CODECO

 Nota: Para a facção armada da República Democrática do Congo, veja Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo.
Comandos Operacionais de Defesa da Civilização Ocidental
(CODECO)
Logotipo dos CODECO
TipoOrganização armada clandestina
Fundação1975
Extinção1983
Estado legalExtinta

Os CODECO (Comandos Operacionais de Defesa da Civilização Ocidental) foram uma organização terrorista portuguesa de direita criada em 1975 durante o Verão Quente e cuja acção se prolongou até 1982 com provável ligação com a ala conservadora do CDS.

Origem e membros

No pós 25 de Abril de 1974, especialmente depois do 11 de Março de 1975, vão surgir vários movimentos de direita radical recorrendo à violência política. Para além dos CODECO, esses movimentos incluíram o MDLP, Exército de Libertação de Portugal (ELP) e movimento Maria da Fonte, redes que por vezes se entrelaçavam.

A CODECO acolheu também membros do Exército de Libertação de Portugal, dos quais grande parte tinham exercido funções na PIDE e na Legião Portuguesa, porém não é possível comprovar que a CODECO teria ligações às resistências clandestinas da Legião, que visavam implementar um regime presidencialista de inclinação Salazarista e Para-Fascista.

Miguel Carvalho identifica Soares Carneiro como o líder dos CODECO e ligação com José do Canto e Castro do Grupo dos Nove. As suas fileiras eram constituídas por "ex-militares, militares e tropas de segunda linha que haviam combatido em Angola". Alguns estariam ligados com a FNLA. Membros de operacionais incluíam alegadamente Vasco Montês (chefe), José Bernardo Pinto ("comandante Pinto") e Manuel Gaspar ("comandante Paulo"). Panasqueira Gago convida José Cruz Ribeiro da Silva ("Zé Luís") para os CODECO.

Há colaboração com o grupo de Ramiro Moreira do MDLP. Postos de GNR (comandante do posto de Valença) e PSP de confiança fornecem as armas. Um padre do Alto Minho participa em reuniões (p. 309).

CODECO e partido CDS

Pouco se sabe acerca da CODECO: supõe-se que alguns membros teriam ligações ao CDS, especialmente à ala mais conservadora. Por exemplo, Ribeiro da Silva, Pinto e Gago almoçaram com Galvão de Melo. Gonçalo Martins (do CDS) e o empresário Manuel Macedo dariam indicações e pagariam pelos serviços dos operacionais. Os explosivos são comprados a João Veríssimo, secretário do CDS em Ponte de Lima.

A 12 de Janeiro de 1982, o jornal O Diário (afecto ao PCP), estabeleceu uma ligação entre os CODECO e o partido político de direita CDS. Os CODECO estavam zangados com o esquecimento a que tinham sido votados por quem os criou. De acordo com a reportagem, um ex-operacional da organização terrorista, detido por delito comum no estabelecimento prisional de Pinheiro da Cruz, Luís Ramalho, confessou que entre os bombistas dos CODECO havia pessoas que faziam segurança ao Presidente do CDS, Diogo Freitas do Amaral, que, na altura das revelações, era ministro da Defesa do governo AD, liderado por Francisco Pinto Balsemão.

A 25 de Janeiro de 1982, O Diário entrevistou José Esteves, ex-guarda-costas de Freitas do Amaral que afirmou: “Naquele partido só se falava de armas e bombas”, confirmando ainda que “os CODECO nasceram no CDS”. O jornal publicou juntamente com estas declarações uma fotografia de José Esteves sentado dentro de um carro, ao lado do presidente do CDS, tirada a 7 de Setembro de 1975 à porta do Palácio de Belém, aquando da deslocação do líder centrista para uma reunião com o então Presidente da República, Francisco Costa Gomes. José Esteves seria depois implicado no "Caso Camarate", sendo apontado como suposto autor do engenho explosivo que derrubou o avião onde seguiam a bordo o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

A 25 de Fevereiro de 1982, O Diário publicou uma entrevista com Luís Ramalho, onde este confirmou que “CODECO era o braço armado do CDS”.

Freitas do Amaral, que foi candidato a Presidente da República em 1986 e presidente da Assembleia-Geral da ONU em 1995, negou a ligação com o grupo terrorista e processou o jornal O Diário.

No entanto, na fuga do assalto à Standard Eléctrica em Janeiro de 1976, o objectivo dos operacionais seria refugiarem-se em Viana do Castelo, devido à cobertura local do CDS, PSP e PJ, reforçando a ligação com algumas bases do partido. Seriam apanhados numa operação Stop entre Póvoa do Varzim e Porto (p. 306).

O ressurgimento em 1982-3 pode ser lido como descontentamento ou, em alternativa, como forma de limpar a imagem do partido CDS. A contra-informação e contra-acções eram habituais na época.

Acontecimentos

Entre os principais actos terroristas levados a cabo por este grupo, apuraram-se os seguintes casos:

1975

Elemento dos CODECO

1976

1977

1982

No ano de 1982, registaram-se ainda os seguintes casos de ataques terroristas atribuídos aos CODECO:

1983

Em 1983, os CODECO lançaram ainda um comunicado a ameaçar com mais ataques caso Freitas do Amaral fosse candidato à Presidência da República.

Referências

  1. ↑ «Commandos for the Defense of Western Civilization». Terrorism Research & Analyisis Consortium. Consultado em 20 de outubro de 2020
  2. 1 2 Carvalho, Miguel (2017). Quando Portugal ardeu. Histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril. [S.l.]: Oficina do Livro. ISBN 9789897416675
  3. ↑ in "Polícias e Ladrões", João Paulo Guerra, Ed. Caminho, Lisboa, 1983