Carlos Manzo | |
|---|---|
| Presidente municipal de Uruapan | |
| Período | 1º de setembro de 2024 a 1º de novembro de 2025 |
| Antecessor(a) | Ignacio Campos Equihua |
| Sucessor(a) | Hilda Flor del Campo Maldonado Medina (interina) |
| Membro da Câmara dos Deputados pelo 9º distrito eleitoral federal de Michoacán | |
| Período | 1º de setembro de 2021 a 24 de fevereiro de 2024 |
| Antecessor(a) | Ignacio Campos Equihua |
| Sucessor(a) | Esteban Rafael Constantino Magaña |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Carlos Alberto Manzo Rodríguez |
| Nascimento | 9 de abril de 1985 Uruapan, Michoacán, México |
| Morte | 1º de novembro de 2025 (40 anos) Uruapan, Michoacán, México |
| Alma mater | Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Occidente |
| Cônjuge | Grecia Quiroz |
| Filhos(as) | 2 |
| Partido | Morena (2020–2024) Independente (2024–2025) |
Carlos Alberto Manzo Rodríguez (Uruapan, 9 de abril de 1985 – Uruapan, 1º de novembro de 2025) foi um político mexicano conhecido por sua luta declarada contra o crime organizado no México. Ele foi deputado federal pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena) de 2021 a 2024 e, em 2024, foi eleito presidente municipal (prefeito) de Uruapan, Michoacán, como candidato independente.
À frente da prefeitura, Manzo ganhou destaque nacional ao declarar tolerância zero ao crime organizado no município. Por essa postura, chegou a ser comparado ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, embora ele mesmo rejeitasse a comparação. Na noite de 1º de novembro de 2025 – durante as celebrações do Dia dos Mortos –, Manzo foi assassinado em uma festividade popular. Seu assassinato causou grande comoção em Uruapan e desencadeou protestos violentos em outras cidades do estado, com um protesto nacional convocado para 15 de novembro.
Carlos Alberto Manzo Rodríguez nasceu em 9 de abril de 1985 na cidade de Uruapan, a segunda maior do estado de Michoacán. Era filho de Juan Manzo Ceja, fundador da primeira galeria de artes visuais da cidade e que liderou um protesto pacífico em 1992 denunciando uma fraude eleitoral local. Manzo formou-se em Ciência Política e Administração Pública pelo Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Occidente (ITESO), uma universidade jesuíta localizada em Guadalajara, Jalisco.
Manzo era casado com Grecia Itzel Quiroz García, que foi candidata ao Congresso de Michoacán pelo 20º distrito (Uruapan Sul) em 2024. O casal tinha dois filhos. Por ocasião do assassinato de Carlos, seu irmão, Juan Daniel, ocupava o cargo de subsecretário do Interior do estado de Michoacán.
A primeira atuação de Manzo na política foi com a ala jovem do Partido Revolucionário Institucional (PRI). De 2017 a 2018, atuou como auditor no Instituto Mexicano do Seguro Social (IMSS) em Michoacán. Nas eleições gerais de 2018, concorreu para representar o 9º distrito eleitoral federal de Michoacán (Uruapan) na Câmara dos Deputados como candidato sem partido, mas obteve menos de 10% dos votos em uma disputa com seis candidatos.
Manzo concorreu novamente pelo mesmo distrito nas eleições intermediárias de 2021, desta vez como candidato do Movimento Regeneração Nacional (Morena), e foi eleito com 41,5% dos votos, derrotando outros oito concorrentes. Durante seu mandato na Câmara Baixa, propôs uma legislação para impor pena de um a quatro anos de prisão, ou multa de 180 a 360 vezes o salário mínimo diário, a qualquer pessoa que realizasse disparos negligentes ao ar livre; a iniciativa não foi adiante. Ele também integrou as comissões permanentes responsáveis por mudança climática e sustentabilidade, saúde e seguridade social.
Em 25 de novembro de 2023, o deputado Manzo foi detido pela Guarda Nacional em Uruapan após denunciar que policiais locais, que não atuavam no setor de trânsito, supostamente tentaram extorquir uma mulher que estava em seu veículo. Manzo afirmou que foi agredido e avisado para "parar de monitorar a polícia". Ele foi libertado após moradores protestarem contra a Guarda Nacional, e seu suplente, Esteban Rafael Constantino Magaña, documentou o estado de Manzo no Facebook. De acordo com Manzo:
Eles me espancaram e me prenderam ilegalmente porque sabem que tenho a imunidade constitucional concedida pelo povo de Uruapan. Eles não querem que nós os monitoremos porque estão roubando os coletores de abacate. Estamos fartos. Eles ameaçaram me matar se me vissem patrulhando as ruas de Uruapan novamente. Eu responsabilizo o governador de Michoacán, Alfredo Ramírez Bedolla, e o General [José Alfredo] Ortega por isso."
Manzo renunciou ao seu mandato no Congresso em 27 de fevereiro de 2024 para concorrer à prefeitura de Uruapan nas eleições daquele ano. Inicialmente, ele buscou a indicação do Morena para o cargo, mas perdeu para o prefeito em exercício, Ignacio Campos Equihua. Sendo um crítico da gestão Campos, decidiu concorrer como independente. Na eleição de 2 de junho, obteve 66% dos votos em uma disputa com seis candidatos e, em setembro de 2024, tomou posse como o primeiro prefeito independente da história de Uruapan.
No contexto da guerra às drogas no México, sua administração adotou uma linha dura contra o crime organizado, baseada no "confronto direto". Dada a priorização do governo federal por processos criminais em vez de confrontos armados, essa postura lhe rendeu a censura da presidente Claudia Sheinbaum. Entre outras ações, ele investiu 50 milhões de pesos (cerca de US$ 2,6 milhões) em viaturas para a polícia municipal. Sua estratégia de tolerância zero contra o crime rendeu-lhe comparações com o presidente salvadorenho Nayib Bukele, embora ele rejeitasse a analogia.
Após o assassinato de uma funcionária municipal em 21 de maio de 2025, Manzo autorizou a polícia municipal a usar força letal contra criminosos que atacassem o público ou resistissem à prisão. A presidente Sheinbaum declarou que ele estava errado e que o Estado de Direito devia ser preservado. Em resposta, Manzo desafiou-a a resolver a crise no município com a política de "Abraços, não balas" do governo federal. "Não podemos dar abraços para criminosos", declarou, e ofereceu-se para renunciar ao cargo se ela achasse que poderia resolver a situação "com palavras gentis e pedidos de rendição" sem disparar um único tiro.
Em setembro de 2025, após o assassinato de um policial municipal, Manzo cancelou as comemorações do Dia da Independência no município – incluindo a encenação tradicional do Grito de Dolores e um desfile planejado – e solicitou apoio direto da presidente Sheinbaum para conter a violência na área, causada pela presença de gangues criminosas armadas ilegalmente. O governo federal e o estadual deslocaram 300 membros das forças de segurança para o município em 30 de setembro, mas eles foram retirados duas semanas depois. Manzo acreditava que o apoio foi retirado como consequência do seu fechamento simbólico do projeto de construção do teleférico realizado pelo governo estadual no município. No mês seguinte, ele pediu ao governo federal que fornecesse armas de nível militar para a polícia municipal, incluindo metralhadoras FN Minimi, para equiparar-se ao poder de fogo usado pelos criminosos.
Em uma pesquisa Mitofsky de junho de 2025 que media a percepção pública sobre 150 prefeitos do país, Manzo recebeu a 32ª maior aprovação. Embora nunca tenha confirmado candidatura, ele era amplamente visto como um potencial candidato ao governo do estado nas eleições de 2027.

Em 1º de novembro de 2025, Manzo compareceu ao Festival de las Velas no centro histórico de Uruapan, uma tradicional celebração do Dia dos Mortos com velas na cidade. Por volta das 20h10 (horário local), enquanto estava com sua família, observando as decorações do festival e conversando com moradores, Manzo foi atacado e atingido por sete tiros. Três das balas o atingiram nas costas e no abdômen – sendo este último o ferimento fatal – enquanto ele caminhava ao lado de seu filho. Ele foi declarado morto em um hospital local. Tinha 40 anos. Víctor Hugo de la Cruz, membro do conselho municipal de Uruapan, e um guarda-costas também ficaram feridos no ataque.
Em entrevista coletiva no dia seguinte, o secretário federal de Segurança Pública, Omar García Harfuch, informou que o assassino de Manzo havia sido morto pelas forças de segurança e que outras duas prisões haviam sido realizadas. A arma utilizada no ataque, uma pistola 9 mm, foi posteriormente vinculada a outros dois incidentes que resultaram em três mortes e dois feridos. Harfuch também afirmou que Manzo estava sob proteção federal desde dezembro de 2024 e que, em maio de 2025, 14 soldados da Guarda Nacional e dois veículos haviam sido designados para sua segurança, complementando seu esquema de segurança formado por policiais municipais de sua confiança.
A síndica municipal Hilda Flor del Campo Maldonado Medina foi nomeada sucessora interina de Manzo, enquanto seus apoiadores pediam que sua viúva, Grecia Quiroz, fosse nomeada para completar o mandato do marido. O governador de Michoacán, Alfredo Ramírez Bedolla, confirmou que o substituto de Manzo seria determinado por seu próprio movimento independente, e uma proposta formal nesse sentido foi protocolada no congresso estadual. Quiroz tomou posse como prefeita em 5 de novembro de 2025, para concluir o restante do mandato de seu marido. Ela prometeu dar continuidade à sua postura contra o crime organizado.
Quiroz reuniu-se com a presidente Sheinbaum no Palácio Nacional da Cidade do México em 3 de novembro. No dia seguinte, Sheinbaum anunciou o "Plano Michoacán pela Paz e Justiça", uma estratégia de segurança para o estado que inclui o destacamento da Guarda Nacional, mais efetivos federais e a criação de uma unidade especial no ministério público estadual. O plano abrange três grandes eixos temáticos: segurança e justiça, desenvolvimento econômico com justiça, e educação e cultura para a paz. Reuniões com o gabinete de segurança federal serão realizadas a cada quinze dias, e um sistema de alerta para os prefeitos do estado será implementado.
Manzo foi o sétimo presidente municipal assassinado em Michoacán durante o governo de Alfredo Ramírez Bedolla (membro do Morena eleito para um mandato de seis anos em 2021) e o sexto prefeito morto no país em 2025.
No funeral de Manzo em Uruapan, em 2 de novembro, o governador Ramírez Bedolla foi recebido com indignação por uma multidão de centenas de moradores. Pessoas presentes o chamaram de assassino e exigiram justiça pelo assassinato do prefeito. A segurança do governador o aconselhou a se retirar após menos de cinco minutos no velório; a revista Proceso também noticiou que Grecia Quiroz, viúva de Manzo, teria pedido que ele se retirasse. Milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Uruapan para acompanhar o corpo de Manzo em seu último adeus. Dirigindo-se à multidão na praça principal da cidade, Quiroz conclamou a todos a continuarem defendendo seu país "com unhas e dentes".
Uma marcha de protesto foi organizada em Morelia, a capital de Michoacán, em 2 de novembro. Os manifestantes gritavam: "Claudia não ouviu e o governo o matou". Posteriormente, um contingente – "que chegou a centenas de pessoas" – invadiu o palácio do governo estadual. Armados com coquetéis molotov, paus e pedras, os manifestantes forçaram a entrada principal do edifício e obtiveram acesso aos escritórios governamentais no interior. Eles atearam fogo a alguns móveis, jogaram outros peças na rua e picharam slogans nas paredes internas e externas. A polícia disparou gás lacrimogêneo dentro do complexo para dispersar os manifestantes, e o prédio foi colocado sob guarda policial; oito pessoas foram presas.
Uma segunda marcha em Morelia foi organizada por estudantes em 3 de novembro, durante a qual um estudante de direito foi ferido no olho por uma bala de borracha. Manifestações adicionais ocorreram nos municípios de Pátzcuaro, Zitácuaro e Apatzingán, em Michoacán, com queixas que também condenavam o assassinato de Bernardo Bravo duas semanas antes. Em Apatzingán, a quarta maior cidade do estado, manifestantes invadiram o palácio municipal e incendiaram móveis. Grecia Quiroz pediu que as pessoas evitassem manifestações violentas, dizendo que não era o que seu marido teria desejado.
Usuários das redes sociais organizaram um protesto nacional para 15 de novembro, que ocorrerá em cidades como a Cidade do México, La Paz e Cabo San Lucas, na Baja California Sur, e Zamora, em Michoacán.