima. O núcleo é coordenado por Márcia Lima, na coordenação geral, com Huri Paz na coordenação institucional.

Cebrap Sustentabilidade

O Cebrap Sustentabilidade concentra-se na produção de conhecimento sobre formas inovadoras de abordar a questão ambiental, alinhadas aos avanços da comunidade científica nacional e internacional. Sua agenda abrange temas como mudanças climáticas, acidificação dos oceanos e perda de biodiversidade, além de suas interfaces com a economia, o desenvolvimento, as formas urbanas e rurais, os conflitos socioambientais e a governança de recursos naturais. Entre as publicações do grupo está o livro Três Décadas de Planejamento das Áreas Rurais: Balanço e Perspectivas, organizado por Cidonea Machado Deponti, Tanise Dias Freitas e Arilson Favareto, publicado pela Pedro & João Editores em 2021. A coordenação é composta por Arilson Favareto, Mireya Valencia Perafán e Carolina Simões Galvanese.

Centro de Estudos da Metrópole (CEM)

O Centro de Estudos da Metrópole é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) mantido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com sede compartilhada entre a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e o Cebrap. Reúne uma equipe multidisciplinar formada por demógrafos, cientistas políticos, sociólogos, geógrafos, economistas e antropólogos. Sua coordenação inclui Eduardo Cesar Leão Marques, Adrian Gurza Lavalle, Catarina Ianni Segatto, Fernanda Lima, Gabriela Spanghero Lotta, Mariana Giannotti, Maria Teresa da Silva Arretche, Renata Mirandola Bichir, Ursula Dias Peres e Vera Schattan Ruas Pereira Coelho. Entre suas publicações recentes está a obra Na Linha de Frente: Avanços e Contribuições dos Estudos sobre Burocracia de Nível de Rua no Brasil, organizada por Gabriela Spanghero Lotta e Roberto Rocha Coelho Pires, de 2025.

Núcleo de Cidadania, Saúde e Desenvolvimento (NCSD)

Criado em 2006, o Núcleo de Cidadania, Saúde e Desenvolvimento dedica-se principalmente à pesquisa e ao debate sobre políticas de saúde e sistemas de saúde, com ênfase em equidade e participação social. Por meio de pesquisas comparativas, seminários, oficinas e consultorias, o núcleo busca aproximar academia, gestores públicos e sociedade civil no Brasil e no exterior, discutindo também processos de democratização, accountability e desenvolvimento em outras áreas de políticas públicas, como desenvolvimento regional e governo aberto. A coordenação está a cargo de Vera Schattan.

Núcleo de Pesquisa Democracia e Ação Coletiva (NDAC)

O NDAC reúne pesquisadores dedicados ao estudo de atores da sociedade civil, dos papéis de mediação política que eles exercem e de suas interações com atores estatais, com focos temáticos como novas formas de representação política, instituições participativas, controle social, accountability e movimentos sociais, todos articulados pela ideia de mútua constituição entre sociedade civil e Estado. Entre suas publicações está a obra Participação e Ativismos: Entre Retrocessos e Resistências, organizada por Luciana Tatagiba, Debora Rezende de Almeida, Adrian Gurza Lavalle e Marcelo Kunrath Silva, publicada pela editora Zouk em 2022. O núcleo é coordenado por Adrian Gurza Lavalle.

Núcleo de Desenvolvimento

O Núcleo de Desenvolvimento produz estudos destinados a subsidiar iniciativas dos setores público, privado e do terceiro setor, voltados ao desenvolvimento socioeconômico em diferentes escalas de gestão — local, municipal, estadual e federal — e direcionados a distintos grupos populacionais, incluindo moradores de áreas urbanas e rurais, populações tradicionais e diferentes faixas etárias. Seus estudos dão atenção especial a recortes de gênero, raça, idade e território. Uma de suas produções é o estudo Envelhecimento, Gerações e Intergeracionalidade no Brasil, de autoria de Priscila Vieira, Juliana Shiraishi e Sabrina Guimarães. A coordenação do núcleo é formada por Monise Picanço, Priscila Vieira, Tomás Wissenbach e Victor Callil.

Núcleo de Etnografias Urbanas (NEU)

O NEU reúne pesquisadores das ciências sociais interessados nas transformações urbanas contemporâneas, com ênfase nas grandes cidades brasileiras. Entre os temas centrais de investigação estão a desigualdade e a pobreza, a mudança religiosa, as políticas públicas, a violência urbana e o consumo e tráfico de drogas psicoativas, tendo as periferias urbanas como principal locus de pesquisa. O núcleo adota a etnografia como metodologia de referência, sem descartar a articulação com abordagens quantitativas ou qualitativas complementares. A coordenação é de Ana Paula Galdeano.

Núcleo de Instituições Políticas e Eleições (Nipe)

Coordenado pela professora Andréa Freitas, o Nipe é um núcleo sediado no Cebrap voltado ao estudo comparado do funcionamento das instituições políticas no Brasil. Em razão da diversidade de projetos desenvolvidos, o núcleo reúne pesquisadores vinculados a diferentes instituições e universidades do Brasil e do exterior.

Publicação

Há mais de trinta anos, o CEBRAP publica a revista Novos Estudos, também disponível pela internet.

Atividades

O CEBRAP permanece ativo, contando com eventos frequentes, como palestras, workshops e lançamentos de livro, além de publicações no Novos Estudos Cebrap.

Legado

Segundo a Fundação Ford, financiadora da instituição, o Cebrap veio a se constituir como vanguarda do pensamento social e político independente no país e como ator central no processo posterior de redemocratização brasileira. Bernardo Sorj descreve a instituição como uma espécie de ponte geracional, permitindo a continuidade de projetos intelectuais interrompidos pela perseguição política e reunindo, sob um mesmo teto, pesquisadores de diferentes formações e gerações. Segundo a própria instituição, o centro conseguiu ao longo de décadas uma rara transição entre gerações de pesquisadores, funcionando como incubadora de novos quadros acadêmicos, muitos dos quais passaram a ocupar posições de destaque em universidades e em diferentes níveis de governo. O modelo institucional do Cebrap também serviu de inspiração para a criação de centros de pesquisa semelhantes em outros países da América Latina sob regimes ditatoriais, como a Corporación de Investigaciones Económicas para Latinoamérica (Cieplan), fundada no Chile em 1974, e o Centro de Estudios de Estado y Sociedad (Cedes), fundado na Argentina em 1976. Entre as obras de maior repercussão produzidas por pesquisadores ligados ao centro estão Dependência e Desenvolvimento, de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto (1967), Economia Política da Urbanização, de Paul Singer (1973), e São Paulo: Crescimento e Pobreza, de Lúcio Kowarick e Cândido Procópio Ferreira Camargo (1975).

Localização

Nos primeiros anos, o Cebrap funcionou em um imóvel situado na rua da Bahia, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Na segunda metade da década de 1970, em razão da necessidade de maior espaço físico e de preocupações de segurança após o atentado a bomba contra a sede anterior, a instituição se transferiu para um andar alto de um edifício próximo à Avenida Paulista. Hoje, o centro se localiza no bairro Vila Mariana, na Rua Morgado de Mateus, 615.

Ver também

Referências

  1. ↑ Souza, Augusto. «Institucional». CEBRAP. Consultado em 17 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 19 de setembro de 2025
  2. 1 2 3 4 5 6 CEBRAP. Institucional. Disponível em: cebrap.org.br/institucional.
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  5. ↑ BROOKE,Nigel E WITOSHYNSKY, Mary (org.) Os 40 Anos da Fundação Ford no Brasil - uma parceria para a mudança social. São Paulo / Rio de Janeiro: Editora da Universidade de São Paulo / Fundação Ford, 2002. pp 172-173
  6. ↑ Intelectuais e resistência democrática, por Milton Lahuerta. Cadernos AEL, n. 14-15. IFCH, Unicamp, 2001.
  7. ↑ HISTEDBR - Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil". Faculdade de Educação - Unicamp. Glossário. "CEBRAP"
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  9. 1 2 3 4 5 6 FUNDAÇÃO FORD. Os 40 anos da Fundação Ford no Brasil. 2002. Disponível em: fordfoundation.org.
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  11. 1 2 AFRO CEBRAP. Produções. Disponível em: afrocebrap.org.br/producoes.
  12. 1 2 3 CEBRAP SUSTENTABILIDADE. Sobre. Disponível em: cebrapsustentabilidade.org/sobre.
  13. 1 2 CEBRAP SUSTENTABILIDADE. Pesquisadores. Disponível em: cebrapsustentabilidade.org/pesquisadores.
  14. 1 2 CEBRAP SUSTENTABILIDADE. Livros. Disponível em: cebrapsustentabilidade.org.
  15. 1 2 3 CENTRO DE ESTUDOS DA METRÓPOLE. Quem somos: missão e objetivos. Disponível em: centrodametropole.fflch.usp.br.
  16. 1 2 CENTRO DE ESTUDOS DA METRÓPOLE. Coordenadores de projetos. Disponível em: centrodametropole.fflch.usp.br.
  17. 1 2 CENTRO DE ESTUDOS DA METRÓPOLE. Publicações: livros. Disponível em: centrodametropole.fflch.usp.br.
  18. 1 2 3 4 5 CEBRAP. Núcleo de Cidadania, Saúde e Desenvolvimento. Disponível em: cebrap.org.br.
  19. 1 2 NDAC-CEBRAP. Sobre. Disponível em: ndac-cebrap.org/sobre.
  20. 1 2 NDAC-CEBRAP. Pesquisadores. Disponível em: ndac-cebrap.org.
  21. 1 2 NDAC-CEBRAP. Publicações. Disponível em: ndac-cebrap.org.
  22. 1 2 3 4 5 6 7 CEBRAP. Relatório 2025 – Núcleo de Desenvolvimento. Disponível em: cebrap.org.br.
  23. 1 2 3 4 5 6 CEBRAP. Núcleo de Etnografias Urbanas. Disponível em: cebrap.org.br.
  24. 1 2 3 4 NIPE-CEBRAP. Página institucional no LinkedIn. Disponível em: linkedin.com/company/nipe-cebrap.
  25. ↑ «Revista Novos Estudos - Pages». novosestudos.uol.com.br. Consultado em 14 de outubro de 2015
  26. ↑ Revista Novos Estudos on-line.
  27. ↑ «Home». CEBRAP. Consultado em 1 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 24 de maio de 2026

Ligações externas


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