Quemaque (Erzinjane)

Quemaque
Kemah
Distrito (ilçe)
Distrito dentro da província
Distrito dentro da província
Distrito dentro da província
Quemaque está localizado em: Turquia
Quemaque
Localização de Quemaque na Turquia
Coordenadas: 39° 36′ N, 39° 02′ L
PaísTurquia
RegiãoAnatólia Oriental
ProvínciaErzinjane
Área
 • Total 2 311 km²
População
 • Total (dezembro de 2021) 7 374 hab.
 • Urbana2 908
Densidade3,2 hab./km²

Quemaque (em turco: Kemah; em curdo: Kemax) ou Camaque (em armênio: Կամախ; romaniz.: Kamaχ) é um município e distrito da província de Erzinjane, na Turquia. O distrito tem 2 311 km² de área e em dezembro de 2021 tinha 7 374 habitantes (densidade: 3,2 hab./km²), dos quais 2 908 na capital de Quemaque. Está localizada na margem esquerda do Eufrates armênio (Frati), próximo às ruínas da antiga fortaleza de Ani, cerca de 42–44 quilômetros a sudeste de Erzinjane, sobre um planalto de solo escuro, cercado por uma extensa planície arborizada e com vegetação.

Quemaque, identificada possivelmente com a antiga Cumaca dos registros hititas, teve grande importância histórica e religiosa na Antiguidade. Foi a cidade santa de Ani e talvez a primeira capital da Armênia Menor após a Paz de Apameia. Nela existiam templos dedicados às divindades Anaíte e Aramasde, e mais tarde serviu como necrópole dos reis arsácidas até ser destruída pelos sassânidas, com apoio de nobres armênios. Durante o início da Idade Média, sob o nome de Camaca, tornou-se uma fortaleza fronteiriça disputada entre bizantinos e muçulmanos, integrando depois o tema bizantino da Mesopotâmia até ser perdida após a Batalha de Manzicerta, em 1071.

Nos séculos seguintes, Quemaque tornou-se um centro cultural e comercial. No século XV, destacou-se pela produção de manuscritos armênios, e em 1515 passou ao domínio otomano. No final do século XIX, possuía uma população mista de armênios e turcos, com vida econômica baseada em ofícios e comércio local. A comunidade armênia, entretanto, foi dizimada durante o genocídio de 1915, quando milhares foram mortos no desfiladeiro de Quemaque. Antes da tragédia, a cidade contava com escola armênia e mercado ativo, com os armênios predominando nas atividades artesanais e comerciais. Após o genocídio, praticamente não restaram armênios na região.

História

Antiguidade

É possível que Quemaque seja o sítio da antiga cidade de Cumaca (Kummaha), que aparece nos registros hititas. Séculos depois, era a importante fortaleza e cidade santa de Ani (Անի), sede do distrito de Daranália. Esse nome pode ter alguma relação com uma tribo oriunda de Atropatena que migrou à Armênia ou mais provavelmente com o nome da deusa Anaíte. Provavelmente deve ser a Atua (*Anua) mencionada por Ptolemeu. Nela existiam templos dedicados a Anaíte e Aramasde (associado a Zeus) e aparentemente foi a primeira capital do Reino da Armênia Menor no rescaldo da Paz de Apameia (188 a.C.). O cronista siríaco Bardasã de Edessa (154–222) instalou-se na cidade por algum tempo. A cidade tornar-se-ia sede da necrópole dos reis arsácidas da Armênia até sua eventual destruição pelos iranianos do Império Sassânida. Segundo Fausto, o Bizantino, a necrópole foi tomada com apoio do nobre armênio (nacarar) Meruzanes I, que ajudou os atacantes romperam as defesas de Ani e pilharam a fortificação e as tumbas dos reis arsácidas, exceto a de Sanatruces I.

Idade Média

Durante o início da Idade Média, sob o nome de Camaca / Camacão (Κάμαχα, Κάμαχον, Kámacha, Kámachon), foi uma fortaleza fronteiriça estrategicamente importante nas guerras entre o Império Bizantino e os Califados Omíada e Abássida. Caiu pela primeira vez aos muçulmanos em 679 e mudou de mãos amiúde até meados do século IX (cf. Cerco de Camaca), quando o controle bizantino foi consolidado. Segundo Constantino VII, no final do século IX formou uma turma no tema de Coloneia. Sob o imperador Leão VI, o Sábio (r. 886–912), foi unida ao distrito de Celzena para formar o novo tema da Mesopotâmia. Pouco se sabe sobre o sítio depois disso, exceto que era a sede de um bispado chamado "Armênia". Os bizantinos perderam o controle da área após a Batalha de Manzicerta em 1071.

Modernidade

No século XV, Quemaque se tornar centro de escrita e cópia de manuscritos. Foram copiados vários manuscritos, dentre os quais dois são conhecidos: um Čašots, escrito em 1439 sob o patrocínio de Quermã Catum, e um Maštots, escrito nas décadas de 50 e 80. Em 1515, Quemaque foi conquistada pelo Império Otomano. Nos séculos XIX–XX, era uma localidade comum, servindo como centro do caza (distrito) homônimo. Em 1872–73, possuía cerca de dois mil habitantes armênios e turcos. No início do século XX, a população chegou a 15 mil pessoas, aproximadamente metade armênios. Segundo outras fontes, em 1914, a localidade tinha sete mil habitantes, dos quais três mil eram armênios. A deslocação forçada e o massacre da população armênia começaram em maio de 1915. Poucos conseguiram escapar, buscando refúgio junto aos curdos em Dersim. Sabe-se que o desfiladeiro de Quemaque foi palco de massacres. Em um caso, 25 mil armênios foram mortos num dia ao jogar as vítimas de um desfiladeiro íngreme no rio Eufrates. Posteriormente, esses sobreviventes se reassentaram em Erzinjane, mas após o genocídio, não restaram mais armênios em Quemaque. Apenas 2–3 anos depois, cerca de 100 migrantes armênios conseguiram se reinstalar na região.

Em Quemaque, havia mais de 15 tipos de ofícios, todos de importância local. A localidade estava conectada a Erzinjane e Acne (atual Quemalie) por uma rota comercial. Possuía um pequeno mercado, cercado por cerca de 100 barracas e oficinas. O comércio era principalmente varejista. No mercado eram vendidos produtos agrícolas, construções artesanais e, em parte, mercadorias diversas provenientes de Erzinjane e Acne. O comércio e os ofícios estavam principalmente nas mãos dos armênios, enquanto estes se dedicavam relativamente pouco à agricultura. Nos anos 1870, funcionava em Quemaque uma escola armênia mista de dois sexos, vinculada à igreja da Santa Mãe de Deus. No período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, a escola tinha 75 alunos e três professores, mas em 1872–73 o número de estudantes havia caído para apenas 24. O copista Gregório de Daranália (1576–1643) diversos líderes do movimento de libertação armênio são naturais de Quemaque.

Geografia

Quemaque está localizada na margem esquerda do Eufrates armênio (Frati), próximo às ruínas da antiga fortaleza de Ani, cerca de 42–44 quilômetros a sudeste de Erzinjane, sobre um planalto de solo escuro, cercado por uma extensa planície arborizada e com vegetação. É uma região abundante em água, atravessada pelo afluente Tanazor do Eufrates. Para consumo, a população trazia água por canalizações a partir de fontes frias próximas. Entre os monumentos históricos e antigas construções de Quemaque, o mais famoso é o castelo, cuja data de fundação é desconhecida. Próximo ao castelo havia uma passagem subterrânea que atravessava o Eufrates, conectando dois bairros subterrâneos. No primeiro bairro, à esquerda do Eufrates, existiam quartéis, palácios com salões e quartos, todos escavados na rocha. O outro bairro, à direita do rio, era simplesmente uma igreja escavada na rocha. Nas proximidades do castelo, observam-se muitas outras antigas construções históricas, sobre as quais é difícil afirmar algo com precisão. No século XIX e início do XX, Quemaque possuía quatro igrejas, das quais duas ainda estavam em pé antes da Primeira Guerra Mundial, enquanto as outras duas provavelmente foram destruídas no século XVIII. Próximo à cidade havia o mosteiro de São Tadeu, também chamado de Deserto do Iluminador.

Composição

O distrito de Quemaque é formado por 73 vilas (köy):

  • Aachessarai (Ağaçsaray)
  • Aquebudaque (Akbudak)
  • Aquecha (Akça)
  • Aquetaxe (Aktaş)
  • Aquiunlu (Akyünlü)
  • Alpecoi (Alpköy)
  • Atma
  • Airanpenar (Ayranpınar)
  • Bexicli (Beşikli)
  • Boazichi (Boğaziçi)
  • Bozolaque (Bozoğlak)
  • Chaquerlar (Çakırlar)
  • Chalgue (Çalgı)
  • Chaleclar (Çalıklar)
  • Chanleiaila (Çamlıyayla)
  • Chidenli (Çiğdemli)
  • Dedeque (Dedek)
  • Dedeolu (Dedeoğlu)
  • Derecoi (Dereköy)
  • Diquiamache (Dikyamaç)
  • Doambeili (Doğanbeyli)
  • Doancoi (Doğanköy)
  • Doruja (Doruca)
  • Dutlu
  • Elgarle (Ilgarlı)
  • Elmale (Elmalı)
  • Eriche (Eriç)
  • Esinli (Esimli)
  • Esquibalar (Eskibağlar)
  • Guediquetepe (Gediktepe)
  • Gocaia (Gökkaya)
  • Golcainaque (Gölkaynak)
  • Gulbaqueche (Gülbahçe)
  • Caquebilir (Hakbilir)
  • Iaja (Yağca)
  • Iaxiler (Yahşiler)
  • Iardere (Yardere)
  • Iastequetepe (Yastıktepe)
  • Injedere (İncedere)
  • Iujebelene (Yücebelen)
  • Carajacoi (Karacaköy)
  • Carada (Karadağ)
  • Cardere (Kardere)
  • Caiabaxe (Kayabaşı)
  • Cazancaia (Kazankaya)
  • Cochecar (Koçkar)
  • Comurcoi (Kömürköy)
  • Conuquessever (Konuksever)
  • Coruiolu (Koruyolu)
  • Cuplu (Küplü)
  • Cutluova (Kutluova)
  • Jevislique (Cevizlik)
  • Maquessutuxae (Maksutuşağı)
  • Mermerli
  • Mesraa (Mezraa)
  • Murateboinu (Muratboynu)
  • Ouscoi (Oğuzköy)
  • Oluquepenar (Olukpınar)
  • Osdamar (Özdamar)
  • Parmacaia (Parmakkaya)
  • Quedeque (Kedek)
  • Quemeriaca (Kemeryaka)
  • Querer (Kerer)
  • Querequedere (Kırıkdere)
  • Sareiaze (Sarıyazı)
  • Seringoze (Seringöze)
  • Surecoi (Sürekköy)
  • Tanderbaxe (Tandırbaşı)
  • Tancoi (Tanköy)
  • Tasbulaque (Taşbulak)
  • Tuzla
  • Uluchenar (Uluçınar)
  • Xaquintepe (Şahintepe)

Referências

Bibliografia