Caibar Khaybar | |
|---|---|
| Ruínas de Caibar | |
Ruínas da fortaleza de Camus | |
| Localização atual | |
| Coordenadas | 25° 41′ 55″ N, 39° 17′ 33″ L |
| País | Arábia Saudita |
| Região | Medina |
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Caibar (em árabe: خَيْبَر; romaniz.: Khaybar) é um oásis histórico situado na região do Hejaz, no noroeste da Arábia Saudita, cerca de 180 quilômetros ao norte de Medina. Desenvolvido em um amplo vale cercado por terrenos vulcânicos, constituiu desde a Antiguidade um importante centro agrícola, comercial e fortificado, conhecido pela abundância de água, pelos extensos palmeirais e pelas numerosas fortalezas que protegiam seus habitantes. Localizado sobre a principal rota que ligava o sul ao norte da Península Arábica, tornou-se um dos principais entrepostos mercantis do Hejaz, frequentado por caravanas provenientes da Iêmen, Hadramaute, Barém, Taife, Síria, Palestina e Iraque.
Na Antiguidade Tardia, Caibar abrigava uma importante comunidade formada por tribos judaicas e grupos árabes judaizados, organizada em torno de diversas fortalezas e extensas propriedades agrícolas. A origem desse povoamento permanece objeto de diferentes tradições e hipóteses historiográficas. Durante o século VII, o oásis tornou-se um dos principais centros judaicos do Hejaz, desempenhando papel relevante na política e na economia da Arábia ocidental em razão de sua posição estratégica, de sua prosperidade e de suas estreitas relações com Meca e Medina.
Caibar tornou-se particularmente célebre em 628, quando foi conquistada por Maomé durante a Campanha de Caibar, episódio que consolidou a posição do nascente Estado islâmico na Arábia ocidental. Após a rendição, seus habitantes judeus foram autorizados a permanecer na região mediante um acordo de parceria agrícola pelo qual conservaram o cultivo das terras em troca da entrega de parte da produção. Esse regime vigorou até o califado de Omar ibne Alcatabe (r. 634–644), quando a comunidade judaica foi transferida para outras regiões do domínio islâmico, processo que posteriormente adquiriu grande importância nos debates jurídicos islâmicos sobre a administração das terras conquistadas.
Caibar é o nome de um amplo vale e de seu principal núcleo habitado, situados aproximadamente 180 quilômetros ao norte de Medina, na região do Hejaz. O oásis encontra-se a cerca de 850 metros acima do nível do mar e ocupa uma área de harra, isto é, um extenso campo de origem vulcânica coberto por derrames basálticos. Seu principal assentamento desenvolveu-se no vale central, conhecido como uádi Zaidia. Na época moderna, a localidade constituiu um dos distritos administrativos da região de Jabal Xamar e compreendia diversas aldeias distribuídas ao longo do vale. Embora Caibar devesse sua fama histórica sobretudo aos acontecimentos ocorridos nos anos 7 e 20 A.H., e não às suas características naturais, os geógrafos árabes medievais destacaram reiteradamente a abundância de seus palmeirais. Segundo alguns autores medievais, o nome derivaria de uma palavra empregada pelos judeus da região com o significado de "fortaleza". Iacute Alhamaui acrescentou que, como existiam várias fortificações no oásis, a localidade também podia ser chamada pelo plural Caiabir. Outra tradição faz o topônimo remontar a Caibar ibne Cania ibne Malail, apontado como fundador da localidade. Iacute relacionou sete fortalezas principais: Naime, Camus — também chamada fortaleza de Abu Alhuçaique —, Xique, Netate, Sulalime, Uati e Catiba. Outros geógrafos e historiadores mencionaram ainda fortalezas e localidades menores, mas a correspondência entre a antiga nomenclatura e os lugares atualmente identificados permanece incerta.
Durante o período pré-islâmico, Caibar compreendia diversos oásis de grande fertilidade, irrigados por fontes, poços e barragens. A região destacava-se especialmente pela produção de tâmaras, e as fontes mencionam a existência de cerca de quarenta mil tamareiras apenas na área de Catiba na época de Maomé. As fortalezas distribuíam-se por três grandes setores — Netate, Xique e Catiba —, provavelmente separados por vales, terrenos pantanosos e antigos derrames de lava que constituíam barreiras naturais. Muitas delas funcionavam simultaneamente como residências fortificadas, armazéns, estábulos e centros de propriedades agrícolas, erguendo-se sobre colinas ou afloramentos basálticos e sendo cercadas por campos cultivados e palmeirais. A disposição irregular do relevo fazia com que não fosse possível avistar simultaneamente todas as fortificações, mesmo dos pontos mais elevados do oásis. As fontes também mencionam que Caibar era afetada por febres endêmicas, tradicionalmente temidas pelos árabes. Relatos de viajantes dos séculos XIX e XX descrevem áreas pantanosas, águas estagnadas, depósitos salinos nos vales e extensas formações de basalto escuro, elementos que contribuíam para tornar o ambiente pouco saudável. O explorador britânico Charles Montagu Doughty, que permaneceu no oásis entre novembro de 1877 e março de 1878, produziu a descrição moderna considerada pela Encyclopaedia of Islam como a mais completa da localidade, registrando uma paisagem dominada por extensos afloramentos de basalto negro e classificando o ambiente como particularmente desolado. Nas décadas seguintes foram construídas barragens para ampliar o aproveitamento dos recursos hídricos e uma estrada adequada ao tráfego de veículos passou a ligar Caibar a Medina, modificando parcialmente sua infraestrutura tradicional.
Favorecida por sua posição na principal rota comercial entre o sul e o norte da Península Arábica, Caibar constituiu um dos mais importantes centros mercantis do Hejaz. Além da produção local de frutas, hortaliças, produtos pecuários, mel e vinho, seus mercados comercializavam mercadorias oriundas de regiões tão distantes quanto a Índia e a China, bem como joias, armas, ferramentas agrícolas, tecidos e escravos. A atividade econômica concentrava-se sobretudo na agricultura, no artesanato, no comércio de longa distância e em operações financeiras, desempenhadas em grande parte pela comunidade judaica estabelecida no oásis. A atividade comercial atingia seu auge durante a famosa feira de Netate, considerada uma das principais do norte da Arábia e realizada anualmente entre os dias 10 e 30 de Moarrão, após a peregrinação. Nela reuniam-se negociantes provenientes de Meca, Iatrebe, Iêmen, Hadramaute, Barém, Taife, Síria, Palestina e Iraque.
Os registros mais antigos conhecidos sobre Caibar remontam ao reinado do último soberano do Império Neobabilônico, Nabonido (r. 556–539 a.C.). Uma inscrição descoberta em Harã em 1956 relata que, após estabelecer sua segunda capital em Temá, o monarca percorreu a região passando por Caibar e Fadaque até alcançar Iatrebe. Outra inscrição bilíngue encontrada em Leja, nas proximidades de Harã, registra que Xarabil ibne Talmu construiu Zelmertul em 463, um ano após uma expedição contra Caibar. Como essa data corresponderia a 568, a campanha foi associada ao reinado de Alharite V (r. 528–569), identificado em algumas fontes árabes como Alharite ibne Abi Xamir. Não se conhece com segurança quando os judeus se estabeleceram em Caibar nem a composição exata da população nos séculos anteriores ao islã. As tradições preservadas por historiadores muçulmanos afirmavam que a região fora inicialmente habitada pelos amalequitas, posteriormente expulsos pelos israelitas, enquanto outros relatos faziam remontar a colonização judaica aos tempos de Moisés, Josué, Saul ou Davi. No início do século XX, alguns estudiosos propuseram que os judeus de Caibar descenderiam dos recabitas estabelecidos na região após a destruição do Primeiro Templo, hipótese igualmente sem confirmação histórica.
Segundo Laura Veccia Vaglieri, a formação da comunidade judaica de Caibar provavelmente esteve ligada aos movimentos migratórios que levaram grupos judaicos da Palestina para as regiões mais férteis do norte da Arábia. A autora considera plausível que esse processo tenha começado após a destruição de Jerusalém em 70 e prosseguido durante os séculos seguintes em consequência das perseguições sofridas pelos judeus. Em sua reconstrução, a imigração teria ocorrido em sucessivas vagas, sendo reforçada pela chegada de parentes, associados e outros membros das comunidades que já haviam encontrado no oásis condições favoráveis de estabelecimento. Trata-se, contudo, de uma hipótese historiográfica baseada em indícios, e não de um fato diretamente documentado pelas fontes antigas. Na época de Maomé, Caibar era habitada por tribos judaicas e por grupos árabes judaizados organizados em torno de diversas fortalezas e extensas propriedades agrícolas. A prosperidade do oásis decorria da combinação entre agricultura, artesanato, comércio e atividades financeiras. Seus habitantes estiveram entre os pioneiros da exploração agrícola intensiva dos oásis do norte da Arábia e destacavam-se pela produção e comercialização de armas, ferramentas, tecidos, joias e outros artigos manufaturados, além de exercer atividades de financiamento e empréstimo. Vaglieri considera provável que parte dessas operações fosse realizada em colaboração com tribos árabes da região, que atuariam como intermediárias comerciais junto às populações do interior da península, fornecendo os judeus o capital e as mercadorias e os árabes o contato com os mercados tribais do interior.
A importância econômica de Caibar também se refletia em suas relações com Meca e Medina. As fontes islâmicas relatam que, por ocasião de grandes festividades realizadas em Meca, era comum o aluguel de panelas de grandes dimensões e joias provenientes do oásis. Os vínculos comerciais favoreceram igualmente casamentos entre mulheres judias de Caibar e membros de importantes clãs coraixitas. Segundo a tradição islâmica, Haxime e seu irmão Almotalibe ibne Abede Manafe casaram-se com mulheres oriundas da região. Também é mencionado que a sacerdotisa consultada por Abede Almotalibe acerca do voto envolvendo um de seus filhos dividia sua permanência entre Medina e Caibar. A Encyclopadia of Islam considera que a riqueza acumulada pelos habitantes do oásis dificilmente pode ser explicada apenas pela agricultura e pelo artesanato destinados ao consumo local. Como indício de uma atividade comercial em maior escala, Vaglieri cita o inventário de objetos encontrados pelos muçulmanos após a conquista, entre os quais figuravam uma máquina de cerco, vinte fardos de tecidos iemenitas e quinhentos mantos. Segundo a autora, esses materiais provavelmente constituíam estoques destinados ao comércio regional, do mesmo modo que armas, lanças e escudos produzidos ou comercializados pelos habitantes de Caibar, interpretação que reforçaria o papel do oásis como um dos principais centros econômicos do norte da Arábia pré-islâmica. Na época de Maomé, Caibar constituía um dos principais centros judaicos do Hejaz e gozava de reputação como localidade fortificada de difícil conquista. Suas fortalezas, consideradas entre as mais sólidas da região, protegiam a população, as áreas agrícolas e as rotas comerciais que atravessavam o norte da Península Arábica, contribuindo para a autonomia política e econômica do oásis até sua conquista pelos muçulmanos em 628.
A conquista de Caibar ocorreu no século VII A.H. (628), sendo considerada um dos episódios decisivos da consolidação do Estado islâmico em Medina. Após a expulsão dos nadiritas de Medina, muitos de seus integrantes estabeleceram-se em Caibar, de onde passaram a exercer considerável influência política e militar. Situado sobre a rota que ligava Medina a Dumate Aljandal, o oásis permitia controlar importantes vias comerciais provenientes da Síria e do Iraque. Segundo a tradição islâmica, os exilados dos nadiritas procuraram organizar uma ampla coalizão contra os muçulmanos, buscando o apoio dos coraixitas de Meca, dos gatafanitas, dos fazaraítas, dos soleimitas e de outras tribos árabes. Essas articulações contribuíram para a formação da aliança que enfrentou os muçulmanos durante a Batalha da Trincheira. Após a celebração do Tratado de Hudaibia com os coraixitas, Maomé eliminou a principal ameaça imediata proveniente de Meca e passou a dispor de maior liberdade para enfrentar Caibar. Pouco mais de um mês depois do acordo, partiu de Medina à frente de um contingente de aproximadamente 1 500 homens. Quando alcançou Saba, os gatafanitas tentaram deslocar-se em auxílio dos habitantes de Caibar, mas recuaram ao acreditarem que seus próprios territórios seriam atacados, deixando os judeus sem o esperado apoio militar. Após uma breve permanência em Arraji, as forças muçulmanas chegaram aos arredores de Caibar.
Os defensores de Caibar prepararam-se para resistir ao cerco. As fontes lhes atribuem entre dez e vinte mil combatentes, além da vantagem proporcionada pelas numerosas fortalezas e pelo amplo suprimento de armamentos. O jurista Açaraqueci descreveu cada fortaleza como protegida por três linhas defensivas, observando que tais obras eram consideradas praticamente inexpugnáveis pelos padrões militares da época. As operações militares desenvolveram-se mediante o ataque sucessivo às fortalezas do oásis. Segundo as tradições preservadas pelas fontes islâmicas, a primeira posição conquistada foi a fortaleza de Naime, cuja localização exata permanece desconhecida. Em seguida, os muçulmanos tomaram Camus, considerada a principal fortificação da cidade e cuja conquista é tradicionalmente atribuída à atuação de Ali ibne Abi Talibe. Posteriormente renderam-se, algumas após combate e outras mediante negociação, as fortalezas de Xique, Netate, Catiba, Uati e Sulalime. Após a capitulação, Maomé decidiu não aplicar aos vencidos as disposições da Torá relativas às cidades conquistadas pela guerra. Em vez disso, garantiu inicialmente a preservação da vida dos habitantes e autorizou-os a deixar Caibar levando seus pertences pessoais. Pouco depois, reviu essa decisão e permitiu que permanecessem na região como cultivadores das terras, mediante um regime de parceria pelo qual entregariam metade da produção agrícola aos muçulmanos. Esse acordo assegurou a continuidade da exploração agrícola do oásis e vigorou durante o restante da vida de Maomé.
Após a conquista, Maomé reservou para o Estado parte das terras de Caibar, incluindo as áreas de Catiba e Sulalime, distribuindo o restante entre os participantes da campanha. Segundo Iacute Alhamaui, as terras de Xique e Netate figuravam entre as parcelas repartidas, enquanto outra tradição preservada por Ibne Catir afirma que parte do oásis foi conquistada pela força e parte mediante capitulação negociada, circunstância que teria influenciado o regime jurídico aplicado a cada área. Alguns autores sustentam que as terras obtidas sem combate passaram diretamente ao patrimônio público, ao passo que outros afirmam que, conforme a prática habitual, apenas o quinto (khums) foi destinado ao Estado. Segundo a tradição preservada nas fontes islâmicas, o território foi dividido em trinta e seis lotes. Parte deles permaneceu sob administração estatal, enquanto o restante foi distribuído entre os participantes da expedição. A renda das áreas reservadas foi utilizada para o pagamento de estipêndios e para custear diversas necessidades da comunidade muçulmana, incluindo despesas administrativas, a manutenção de delegações e visitantes recebidos em Medina e outras obrigações públicas. Embora submetidos ao domínio islâmico, os habitantes judeus de Caibar permaneceram em suas propriedades mediante um acordo de parceria agrícola. Cabia-lhes cultivar as terras e entregar metade da produção, conservando a outra metade para seu sustento. O arranjo permitiu preservar a produtividade do oásis, cuja economia dependia do conhecimento agrícola acumulado por seus habitantes, especialmente no cultivo das tamareiras e na administração dos sistemas de irrigação. Segundo Laura Veccia Vaglieri, a solução adotada respondia também à necessidade prática de manter em funcionamento um sistema agrícola especializado que dificilmente poderia ser imediatamente substituído pelos conquistadores, tradicionalmente menos dedicados ao cultivo da terra.
A formulação do acordo, contudo, não definiu expressamente a situação jurídica das terras nem esclareceu se seus antigos proprietários conservavam algum direito de propriedade sobre elas. Essa indefinição deu origem a extensos debates entre os juristas muçulmanos das gerações posteriores. Em geral, o regime estabelecido em Caibar passou a ser interpretado como uma forma de parceria agrícola, identificada nas obras de direito islâmico com os contratos de muzāraʿa ou musāqāt, tornando-se um dos precedentes mais importantes da jurisprudência islâmica sobre a administração das terras conquistadas. A experiência de Caibar também desempenhou papel importante nas discussões posteriores acerca da distinção entre bens obtidos pela força e aqueles adquiridos mediante acordo. As diferentes interpretações sobre a forma como Maomé distribuiu as terras e seus rendimentos foram posteriormente utilizadas pelos juristas para fundamentar posições divergentes sobre a repartição das terras conquistadas pelo Estado islâmico. A reorganização promovida por Omar ibne Alcatabe após a expulsão da comunidade judaica passou igualmente a integrar esse debate jurídico, sendo frequentemente confrontada com o precedente estabelecido em Caibar.
A comunidade judaica permaneceu em Caibar até o califado de Omar ibne Alcatabe (r. 634–644). Segundo a tradição islâmica preservada por Ahmet Fayda, Omar determinou sua transferência da região em 20 A.H. (641), atribuindo a decisão ao assassinato do ançar Muzair ibne Rafi e ao ataque sofrido por seu filho Abedalá, que teria sido lançado do telhado de uma casa enquanto dormia, fraturando ambos os braços. As fontes islâmicas também preservam um dito atribuído a Maomé segundo o qual duas religiões não deveriam coexistir na Península Arábica, frequentemente citado como fundamento da medida adotada por Omar. Laura Veccia Vaglieri observa, contudo, que alguns estudiosos modernos consideram essa tradição uma elaboração posterior destinada a conferir legitimidade jurídica à decisão do califa. A mesma autora assinala que a crescente disponibilidade de mão de obra escravizada após as conquistas islâmicas tornou desnecessária a permanência dos antigos cultivadores judeus em Caibar, hipótese apresentada como uma possível explicação para a mudança de política então adotada. Segundo Albaladuri, essa decisão também refletia o fortalecimento do domínio muçulmano na região, que já permitia explorar o oásis sem depender da permanência de sua antiga população judaica. Após a expulsão, os antigos habitantes receberam terras em regiões da Síria, enquanto as propriedades agrícolas de Caibar passaram por nova reorganização. Segundo a Encyclopaedia of Islam, Omar promoveu uma nova distribuição das terras do oásis entre aqueles que anteriormente apenas percebiam rendimentos de sua produção, convertendo em propriedade plena direitos que até então incidiam sobretudo sobre a arrecadação agrícola. Essa reorganização marcou o encerramento do regime instituído por Maomé após a conquista e tornou-se um dos principais precedentes discutidos pelos juristas muçulmanos nos debates sobre a administração das terras conquistadas.
Algumas tradições posteriores afirmam que grupos judaicos voltaram a estabelecer-se em Caibar. Entre elas destaca-se o relato do viajante judeu Benjamim de Tudela, que mencionou a existência de cerca de 1 150 judeus na localidade durante o período das Cruzadas. A confiabilidade desse testemunho, contudo, é geralmente considerada reduzida. A Encyclopaedia of Islam menciona ainda referências ocasionais à presença de judeus na região em épocas posteriores, incluindo o relato do viajante italiano Ludovico di Varthema, que registrou a existência de uma comunidade judaica em uma localidade situada entre Damasco e Medina, possivelmente identificável com Caibar, embora essa associação seja considerada incerta. Também são mencionadas notícias transmitidas por alguns viajantes europeus entre os séculos XIX e início do XX, nem sempre confirmadas por outras fontes. Em contraste, o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt, que visitou Caibar no início do século XIX, não encontrou qualquer comunidade judaica estabelecida no oásis. Algumas fontes mencionam documentos atribuídos a Maomé que concederiam privilégios especiais aos judeus de Caibar. Entre eles figura uma carta que lhes garantiria determinados direitos e isenções. Entretanto, Ibne Caiame Aljauzia considerou esse documento espúrio, apresentando diversos argumentos para contestar sua autenticidade. Outro documento, igualmente atribuído a Maomé e redigido em árabe com caracteres hebraicos, estenderia privilégios não apenas aos habitantes de Caibar, mas também aos de Macna. Segundo Muhammed Hamîdullah, esse texto provavelmente foi produzido durante o período fatímida.