| Casa dos Ventos | |
|---|---|
| Razão social | Casa dos Ventos S.A. |
| Nome comercial | Casa dos Ventos |
| Sociedade anônima fechada | |
| Atividade | Energia renovável |
| Fundação | 2007 (origem da empresa) |
| Fundador(es) | Mário Araripe |
| Sede | Fortaleza, Ceará, Brasil |
| Área(s) servida(s) | Brasil |
| Locais | Escritórios em Fortaleza e São Paulo |
| Presidente | Mário Araripe |
| Pessoas-chave | Lucas Araripe (diretor-executivo) |
| Produtos | Energia elétrica de fontes eólica e solar |
| Serviços | Desenvolvimento e operação de usinas; comercialização de energia elétrica |
| Acionistas | Salus FIP (66%) e TotalEnergies (34%) |
| Website | casadosventos.com |
Casa dos Ventos é uma empresa brasileira que desenvolve, constrói e opera projetos de geração de energia renovável, sobretudo de fontes eólica e solar. Fundada em 2007 pelo empresário cearense Mário Araripe, começou pela prospecção de áreas e pelo desenvolvimento de projetos eólicos para terceiros. Posteriormente, passou a construir parques próprios e a comercializar eletricidade diretamente com grandes consumidores.
A denominação jurídica Casa dos Ventos S.A. refere-se a uma sociedade registrada em 17 de agosto de 2021, posterior ao início das atividades empresariais em 2007.
Em 2022, a companhia constituiu uma associação no segmento de geração renovável com a francesa TotalEnergies, que adquiriu uma participação de 34% na estrutura anunciada naquele ano. Em setembro de 2026, a TotalEnergies anunciou um acordo para elevar sua participação a 49%, operação ainda sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na data desta redação.
Mário Araripe fundou a Casa dos Ventos em 2007, depois de vender a fabricante de veículos Troller à Ford. O engenheiro Odilon Camargo, seu ex-colega do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, incentivou seu interesse pelo potencial eólico do Nordeste. A empresa inicialmente identificou locais adequados à instalação de parques, mediu os ventos e obteve acesso a terrenos para preparar projetos destinados a outras companhias do setor elétrico.
Quando ocorreu o primeiro leilão brasileiro dedicado à energia eólica, em 2009, a companhia já possuía projetos com dados de medição e estimativas de geração, que negociou com participantes do certame. A partir de 2010, passou também a investir na implantação de empreendimentos próprios.
Projetos contratados em leilões de energia realizados em 2013 e 2014 contribuíram para a expansão da empresa como investidora em geração. Em setembro de 2015, inaugurou o complexo Ventos de Santa Brígida, em Pernambuco, formado por sete parques eólicos com capacidade instalada de 181,9 megawatts (MW). Também implantou Ventos de São Clemente, em Pernambuco, Ventos de Tianguá, no Ceará, e Ventos do Araripe III, entre Pernambuco e Piauí.
Em janeiro de 2016, a Cubico Sustainable Investments comprou da Casa dos Ventos dois parques já em operação, em Pernambuco e no Piauí, com 392 MW de capacidade conjunta, por cerca de R$ 2 bilhões, incluindo a assunção de dívidas. Em maio de 2017, os complexos Ventos de Tianguá e Ventos de São Clemente foram vendidos à Echoenergia, plataforma do fundo Actis. Em dezembro do mesmo ano, a companhia negociou Ventos do Araripe III, de aproximadamente 360 MW, com uma sociedade formada pela Votorantim Energia e um fundo canadense. As alienações integravam a estratégia de financiar o desenvolvimento de novos projetos.
No fim da década de 2010, a Casa dos Ventos ampliou os contratos de fornecimento de eletricidade diretamente com empresas do mercado livre de energia. A estratégia passou a incluir acordos em que os consumidores poderiam adquirir participações em usinas, na modalidade de autoprodução. Um dos projetos desse período foi o complexo Rio do Vento, no Rio Grande do Norte, com uma primeira fase de 504 MW cuja operação começou de forma parcial em 2021.
Em outubro de 2022, a Casa dos Ventos e a TotalEnergies anunciaram uma associação para desenvolver e operar ativos de geração renovável no Brasil, com participações iniciais de 66% para a parte brasileira e 34% para a companhia francesa. O acordo previa uma opção de aquisição de participação adicional pela TotalEnergies. Em abril de 2023, a Casa dos Ventos estabeleceu uma parceria com a ArcelorMittal para a construção e operação conjunta do complexo Babilônia Centro, na Bahia, cuja parte eólica, de 553,5 MW, alcançou operação comercial plena em 2025.
Em setembro de 2026, a TotalEnergies anunciou o exercício da opção para elevar sua participação na Casa dos Ventos a 49%. Os instrumentos também previam a incorporação de negócios brasileiros de geração renovável da francesa à estrutura da companhia. A operação foi submetida ao Cade e ainda precisava de sua aprovação na data desta redação.
Além da fonte eólica, a empresa passou a desenvolver usinas fotovoltaicas. Em março de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou o início da operação comercial de 200 MW do complexo Fótons de Santa Larissa, na Bahia, descrito pela imprensa especializada como o primeiro projeto solar da companhia a entrar em operação. Em julho daquele ano, a Folha de S.Paulo informou que a Casa dos Ventos possuía 4,3 gigawatts (GW) em atividade comercial, considerando usinas eólicas e solares.
No Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, a empresa desenvolve um projeto de produção de hidrogênio e amônia a partir de energia renovável. A instalação industrial recebeu aprovação do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação em 2025, mas ainda dependia de uma decisão final de investimento em setembro de 2026. Em maio de 2026, a companhia também assinou com a Omnia, do Pátria Investimentos, um contrato de fornecimento de energia por 20 anos para um centro de dados em construção no Pecém destinado à ByteDance. O valor contratual anunciado foi de aproximadamente US$ 2 bilhões.
Em reportagem publicada em 2025, o jornal El País registrou relatos de moradores do quilombo Serra dos Rafaéis, em Simões, Piauí, sobre ruídos, sombras dos aerogeradores e efeitos sobre o cotidiano da comunidade após a implantação de Ventos do Araripe III, empreendimento construído pela Casa dos Ventos. Procurada pelo jornal, a empresa afirmou que não mantinha relação com a operação desses projetos desde 30 de maio de 2018 e que havia cumprido as exigências dos órgãos ambientais durante o período em que atuou na região. A reportagem identificou outro operador para o complexo à época da publicação.