

Um sistema de armas de defesa aproximada (em inglês: close-in weapon system, amplamente conhecido pela sigla CIWS) é um sistema de defesa de ponto projetado para detectar, rastrear e destruir mísseis antinavio e aeronaves em aproximação de curto alcance que tenham ultrapassado as camadas exteriores da defesa antiaérea, sendo instalado prioritariamente a bordo de navios de guerra. Praticamente todas as classes de belonaves de combate modernas de grande e médio porte contam com alguma variante de sistema CIWS instalada.
Distinguem-se três modalidades operacionais principais de CIWS: sistemas baseados em artilharia tubular de tiro rápido (canhões rotativos ou automáticos), sistemas baseados em mísseis superfície-ar de curto alcance e sistemas híbridos (que combinam canhões e lançadores de mísseis em uma mesma torre). Os sistemas baseados em canhões costumam integrar radares de tiro e de busca, sensores optrônicos, computadores balísticos e canhões automáticos de alta cadência montados sobre um reparo giratório automatizado. Os sistemas baseados em mísseis utilizam guiamento por infravermelho, receptores de radar passivo/ESM ou radar semi-ativo para intercepção terminal. Variantes terrestres de sistemas CIWS também são empregadas para proteção de bases militares e instalações estratégicas contra ataques de foguetes, artilharia e morteiros (C-RAM).

Um CIWS baseado em canhão opera tipicamente de modo autônomo, acoplando radares de aquisição e acompanhamento, computadores de tiro e canhões rotativos (tipo Gatling) ou canhões revólver em um reparo estabilizado de rápida rotação e elevação. Exemplos de sistemas de artilharia CIWS em serviço incluem:
Os sistemas de canhões possuem alcance útil estritamente limitado: o alcance balístico máximo eficaz é de aproximadamente 5 000 metros (16 000 ft), sendo ainda menor em sistemas que empregam munições de calibre reduzido (como 20 mm). Em combates reais contra mísseis antinavio de voo rasante ou manobráveis, a distância média estimada de destruição da ameaça situa-se em 500 metros (1 600 ft) ou menos. Nessa proximidade, mesmo que o corpo do míssil seja fragmentado, a energia cinética remanescente dos destroços e estilhaços ainda pode atingir a superestrutura do navio, danificando antenas de radar, sistemas de comunicação ou ferindo a tripulação. Por essa razão, complexos modernos como os sistemas russos Kashtan e Pantsir-M integram mísseis superfície-ar à mesma torre para interceptar o vetor a distâncias maiores.
Outra restrição relevante diz respeito à probabilidade de letalidade imediata: o impacto de projéteis de energia cinética pura pode perfurar a carcaça sem detonar a carga bélica ou sem desviar a trajetória inercial do míssil atacante a tempo de impedir a colisão com o casco do navio.
| DARDO | Goalkeeper | Kashtan | Millennium | Phalanx | Type 730 | Gökdeniz | OSU-35K | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Origem | Itália | Países Baixos | Rússia | Alemanha / Suíça | Estados Unidos | China | Turquia | Polônia |
| Imagem | ||||||||
| Peso | 5 500 kg (12 100 lb) | 9 902 kg (21 830 lb) | 15 500 kg (34 200 lb) | 3 300 kg (7 300 lb) | 6 200 kg (13 700 lb) | 9 800 kg (21 600 lb) | — | 3 300 kg (7 300 lb) |
| Armamento | 2 canhões de 40 mm Bofors L/70 | Canhão Gatling de 30 mm com 7 canos GAU-8 | 2 canhões rotativos de 30 mm GSh-6-30 + 8 mísseis 9M311K | Canhão revólver de 35 mm Oerlikon KDG | Canhão Gatling de 20 mm com 6 canos M61 Vulcan | Canhão Gatling de 30 mm com 7 canos | 2 canhões automáticos de 35 mm Oerlikon | Canhão automático de 35 mm Oerlikon KDA |
| Cadência de tiro | 600 a 900 tpm | 4.200 tpm | Canhões: 10.000 tpm Mísseis: 1–2 por salva |
200 a 1.000 tpm | 4.500 tpm | 5.800 tpm | 1.100 tpm (550 por cano) | 550 tpm |
| Alcance efetivo | 4 000 m (13 000 ft) | 3 500 m (11 500 ft) | Mísseis: 1.500–10.000 m Canhões: 300–5.000 m |
3 500 m (11 500 ft) | 2 000 m (6 600 ft) | 3 000 m (9 800 ft) | Munição ATOM: 4 000 m (13 000 ft) | FAPDS: 5 000 m (16 000 ft) ABM: 3 500 m (11 500 ft) |
| Capacidade de munição | 736 tiros | 1.190 tiros | 2 × 2.000 tiros | 252 tiros | 1.550 tiros | 640 ou 2 × 500 tiros | — | 2 × 100 tiros |
| Velocidade na boca | 1 000 m/s (3 300 ft/s) | 1 109 m/s (3 640 ft/s) | 960–1.100 m/s | 1.050 a 1.175 m/s | 1 100 m/s (3 600 ft/s) | 1 100 m/s (3 600 ft/s) | 1 020 m/s (3 300 ft/s) | FAPDS: 1 440 m/s (4 700 ft/s) ABM: 1 050 m/s (3 400 ft/s) |
| Elevação | −13° a +85° | −25° a +85° | — | −15° a +85° | −25° a +85° | −25° a +85° | — | −10° a +85° |
| Velocidade de elevação | 60°/s | 100°/s | 50°/s | 70°/s | 115°/s | 100°/s | — | — |
| Rotação (traverso) | 360° | 360° | 360° | 360° | 360° | 360° | 360° | 360° |
| Velocidade de rotação | 90°/s | 100°/s | 70°/s | 120°/s | 115°/s | 100°/s | — | — |
| Entrada em serviço | Década de 1970 | 1980 | 1989 | 2003 | 1980 | 2007 | 2019 | 2022 |

Um CIWS baseado em mísseis compreende conjuntos de sensores optrônicos e radares acoplados a um lançador giratório automatizado ou conectados a células de um sistema de lançamento vertical (VLS). Esses sistemas operam com guiamento por infravermelho passivo, radar ativo ou comandos por rádio, oferecendo maior alcance de interceptação em relação à artilharia convencional. Exemplos em serviço operacional:

Os sistemas híbridos combinam canhões rotativos de alta cadência e lançadores de mísseis superfície-ar de curto alcance montados sobre o mesmo reparo, permitindo o engajamento escalonado de alvos: os mísseis realizam a interceptação a distâncias entre 1,5 km e 10 km, enquanto os canhões constituem a última barreira a distâncias inferiores a 3 km. Exemplos operacionais:
Sistemas CIWS adaptados para emprego em terra firme operam como baterias de defesa de ponto contra projéteis balísticos e munições guiadas na função C-RAM (Counter Rocket, Artillery, and Mortar), tais como o sistema norte-americano Centurion C-RAM (versão terrestre rebocável do Phalanx CIWS) e o complexo russo Pantsir-S1.
Em escala menor e montados em veículos blindados de combate, atuam os sistemas de proteção ativa (APS, Active Protection Systems) desenvolvidos para detectar e destruir granadas-foguete (RPG) e mísseis anticarro antes do impacto na blindagem. O pioneiro sistema soviético Drozd foi implantado na infantaria naval nos anos 1980, sendo posteriormente sucedido por blindagens reativas e por novos sistemas como o Arena (Rússia), Trophy e Iron Fist (Israel), Quick Kill (EUA) e LEDS-150 (Suécia/África do Sul).
Armas de energia dirigida por laser estão sendo integradas à categoria de sistemas CIWS para engajamento de drones, lanchas rápidas e mísseis antinavio a custo por disparo substancialmente reduzido. Em agosto de 2014, a Marinha dos EUA realizou os primeiros desdobramentos operacionais do protótipo LaWS (Laser Weapon System) no Golfo Pérsico a bordo do navio de transporte anfíbio USS Ponce. O Conselho de Pesquisa Científica e Tecnológica da Turquia (TÜBİTAK) desenvolveu e testou protótipos de sistemas laser CIWS de alta potência destinados a equipar os futuros contratorpedeiros da classe TF-2000.