Carlos Ortiz

 Nota: Este artigo é sobre um escritor brasileiro. Para outras pessoas com o mesmo nome, veja Carlos Ortiz (desambiguação).
Carlos Ortiz
Nascimento31 de julho de 1910
Jambeiro (São Paulo), SP
Morte31 de julho de 1995 (85 anos)
Nacionalidadebrasileiro
OcupaçãoDiretor de cinema, Roteirista,Crítico de cinema

Carlos Ortiz (Jambeiro (São Paulo), 31 de julho de 1910 - 1995) foi um Diretor de Cinema, Roteirista, Crítico de cinema e Acadêmico

Religioso e escritor

Formado em teologia no Seminário de Taubaté, chegou a atuar como pároco no interior de São Paulo. No início da década de 1940 abandonou a vida religiosa e mudou-se para a capital paulista. Foi casado com Marília de Souza Grassi (1930-2001), com quem teve três filhos; Georgette Ortiz, Rui Blás Ortiz e Renan Ortiz; e três netos; Bruna Romanelli Ortiz, Lígia Romanelli Ortiz e Leonardo Próspero Ortiz.

Interessado em assuntos judaicos, publicou uma "Antologia judaica" (1948) em parceria com Jacob Guinsburg e traduziu diretamente do iídiche (1949) o romance "A Mãe", de Sholem Arsch. Conhecedor de várias línguas, inclusive grego e latim, foi também o tradutor brasileiro (1947) de "A Grande conspiração: a guerra secreta contra a Rússia Soviética", dos jornalistas norte-americanos Michael Sayers e Albert E. Kahn.

Crítico de cinema

Por volta de 1945, Ortiz começou a interessar-se por cinema, tornando-se ferrenho defensor da produção brasileira, como crítico, professor, teórico e, mais tarde, também como realizador. Ajudou a criar o seminário de cinema do MASP e escreveu crítica na Folha da Manhã (1948-52), de onde acabou sendo demitido por pressão do comércio cinematográfico. Escreveu também no jornal Notícias de hoje (1952-54) e eventualmente na revista Fundamentos, órgãos ligados ao Partido Comunista Brasileiro.

Publicou livros de divulgação sobre a atividade cinematográfica, entre os quais uma "Cartilha do cinema" (1949, título da coluna que manteve durante anos na Folha da Manhã) e "A Montagem na arte do cinema" (1955). Em "O Romance do gato preto" (1953), uma das primeiras tentativas de história do cinema brasileiro, fixou como 5 de novembro 1907 a data em que teria acontecido a primeira filmagem no país, pelo português Antônio Leal; embora mais tarde tenham sido comprovadas filmagens bem anteriores, isto fez com que, nos anos 1950, o 5 de novembro tenha sido instituído como dia do cinema brasileiro.

Carlos Ortiz teve destacada participação na política cinematográfica do Brasil. Em 1951, foi o primeiro presidente da APC (Associação Paulista de Cinema), tendo como colegas de diretoria nomes como Oduvaldo Vianna, Rodolfo Nanni, Galileu Garcia e Bráulio Pedroso. Em 1952, foi um dos principais articuladores do I Congresso Paulista do Cinema Brasileiro e, alguns meses depois, do I Congresso do Cinema Nacional, ao lado de Nelson Pereira dos Santos e Alex Viany.

Cineasta

Como cineasta, Carlos Ortiz iniciou sua carreira em 1950, em plena era dos grandes estúdios, escrevendo e dirigindo o filme independente "Alameda da Saudade, 113", um melodrama realista filmado em locações, baseado num episódio policial ocorrido em Santos.

Em seguida, contratado por alguns meses pela Cinematográfica Maristela, foi roteirista e assistente de direção de Meu destino é pecar, de Manuel Peluffo; e atuou como ator coadjuvante em O Comprador de Fazendas, de Alberto Pieralisi. Mais tarde, no Rio de Janeiro, voltou à direção com "Luzes nas sombras" (co-dirigido por Heládio Fagundes), um filme de ficção sobre a luta contra o câncer, lançado em 1953, com participação dos atores Hélio Souto e Herval Rossano.

A partir da metade dos anos 1950, abandonou a carreira cinematográfica, voltando a residir com a família no interior paulista e dedicando-se ao magistério, primeiramente em Santos e mais tarde em São José dos Campos.

Em 1981, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo publicou o livro "Carlos Ortiz e o cinema brasileiro na década de 50", organizado por Carlos Eduardo Ornelas Berriel.

Bibliografia

Nota: Luiz Felipe Miranda, em seu "Dicionário de cineastas brasileiros", cita ainda dois outros títulos: "Dicionário do cinema brasileiro" e "O Roteiro e sua técnica", mas estes livros provavelmente nunca foram publicados.

Filmografia

Referências