| Clean Feed | |
|---|---|
| Fundação | 2001 |
| Fundador | Pedro Costa |
| Gênero(s) | Jazz, free jazz, música improvisada |
| País de origem | Portugal |
| Localização | Lisboa |
| Página oficial | cleanfeed-records |
Clean Feed (também Clean Feed Records) é uma editora discográfica portuguesa de jazz contemporâneo e música improvisada, fundada em Lisboa em 2001 por Pedro Costa, com os irmãos e um grupo de amigos. Com os selos Trem Azul e Shhpuma, editou mais de 800 discos de músicos portugueses e estrangeiros, até anunciar, em junho de 2026, o fim das novas edições.
Pedro Costa, organizador de concertos e antigo funcionário de uma loja de discos, viajou em 2000 a Nova Iorque com o irmão Carlos e dois amigos, com a ideia de criar uma editora. Segundo o Público, Costa, então com cerca de 30 anos, propôs aos músicos nova-iorquinos Lou Grassi e Steve Swell que viessem a Portugal gravar o primeiro disco de uma editora que ainda não existia. Segundo Costa, a Clean Feed nasceu a 16 de março de 2001, data de um concerto gravado ao vivo no Seixal; dessa gravação resultou o primeiro disco, At Seixal, do grupo The Implicate Order, com Steve Swell, Ken Filiano, Lou Grassi, Rodrigo Amado e Paulo Curado. Costa começou a editora com os dois irmãos, e Rodrigo Amado juntou-se alguns meses depois. A editora estava associada à empresa Trem Azul, criada ao mesmo tempo, que reunia também uma distribuidora, uma loja de discos e vários festivais no estrangeiro. Segundo Costa, o nome refere-se, na terminologia do vídeo, a uma alimentação com um sinal limpo.
Em 2004, a Clean Feed tinha cinco funcionários e perto de 25 edições, com músicos como Gerry Hemingway [en], Whit Dickey, Rob Brown, Steve Swell, Paul Dunmall, Steve Lehman [en], Bernardo Sassetti e Carlos Zíngaro. Costa situa o início do impacto internacional da editora no disco Devils Paradise, do quarteto de Gerry Hemingway. Em 2009, segundo uma reportagem divulgada pelo All About Jazz, o catálogo contava cerca de 140 títulos, um terço dos quais de músicos dos Estados Unidos, o principal mercado da editora. Por volta de 2006, Costa começou a produzir em Nova Iorque um festival anual da Clean Feed; a editora organizou também apresentações em cidades como Madrid, Barcelona, Liubliana, Utrecht e Chicago. A centésima edição foi um álbum quádruplo de Anthony Braxton com o guitarrista Joe Morris [en]. Em dezembro de 2014, a editora tinha cerca de 350 CD editados, uma equipa de quatro pessoas e distribuidores em nove países, e o seu catálogo incluía Tim Berne [en], Anthony Braxton, Kris Davis [en], Mary Halvorson [en] e Steve Lehman. O disco mais vendido da editora foi Nocturno, do trio de Bernardo Sassetti, com cerca de 10 mil exemplares.
Segundo o crítico Stef Gijssels, a Clean Feed era inicialmente conhecida sobretudo por músicos de free jazz norte-americanos, mas os músicos portugueses foram-se tornando gradualmente conhecidos a par destes, entre eles Rodrigo Amado, Carlos Zíngaro, Bernardo Sassetti, Carlos Barretto, Luís Lopes, o RED Trio, Sei Miguel, Susana Santos Silva e Luís Vicente. Num estudo publicado em 2025, o etnomusicólogo Pedro Roxo atribui o crescimento da editora a uma rede de distribuidores e editores estrangeiros, à proximidade com os músicos e com a crítica, incluindo a revista jazz.pt, e às colaborações entre instrumentistas portugueses e estrangeiros. A identidade gráfica das capas deve-se a Rui Garrido, autor das primeiras 104 capas até 2008, e a Travassos, que desenhou cerca de 550 capas seguintes e que é também curador do selo irmão Shhpuma, dedicado a estéticas mais experimentais.
A Trem Azul manteve uma loja de discos perto do Cais do Sodré, em Lisboa, que dispunha de uma sala de ensaios cedida gratuitamente aos músicos; depois de deixar a loja, a empresa mudou a sede para a Parede, onde Costa passou a organizar concertos na Sociedade Musical União Paredense e, em 2016, programou três noites de jazz português no festival Desvio. Costa foi ainda programador do festival Jazz ao Centro, em Coimbra (2003–2012), do Portalegre JazzFest (desde 2011) e, com Bogdan Benigar, do Festival de Jazz de Liubliana (2011–2017), e dirigiu a programação do festival Causa | Efeito, organizado em 2023 pela Universidade Nova de Lisboa para assinalar os seus 50 anos.
Em 2021, ano do vigésimo aniversário, a editora mantinha a atividade com trabalhadores em regime de lay-off; a pandemia de COVID-19 reduzira a faturação, já que muitos discos eram vendidos no final dos concertos dos músicos. Nessa altura, a Clean Feed e a Shhpuma somavam mais de 600 edições. Em 2024, Costa anunciou que a editora deveria provavelmente encerrar no final desse ano, e em agosto o Público interrogou-se se as edições desse verão seriam as últimas «de uma referência do jazz mundial», mas as edições continuaram até junho de 2026, quando Costa anunciou o último lançamento da Clean Feed: Viva! O Carro de Fogo de Sei Miguel, um CD duplo póstumo com as duas últimas atuações ao vivo da banda O Carro de Fogo de Sei Miguel; o músico morrera em novembro de 2025. A empresa anunciou que continuaria a vender o catálogo e a programar alguns festivais, sem editar novos discos.
Em 2021, no vigésimo aniversário, o Público escreveu que a editora «não demorou a afirmar-se como uma das mais importantes casas para o jazz contemporâneo a nível mundial», sob o lema de Pedro Costa «wrong but strong». Segundo a mesma reportagem de 2009, baseada num despacho da Reuters, o All About Jazz incluiu a Clean Feed entre as cinco melhores editoras de jazz do mundo durante dois anos consecutivos. Em 2013, a editora foi nomeada para o prémio de editora do ano da Jazz Journalists Association, atribuído à ECM Records. Em 2015, Derk Richardson, da revista The Absolute Sound, descreveu-a como uma editora que «leva a música criativa muito a sério». Em 2021, a agência Lusa referiu que a crítica especializada a tinha distinguido repetidamente como uma das melhores editoras de jazz do mundo.