Chope | |
|---|---|
| Copo de cerveja tirada à pressão. | |
| Informações | |
| Tipo | Cerveja servida de barril |
| Outros nomes | chopp, draught beer, draft beer |
| Serviço | |
| Recipiente | cask ou keg |
| Método de serviço | Gravidade, bomba manual ou sistema pressurizado |
| Gás | Dióxido de carbono, nitrogênio ou mistura dos dois |
Chope ou chopp é, no Brasil, a cerveja servida diretamente de barril por meio de uma torneira. A bebida pode chegar ao copo pela força da gravidade, por uma bomba manual ou por um sistema pressurizado, no qual gases como dióxido de carbono e nitrogênio empurram a cerveja do barril até a torneira.
Em inglês, a cerveja servida dessa maneira é chamada de draught beer, ou draft beer na grafia mais comum na América do Norte. O termo abrange cervejas tiradas de casks e kegs, inclusive algumas que foram filtradas ou pasteurizadas antes do acondicionamento. Em Portugal, são usados os nomes imperial e fino para a cerveja tirada à pressão.
No Brasil, "chope" tem ainda um sentido próprio na regulamentação dos produtos de cervejaria. A denominação é reservada à cerveja que não passou por pasteurização nem por tratamento térmico semelhante ou equivalente. Por isso, o uso brasileiro é mais restrito que draught beer, que se refere somente à forma de acondicionamento e serviço.
A palavra inglesa draught vem de formas antigas ligadas ao verbo draw, no sentido de puxar ou retirar, e remonta ao nórdico antigo dráttr. A grafia draft, usada sobretudo na América do Norte, nasceu como uma forma fonética da mesma palavra. O sentido aplicado à bebida veio do ato de tirar a cerveja do barril.
Por muitos séculos, a cerveja saía diretamente do barril, que podia ficar sobre o balcão, atrás dele ou em outro cômodo, e corria pela torneira pela força da gravidade.
Em 1797, o inventor britânico Joseph Bramah patenteou uma bomba manual para cerveja, mais tarde conhecida como beer engine. Um pistão puxava a bebida por uma tubulação desde o cask, permitindo guardar o barril em uma adega ou depósito abaixo do balcão. Bombas desse tipo ainda são usadas para cervejas condicionadas em cask.
Os barris de madeira foram comuns no transporte e no serviço de cerveja até meados do século XX, quando recipientes de aço inoxidável começaram a ocupar seu lugar no comércio cervejeiro. Na década de 1950, os kegs metálicos se espalharam junto com sistemas que usavam gás para manter a pressão dentro do recipiente.
A Guinness começou a vender cerveja nitrogenada em escala comercial na Inglaterra em 1959. O sistema combinava nitrogênio e dióxido de carbono e produzia bolhas menores, com uma espuma mais densa que a obtida somente com dióxido de carbono. A cerveja chegou à Irlanda nesse formato em 1964.
Na década de 1970, muitos pubs britânicos haviam trocado parte das cervejas condicionadas em cask por cervejas de keg, que exigiam menos cuidados no estabelecimento. A Campaign for Real Ale, conhecida pela sigla CAMRA, passou a usar a expressão real ale para a cerveja que continua a fermentar no cask antes de ser servida.

A cerveja destinada ao serviço por barril passa pelas mesmas etapas básicas usadas em outras cervejas. O malte moído é misturado com água durante a mosturação. Depois da separação dos sólidos, o mosto é fervido, em geral com lúpulo, resfriado e recebe a levedura. Na fermentação, a levedura transforma os açúcares em álcool e dióxido de carbono. A cerveja passa pela maturação antes de ser acondicionada.
Depois da fermentação, a cerveja pode ser clarificada ou filtrada antes de ir para o barril. Algumas passam por pasteurização, enquanto outras conservam leveduras ativas e fazem uma nova fermentação dentro do próprio recipiente.
No vocabulário cervejeiro britânico, cask e keg designam recipientes e formas de serviço diferentes. Um cask pode ser feito de aço inoxidável, alumínio, madeira ou plástico e não usa a válvula de serviço e o tubo interno encontrados nos kegs modernos.
Na cerveja condicionada em cask, parte da levedura permanece depois da primeira fermentação e volta a fermentar dentro do barril, produzindo parte do dióxido de carbono que carbonata a bebida. O cask é ventilado para controlar a pressão, e a cerveja sai pela gravidade ou por uma bomba manual.
A cerveja condicionada em cask, na forma tradicional, não é filtrada nem pasteurizada e seu serviço dispensa a pressão contínua de dióxido de carbono usada em muitos sistemas de keg.
O keg moderno costuma ser feito de aço inoxidável e possui uma válvula central ligada a um tubo que desce quase até o fundo. Quando o acoplador é conectado, o gás entra pela parte superior e a pressão empurra a cerveja pelo tubo em direção à torneira.
Antes de cada enchimento, os kegs retornáveis são lavados e sanitizados. O recipiente também é pressurizado antes de receber a cerveja, reduzindo a entrada de oxigênio.
A cerveja colocada em keg pode ser filtrada e pode passar por pasteurização antes do enchimento. Nem toda draught beer, por esse motivo, corresponde ao que a legislação brasileira permite chamar de chope.

Num sistema pressurizado, o gás entra no keg pelo acoplador e empurra a cerveja através da linha até a torneira. A bebida precisa permanecer refrigerada nesse percurso, e a pressão é ajustada de acordo com a resistência criada pelo comprimento e pelo diâmetro da tubulação.
Em instalações menores, o barril pode ficar logo abaixo ou ao lado da torneira, dentro de um compartimento refrigerado. Quando os barris ficam em uma câmara fria mais distante, a cerveja percorre linhas maiores até o balcão. Tubos refrigerados com glicol podem acompanhar essas linhas para manter a temperatura da bebida até o momento do serviço.
O dióxido de carbono é usado sozinho em muitos sistemas. Algumas cervejas recebem uma mistura de dióxido de carbono e nitrogênio, que muda a textura das bolhas e da espuma.

O dióxido de carbono produzido durante a fermentação permanece em parte dissolvido na cerveja. Cervejas filtradas podem receber mais gás antes do acondicionamento, e a quantidade dissolvida depende da temperatura e da pressão.
Ao sair do sistema pressurizado, parte desse dióxido de carbono deixa o líquido e forma bolhas. Uma pressão mal ajustada, mudanças de temperatura ou problemas na linha podem produzir espuma em excesso.
No Brasil, a camada de espuma que fica no alto do copo é chamada de "colarinho".
Nas cervejas nitrogenadas, a bebida passa por uma placa com pequenos orifícios perto da torneira. A queda de pressão cria bolhas menores e uma espuma mais compacta do que a produzida apenas por dióxido de carbono.
A pasteurização reduz os microrganismos que podem deteriorar a cerveja e prolonga seu tempo de conservação. Uma cerveja destinada a keg pode passar por esse processo antes do enchimento, enquanto as cervejas não pasteurizadas exigem mais cuidado com a refrigeração durante o armazenamento e o serviço.
Restos de cerveja se acumulam dentro das linhas e podem alterar o aroma, o sabor e a formação da espuma. A Brewers Association recomenda limpar as linhas a cada duas semanas e fazer limpezas mais profundas em intervalos maiores.
O nome draught também é usado em algumas cervejas vendidas em latas e garrafas que procuram reproduzir parte da textura de uma cerveja tirada por torneira. Um dos recursos empregados é o widget, um pequeno dispositivo oco que libera gás quando a embalagem é aberta.
Cervejeiros da Guinness desenvolveram esse dispositivo em 1968 e receberam uma patente britânica em 1972. As primeiras latas da marca com widget chegaram ao mercado em 1988, seguidas por garrafas em 1999. Ao abrir a embalagem, o gás liberado agita a cerveja e cria a espuma associada às versões nitrogenadas servidas de keg.
Nesse uso, draught faz parte do nome e da apresentação de uma cerveja já embalada, que não está sendo retirada de um barril no momento do consumo.
O serviço por torneira tem presença frequente nas microcervejarias e entre produtores de cerveja artesanal, principalmente quando a fabricação e a venda ocorrem no mesmo endereço. Nos Estados Unidos, o setor distingue as microcervejarias dos brewpubs e das chamadas taproom breweries. Nos dois últimos modelos, boa parte da cerveja é vendida no próprio estabelecimento e pode seguir dos tanques de armazenamento diretamente para o sistema de serviço.
Um brewpub combina a produção de cerveja com restaurante ou bar, enquanto uma taproom brewery concentra a venda no salão da própria cervejaria sem manter um serviço amplo de alimentação. As microcervejarias também podem ter torneiras abertas ao público, embora a maior parte de sua produção seja vendida fora da fábrica na classificação usada pela indústria cervejeira norte-americana.
O barril permite que uma mesma cervejaria mantenha estilos diferentes nas torneiras e troque os produtos servidos conforme cada lote chega ao ponto de venda. Para o consumidor, a cerveja termina seu percurso no próprio sistema de serviço da cervejaria ou passa por kegs enviados a bares, restaurantes e outros estabelecimentos.

A palavra "chope" chegou ao português pelo francês chope, vindo do alemão Schoppen. A grafia "chopp" também é usada no Brasil e consta da regulamentação federal dos produtos de cervejaria.
Uma cerveja só pode ser vendida com a denominação "chope" ou "chopp" quando não passou por pasteurização nem por tratamento térmico semelhante ou equivalente. A regra cria uma diferença entre o sentido brasileiro e o uso de draught beer em inglês, que também abrange cervejas pasteurizadas servidas de keg.
O chope já fazia parte das vendas da Brahma em 1927 e tinha procura maior em certas épocas do ano. Era enviado em barris aos estabelecimentos, onde era tirado e servido aos consumidores. Em janeiro de 1934, a empresa lançou a cerveja engarrafada Brahma Chopp. A publicidade aproximava o produto do chope vendido em barris e apresentava a garrafa como uma maneira de levar para casa uma bebida consumida sobretudo em bares e espaços de lazer.
O número de cervejarias brasileiras cresceu com a abertura de pequenos produtores e estabelecimentos voltados à cerveja artesanal. Em 2025, havia 1.954 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária, distribuídas por 794 municípios. O cadastro reunia 44.212 produtos e 56.170 marcas de cerveja. Esses números abrangem cervejarias de todos os portes e não apenas as artesanais.

Em Portugal, "imperial" e "fino" são nomes usados para cerveja tirada à pressão. "Imperial" é corrente em Lisboa e arredores, enquanto "fino" é usado no Porto.
O nome "imperial" em Lisboa remonta à Fábrica Germânia, cujos carros de distribuição exibiam uma águia negra de inspiração germânica. Com o início da Primeira Guerra Mundial, a empresa cobriu a águia em 1914 para evitar hostilidade contra o estabelecimento. Quando Portugal entrou na guerra contra a Alemanha em 1916, a fábrica deixou o nome Germânia e passou a chamar-se Portugália. "Imperial" já fazia parte da maneira lisboeta de pedir cerveja de pressão e permaneceu em uso.
As pequenas cervejarias ganharam espaço em Portugal a partir da década de 2010, junto com a expansão da cerveja artesanal. Em 2023, mais de cem marcas portuguesas desse tipo estavam à venda, sobretudo em cafés, bares, restaurantes e hotéis. Algumas fábricas passaram a receber consumidores no próprio local. A Dois Corvos, em Lisboa, mantinha uma sala de provas com 17 torneiras ligada à unidade de produção.
A legislação fiscal portuguesa possui uma categoria própria para "pequenas cervejeiras". O estatuto pode ser concedido a uma empresa independente que tenha um único entreposto fiscal de produção, não opere sob licença ou por conta de outra cervejeira e produza até 200 mil hectolitros por ano. A cerveja produzida e declarada para introdução no consumo por essas empresas paga 50% da taxa normal do imposto aplicável. "Pequena cervejeira" é uma categoria fiscal e não uma definição de cerveja artesanal.
No Reino Unido, cervejas de cask e de keg seguem formas diferentes de acondicionamento e serviço. A cerveja condicionada em cask pode ser tirada por gravidade ou pelas bombas manuais vistas nos balcões de muitos pubs, enquanto a de keg costuma chegar à torneira sob pressão de gás.
Nos Estados Unidos, a grafia draft beer é mais comum e o serviço por keg está presente em bares, restaurantes, brewpubs e salas de prova de cervejarias. O modelo de taproom brewery, no qual uma parcela da produção é vendida no próprio local, tornou-se uma categoria própria dentro do mercado de cerveja artesanal do país.
Na Alemanha, a palavra Fassbier designa simplesmente a cerveja tirada de barril. Na República Tcheca, a cerveja de torneira é uma presença comum nos pubs e pode também ser servida a partir de grandes tanques refrigerados ligados diretamente ao sistema de torneiras.