Chen Jitang

Fotografia de Chen Jitang

Chen Jitang (Fangcheng, 23 de janeiro de 1890 – Taipé, 3 de novembro de 1954) foi um oficial militar e governador da República da China. Depois do início da sua carreira militar, tornou-se presidente do governo de Cantão, desenvolvendo a província. Mais tarde, em aliança com a Nova Camarilha de Quancim, Chen fundou um governo nacionalista rival em Cantão, competindo com o governo de Chiang Kai-shek. Durante a Segunda Guerra Mundial, participou como membro das Comissões de Defesa e Estratégia do Governo Nacional Chinês. Terminada a guerra, foi nomeado governador da ilha de Hainan, bem como assessor estratégico presidencial, depois de o governo nacionalista se ter exilado em Taiwan.

Primeros anos de carreira

Nascido numa família da etnia hacá, em Fangcheng, Quancim, uniu-se à Aliança Revolucionária Chinesa em 1908 e começou a servir no exército de Cantão em 1920, onde ascendeu do batalhão a comandante de brigada. Foi designado comandante da 11.ª divisão do 4.º exército em 1925 e assumiu o comando da guarnição da cidade de Qinzhou, em Guangxi, em 1926, motivo pelo qual permaneceu no sul durante a Expedição do Norte. Em 1928, foi nomeado comandante do 4.º exército de rota.

Governador de Cantão

O controlo autónomo de Chen em Cantão foi formalizado através do estabelecimento do Conselho Político do Sudoeste e do Quartel-General do Sudoeste do Comité Executivo Central do Partido Nacionalista. Após se tornar presidente de Cantão em 1931, virou-se contra Chiang Kai-shek e fundou um governo nacionalista rival. Depois da prisão e libertação de Hu Hanmin, aliou-se aos comandantes do exército da Nova Camarilha de Guangxi. Não fosse o incidente de 18 de setembro desse ano, que recordou aos nacionalistas quão imperiosa era a sua unidade, outra guerra civil poderia ter acontecido.

De 1931 a 1936, Chen foi comandante-chefe do 1.º grupo de exércitos. De 1929 a 1931, contribuiu com o desenvolvimento da província, o que incluiu a pavimentação de ruas e a construção de grandes centros comerciais, numerosas fábricas e a primeira ponte moderna sobre o rio das Pérolas. Supervisionou o estabelecimento dum sistema de educação pública com escolas primárias e secundárias modernas, bem como prestigiosas universidades (entre elas, a Universidade Sun Yat-sen). Por vezes, este governo é recordado afetuosamente pelos habitantes da provincia como a Era de Ouro, enquanto Chen é apelidado como o Rei Celestial do Sul  (em chinês, 南天王).

Quinta campanha

Durante a quinta campanha contra o soviete de Jiangxi, Chiang nomeou Chen comandante-chefe da frente do sul, o que lhe conferiu autoridade sobre 300.000 homens (30% do milhão de soldados que integravam as forças nacionalistas mobilizadas contra a base comunista). O trabalho de Chen era bloquear a fronteira sul do soviete, evitando uma possível retirada nessa direção. No entanto, cumpriu o seu dever apaticamente, pois suspeitava que Chiang pretendia afastá-lo e tomar o controlo do seu território, como tinha feito anteriormente com os senhores da guerra locais de Fuquiém. Chen fez secretamente um acordo com os comunistas, mediante o qual as forças do Exército Vermelho Chinês puderam atravessar o seu território sem serem intercetadas. Foi somente no final da marcha que mobilizou 180.000 dos seus 300.000 homens, fazendo assim parecer que tinha cumprido o seu dever, mas evitando uma batalha real.

Conspiração

Hu Hanmin, que era um dos maiores partidários políticos de Chen, faleceu em maio de 1936. Nesse contexto, Chiang sugeriu terminar com a autonomia de Cantão para enfraquecer ainda mais Chen, que reagiu imediatamente iniciando uma conspiração com a Nova Camarilha de Guangxi, com o objetivo de derrubá-lo, utilizando como pretexto os seus maus resultados na defesa contra a invasão japonesa. No entanto, esta estratégia revelou-se contraproducente para Chen, pois muitos dos seus soldados viram a sua ideia como uma ameaça à unidade que era necessária para a defesa contra o Japão, e decidiram desertar, começando a prestar serviço ao governo central da República da China, liderado por Chiang. Após meses de manobras políticas, subornos, deserções e negociações, o conflito — conhecido como o incidente de Liangguang — foi resolvido pacificamente com a renúncia de Chen em julho e a sua fuga para Hong Kong. A Nova Camarilha de Guangxi abandonou o plano em setembro. Este evento é considerado um antecedente do famoso incidente de Xian.

Final da sua carreira

Durante a Segunda Guerra Mundial, Chen foi membro do governo nacional, da Comissão Suprema de Defesa Nacional e da Comissão Estratégica. Ademais, assumiu o comando do ministério de agricultura e silvicultura do gabinete. Depois da guerra, foi nomeado governador da ilha de Hainan (naquela altura, parte da província de Cantão). Em abril de 1950, quando a dita ilha caiu sob controlo comunista, escapou para Taiwan, onde foi nomeado assessor estratégico do presidente. Faleceu em 3 de novembro de 1954 em Taipé, Taiwan. Os seus restos mortais reposam no distrito de Beitou.

Família

Chen teve um total de 3 esposas e 18 filhos. Entre eles encontra-se Shu-Park Chan, professor de engenharia elétrica na Universidade de Santa Clara e fundador — ademais de primeiro presidente — da Universidade Tecnológica Internacional, ambas no Vale do Silício.

Fontes

Notas e referências

Notas

  1. ↑ em chinês tradicional: 陳濟棠; chinês simplificado: 陈济棠; Chên2 Chi4 Tʻang2 pela transliteração Wade–Giles, ou Chén Jìtáng, pela pinyin

Referências

  1. ↑ Lloyd E. Eastman (2020). The Abortive Revolution China Under Nationalist Rule, 1927–1937. [S.l.]: BRILL. p. 113. ISBN 9781684172924
  2. ↑ Donald A. Jordan (2001). China's Trial by Fire The Shanghai War of 1932. [S.l.]: University of Michigan Press. p. 4. ISBN 9780472111657
  3. ↑ «Professor Shu-Park Chan, 1929-2013». International Technological University. Consultado em 15 de março de 2013. Cópia arquivada em 14 de março de 2013
  4. ↑ Diane Dreher (1996). The Tao of Personal Leadership. [S.l.]: HarperCollins. pp. 240–242. ISBN 9780887308376