| Chaos Computer Club (CCC) | |
|---|---|
| Tipo | ONG |
| Fundação | 12 de setembro de 1981 |
| Sede | Hamburgo, Alemanha |
| Membros | 7 700 |
| Website | www |
O Chaos Computer Club (CCC) é a maior associação alemã e europeia de hackers.
Seus objetivos mais importantes são liberdade de acesso à informação, liberdade de expressão e a exigência demais transparência nos governos. A sociedade se diz aberta a todos que se identificam e compactuam com estes objetivos.
Embora os hackers e a própria organização descrevam o Chaos Computer Club como uma "comunidade galáctica", que não admite ser controlada por meio de atos de administração, ainda existe uma gama de pessoas registradas como integrantes da associação, que consta com aproximadamente 7,700 membros registrados.
O CCC foi criado com a finalidade de dar aos hackers uma plataforma, de modo que pudessem relatar atividades, sem temer perseguições. Priorizando a liberdade de informação e o direito humano a informação e comunicação, sempre prezando pelos princípios do hacktivismo ético. O grupo também luta pelo acesso gratuito e universal da tecnologia, apoiando os avanços tecnológicos da sociedade e o uso de softwares livre e open-source. O Chaos Computer Club também apoia a tecnologia livre do capitalismo e de grandes corporações, principalmente as Big Techs, sempre acreditando em uma tecnologia mais democratizada e caracterizada pelo hacktivismo.

O CCC foi fundado em Berlim em 12 de setembro de 1981 no jornal die tageszeitung por Herwart Holland-Moritz, mais conhecido como Wau Holland, em antecipação ao papel proeminente que a tecnologia da informação teria sobre a maneira das pessoas viverem e se comunicarem. Segundo o jornal The Guardian a organização surgiu como oposição ao monopólio de telecomunicações da empresa alemã Deutsche Bundespost, que além de dominar todo o mercado de comunicação na Alemanha Ocidental, também restringia pelo meio de regulamentação estatal computadores domésticos de se conectarem em qualquer rede sem uma aprovação técnica prévia. Criminalizando o uso dos computadores de forma livre e os vigiando constantemente.
No início de 1984, foi publicada a primeira edição da revista Datenschleuder. na mesma época, a revista exibiu como fabricar um modem caseiro apelidado de “Datenklo”, esse dispositivo foi projetado para permitir a comunicação de dados entre computadores usando linhas telefônicas de forma barata, o dispositivo não foi aprovada pelos Correios Federais na época. As instruções de como montar um próprio modem foram posteriormente impressas na "Bíblia Hacker" em 1985.
O CCC é mais conhecido por suas demonstrações públicas de riscos da ciber segurança. Em 1996, os membros do CCC demonstraram um ataque de encontro à tecnologia ActiveX da Microsoft, mudando dados pessoais em uma base de dados Quicken. Em abril de 1998, o CCC demonstrou com sucesso a clonagem de cartão de cliente GSM, burlando o algoritmo de encriptação A3 e A8.

Em 2013, o CCC demonstrou a clonagem de impressão digital por meio de fotografias feitas por câmeras convencionais, abordando a não segurança do uso da biometria nos celulares da Apple, mais especificamente o iPhone 5s. Já em 2017, o CCC também conseguiu quebrar a detecção de íris do novo Samsung Galaxy S8 com a mesma técnica anterior, sempre alertando que senhas PIN ou de diversos caracteres são mais seguras.
Dirk Engling, porta-voz do CCC diz: "Se você se importa com os dados armazenados no seu telefone, ou se você utiliza ele para realizar pagamentos, você deveria usar a melhor a proteção disponível e comprovada do código PIN, ao invés do seu próprio corpo".
No 39º Congresso de Comunicação do Chaos, em 2025, uma hacker alemã chamada Martha Root, derrubou e expôs um site de relacionamentos focado apenas em pessoas brancas ou caucasianas, o site também contava com diversas imagens de propaganda nazista que eram postadas frequentemente pelos seus usuários. A hacker invadiu o site Whitedate.net e extraiu mais de 8.000 perfis, usando diversos robôs com inteligência artificial para criar perfis falsos e fingir conversar com seus pretendentes amorosos, sendo que o objetivo era de coletar os dados de seus usuários.
Após isso, a hacker expôs todos os perfis extraídos do site em um endereço chamado “okstupid.lol”. Em seguida, ela subiu ao palco durante um evento do CCC vestida de Power Ranger rosa e, ao vivo, deletou em cerca de quarenta minutos todos os sites relacionados ao Whitedate.net, bem como suas redes sociais, servidores e bancos de dados.
A organização vai além de apenas conceitos técnicos e hacktivistas e também trabalha na esfera artística. Em 2001, o CCC comemorou seu vigésimo aniversário com uma instalação do projeto dubbed Blinkenlights que transformou o edifício Haus des Lehrers, em Berlim, em uma tela de computador gigante. Uma outra instalação em 2002 nomeada Arcade dubbed, foi exposta na Biblioteca Nacional da França e foi uma das maiores instalações de luzes para fins artísticos na época.

A CCC realiza o evento anual Chaos Communication Congress, a maior reunião hacker da Europa. Quando o evento era realizado no centro de congressos em Hamburgo em 2013 atraiu mais de 9.000 convidados. Para a edição de 2016, 11.000 convidados eram esperados, com ainda mais pessoas assistindo via streaming. Já em 2025, o número de convidados no evento passou dos 16.000
A cada cinco anos, o Chaos Communication Camp é uma opção ao ar livre para hackers do mundo inteiro. O CCC também foi realizou de 2009 a 2013 uma conferencia anual chamada SIGINT em Colônia que se focava no impacto da digitalização na sociedade. A conferencia SIGINT deixou de ser realizada em 2014. Outro evento anual da CCC acontece no final de semana da Páscoa é o Easterhegg, mais direcionado a workshops que os outros eventos.
A C-base é um espaço comumente frequentado por hackers, interessados em hardware, programadores, pessoas interessadas na cultura cyberpunk e wikipedistas da Alemanha, o local fica localizado em Berlin. A CCC frequentemente usa a estação c-base como local de evento ou como sala funcional.

Em 1989, o CCC foi envolvido no primeiro caso de espionagem cibernética internacional. Um grupo de hackers alemães, conduzidos por Karl Koch (que era ligado ao CCC) foi pego burlando os sistemas do governo dos Estados Unidos e computadores incorporados, bem com vendendo informações e códigos fontes dos sistemas operacionais aos soviéticos.
Outro episódio de espionagem cibernética envolvendo a organização também ocorreu em 1989 em Lyon na França, onde uma organização que se passava pelo CCC, chamada de Chaos Computer Club France (CCCF), era na realidade, uma organização de fachada estabelecida pelo governo francês com ajuda da Gendarmaria Nacional francesa, que buscava identificar possíveis hackers franceses que poderiam servir de risco ao país.
A NSA dos Estados Unidos em 2014 estava investigando e coletando dados de tráfego de rede advindo de diversos nós da rede TOR que eram hospedados pelo CCC, usando o software XKeyScore, a NSA conseguiu descobrir quem eram os hosteadores de diversos nós e guardou informações das vítimas e do tráfego de rede.