Conde de Assumar

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Conde de Assumar
Primeira Criação
Criação D. Filipe III de Portugal
Carta de 30 de março de 1636
Ordem 1.ª criação
1.º Titular D. Francisco de Melo
Linhagem Melo
Títulos Subsidiários Visconde de Caseda
Marquês de Villescas (em Espanha)
Segunda Criação
Criação Príncipe regente D. Pedro, em nome de D. Afonso VI
Carta de 11 de abril de 1677
Ordem 2.ª criação
Tipo Em vida
1.º Titular D. Pedro de Almeida
Linhagem Almeida Portugal

Conde de Assumar foi um título nobiliárquico português, criado duas vezes: por carta passada em Madrid a 30 de março de 1636 pelo rei D. Filipe III de Portugal a favor de D. Francisco de Melo, e por carta de 11 de abril de 1677 do príncipe regente D. Pedro, em nome de D. Afonso VI, a favor de D. Pedro de Almeida, com o senhorio da vila de Assumar, perto de Portalegre.

O 3.º Conde da segunda criação foi feito 1.º Marquês de Alorna em 1748, e o título de Conde de Assumar passou a ser usado pelos herdeiros dos marqueses.

História

Primeira criação (1636)

D. Francisco de Melo, filho primogénito de D. Constantino de Bragança, de cuja casa descende a dos Duques de Cadaval, nasceu em 1597. A mãe é chamada D. Brites de Castro no epitáfio do pai e D. Inês de Castro na inscrição da sepultura que o próprio D. Francisco mandou fazer. Passou a Castela, onde foi gentil-homem da câmara de Filipe IV, do Conselho de Estado e mordomo-mor da rainha D. Isabel de Bourbon, e recebeu o título de Conde de Assumar por carta de 30 de março de 1636.

Foi membro do Conselho de Portugal e embaixador em Génova, em Roma e em Viena, onde estava quando se deu a revolução de 1640. Permaneceu ao serviço de Espanha e foi acusado de ter influído na prisão do infante D. Duarte de Bragança, irmão de D. João IV. Foi plenipotenciário na Vestefália, vice-rei da Sicília, de Aragão e da Catalunha e, por morte do cardeal-infante D. Fernando, governador e capitão-general dos Países Baixos. Como comandante dos exércitos espanhóis venceu os franceses do Conde de Guiche em Honnecourt, na Picardia, a 26 de maio de 1642, e foi derrotado por Condé em Rocroi, a 19 de maio de 1643; voltou a Madrid em 1644. Filipe IV deu-lhe, em 1646, os títulos de Visconde de Caseda (16 de agosto) e de Marquês de Villescas (7 de setembro), também grafado Ilhescas ou Vellescos. Morreu em Madrid em 1651, aos 54 anos. Casou com D. Antónia de Vilhena, filha de Henrique de Sousa, 1.º Conde de Miranda, de quem teve, entre outros, D. Gaspar Constantino de Melo, Marquês de Ilhescas.

Segunda criação (1677)

D. Pedro de Almeida era bisneto de outro D. Pedro de Almeida, neto do prior do Crato D. Diogo Fernandes de Almeida, presidente do Senado da Câmara de Lisboa no tempo de Filipe II e comendador de Loures, que instituiu com a mulher, D. Maria Coutinho, um morgado para o filho primogénito; um irmão do 1.º Conde, D. Luís de Almeida Portugal, foi 1.º alcaide-mor de Borba. D. Pedro sucedeu na casa, foi comendador de Loures e serviu na guerra do Alentejo; foi também senador da Câmara de Lisboa e deputado da Junta dos Três Estados.

D. Pedro de Almeida, nomeado vice-rei da Índia em 1677, recebeu a 11 de abril desse ano o título de Conde de Assumar. Na mesma data, um alvará permitiu ao filho mais velho, D. João de Almeida, que o acompanhava, suceder-lhe no título, com direito adquirido à sucessão se o pai morresse depois de chegar a Moçambique, e com a mesma condição de segredo. D. Pedro morreu a 22 de março de 1679, com 49 anos, em Goa, antes de findo o prazo, durante a expedição de socorro a Mombaça, depois de ter destroçado a armada árabe de Pate.

D. João de Almeida regressou ao reino e pagou os direitos do título em 18 de novembro de 1679, mas só obteve a carta de Conde de Assumar a 28 de janeiro de 1694, por oposição do procurador da coroa. Foi capitão da guarda de D. Pedro II a partir de 1704, acompanhou o arquiduque Carlos a Barcelona como embaixador e foi um dos fundadores da Academia Real da História. Foi deputado da Junta dos Três Estados e do Conselho de Estado e de Guerra de D. João V, e acompanhou o arquiduque desde o desembarque deste em Lisboa. O filho deste, D. Pedro Miguel de Almeida Portugal, foi criado Marquês de Castelo Novo em 1744 e Marquês de Alorna em 1748; a partir de então, o título de Conde de Assumar foi usado pelos herdeiros dos Marqueses de Alorna.

Os dois filhos do 3.º Marquês de Alorna, sucessivamente Condes de Assumar, morreram sem descendência em 1805 e 1806. A tia deles, D. Leonor de Almeida Portugal, recebeu por decreto de 26 de outubro de 1823 os títulos de Marquesa de Alorna e de Condessa de Assumar.

Nome de família

O apelido dos Condes de Assumar da segunda criação era Almeida Portugal: o 1.º Conde descendia por varonia dos Almeidas, Condes de Abrantes, e pela avó paterna, D. Joana de Portugal, dos Portugais, Condes de Vimioso.

Brasão de armas

As armas dos Condes de Assumar da segunda criação eram: esquartelado das armas dos Almeidas (de vermelho, besantes de ouro entre uma dobre cruz, com bordadura de ouro) e das dos Portugais (de prata, uma aspa de vermelho carregada de cinco escudetes das armas do reino). Timbre: uma águia besantada de ouro, de vermelho ou de negro. D. Francisco de Melo, da primeira criação, usou: de prata, uma aspa de vermelho carregada de cinco escudetes das armas do reino.

Condes de Assumar (primeira criação, 1636)

# Titular Datas Títulos Notas Ref.
1D. Francisco de Melo1597–16511.º Conde de AssumarFilho primogénito de D. Constantino de Bragança. Casou com D. Antónia de Vilhena, filha do 1.º Conde de Miranda.
2D. Gaspar Constantino de Melo—2.º Conde de Assumar
(Marquês de Ilhescas, em Espanha)
Filho do anterior.

Condes de Assumar (segunda criação, 1677)

# Titular Datas Títulos Notas Ref.
1D. Pedro de Almeida1630–16791.º Conde de AssumarFilho de D. João de Almeida e de D. Violante Henriques. Vice-rei da Índia. Casou com D. Margarida André de Noronha, filha do 1.º Conde da Torre.
2D. João de Almeida Portugal1663–17332.º Conde de AssumarFilho do anterior. Carta de 28 de janeiro de 1694. Casou com a prima coirmã D. Isabel de Castro (m. 1724), dama da rainha D. Maria Francisca de Saboia, filha do 1.º Marquês de Fronteira.
3D. Pedro Miguel de Almeida Portugal1688–17563.º Conde de Assumar
(1.º Marquês de Alorna)
Filho do anterior. Casou em 1715 com D. Maria José de Lencastre (1698–1749), filha dos 4.ºs Condes de Vila Nova.
4D. João de Almeida Portugal1726–18024.º Conde de Assumar
(2.º Marquês de Alorna)
Filho do anterior. Casou em 1747 com D. Leonor de Lorena (ou de Távora) (1729–1790), filha dos 3.ºs Marqueses de Távora.
5D. Pedro José de Almeida Portugal1754–18135.º Conde de Assumar
(3.º Marquês de Alorna)
Filho do anterior. Casou em 1782 com D. Henriqueta da Cunha (1767–1829), filha dos 6.ºs Condes de São Vicente.
6D. João de Almeida Portugal1786–18056.º Conde de AssumarFilho do anterior. Morreu sem descendência.
7D. Miguel de Almeida Portugal1787–18067.º Conde de AssumarIrmão do anterior. Alferes da Legião Lusitana. Morreu sem descendência.
8D. Leonor de Almeida Portugal1750–18398.ª Condessa de Assumar
(4.ª Marquesa de Alorna)
Filha do 4.º Conde, tia do anterior. Casou em 1779 com Carlos Augusto, Conde de Oyenhausen-Gravenburg (1739–1793).
9D. Leonor Benedita de Oyenhausen de Almeida1779–18509.ª Condessa de Assumar
(5.ª Marquesa de Alorna)
Filha da anterior. Casou com D. João José Luís Mascarenhas Barreto, 6.º Marquês de Fronteira. Teve descendência.
Para o resto da sucessão, ver Marquês de Alorna.

Ver também

Referências

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  15. ↑ Teixeira de Aragão, A. C. (1880). Descripção geral e historica das moedas cunhadas em nome dos reis, regentes e governadores de Portugal. 3. Lisboa: Imprensa Nacional. pp. 303–305. Consultado em 22 de outubro de 2026
  16. ↑ «Marquesa de Alorna». Imprensa Nacional. 28 de janeiro de 2022. Consultado em 22 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 3 de agosto de 2026