Conde de Resende

Conde de Resende

Pariato Reino de Portugal
Criação José I de Portugal
9 de junho de 1754
Ordem Grande do Reino
Tipo Juro e herdade
1.º titular D. António José de Castro, Almirante de Portugal
Linhagem Castro (13 arruelas)
Solar Solar Condes de Resende
D. José Luís de Castro, 2.º Conde de Resende (1744–1819)
D. Manuel Benedito de Castro Pamplona, 6.º Conde de Resende (1845–1907)

Conde de Resende foi um título nobiliárquico português criado pelo rei D. José I, por decreto de 9 de junho de 1754, a favor de D. António José de Castro, Almirante de Portugal. Os seus titulares, do ramo dos Castro das treze arruelas, acumularam o título com o ofício hereditário de Almirante de Portugal. Sete condes usaram o título durante a Monarquia.

História

Antecedentes

Por varonia, os Condes de Resende pertencem à linhagem dos Castro. Esta remonta a D. Fernando, filho ilegítimo de D. Sancho I de Aragão, que casou com D. Maria Álvares, herdeira do solar dos Castro, filha de D. Álvaro Fernandes, senhor de Castrojeriz e alcaide-mor de Toledo depois de ter participado na sua conquista.

Antes da criação do título, a casa dos Castro já reunia um conjunto de senhorios e ofícios hereditários: o senhorio de Penela, concedido em 1378, o de Benviver, em 1424, e o morgado de Resende, instituído em 1465, a que se juntava o senhorio de Reriz. Possuía também o ofício de Almirante de Portugal, instituído em 1317, que entrou na família pelo casamento de D. Simão de Castro, duodécimo neto do fundador da linhagem, com D. Bernarda de Meneses, filha herdeira de João de Azevedo, 10.º Almirante de Portugal, e da sua primeira mulher, D. Joana de Meneses; o filho de ambos, D. João de Castro, foi já almirante e senhor daquelas terras.

A casa passou depois para D. Francisco de Castro (m. 1693), também almirante e capitão da Guarda Real dos Archeiros, e deste para os filhos. O primogénito sobrevivente, D. João José de Castro, herdou-a ainda menor, tendo o cargo de almirante sido exercido nesse período por Lopo Furtado de Mendonça, 1.º Conde de Rio Grande; morreu sem casar e sucedeu-lhe o irmão, D. Luís Inocêncio de Castro, 14.º Almirante de Portugal, capitão da Guarda Real dos Archeiros e capitão de Diu. D. Luís Inocêncio detinha ainda, no Brasil, a Capitania de Ilhéus e as vilas de Camamu, Boipeba, Cairu e Itaparica, com cinquenta léguas de terra. Casou em 1708 com D. Joana Cecília de Lancastre, dama da rainha, e deste casamento nasceu o futuro 1.º Conde de Resende.

Criação do título e titulares

O título foi concedido a D. António José de Castro por carta de 9 de junho de 1754, de juro e herdade e com três dispensas da Lei Mental, confirmando-lhe a mesma carta o ofício de almirante, já hereditário na família. A mercê compensava a renúncia da casa à Capitania de Ilhéus e às vilas associadas, no quadro da política do Marquês de Pombal de reintegrar na Coroa as capitanias hereditárias do Brasil. Desde a criação do título, os condes exerceram o cargo de Almirante de Portugal, a que se juntou, em 1834, o de porteiro-mor da Casa Real; o título foi renovado no 6.º Conde por decreto de 20 de abril de 1876.

O 2.º Conde, D. José Luís de Castro, foi vice-rei do Brasil entre 1790 e 1801, período marcado pela Conjuração Mineira e pela execução de Tiradentes. Em sua honra, a vila de Campo Alegre passou a chamar-se Resende, atual município de Resende. Um irmão seu, D. António José de Castro, foi bispo do Porto e cardeal patriarca de Lisboa.

No século XIX, os casamentos do 4.º e do 6.º condes incorporaram na família as casas dos viscondes de Beire e dos condes de Carvalhal, cuja representação os chefes da família passaram a acumular. Dois filhos do 6.º Conde casaram com filhos do escritor Eça de Queirós, seus primos direitos.

Propriedades

O Solar dos Condes de Resende foi adquirido pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia a 30 de outubro de 1984, por escritura celebrada com João de Castro de Mendia, representante do título. A propriedade surge pela primeira vez documentada na Carta de Negrelos, de 1042, e pertenceu sucessivamente a várias famílias de relevo: os Baldaya, os Pamplona Carneiro Rangel (mais tarde Viscondes de Beire) e, a partir do século XIX, os Condes de Resende.

Manuel Benedito de Castro Pamplona, 6.º Conde de Resende, morreu neste solar em 1907. Era cunhado do escritor Eça de Queiroz, que fora seu condiscípulo na juventude; foi aqui que Eça conheceu Emília, irmã do conde, com quem casou em 1886. Ao longo do século XX, a casa foi habitada por membros da família, pelos seus rendeiros e, mais tarde, pela família Sarmento Pimentel. Funciona hoje como centro cultural municipal.

Armas

Condes de Resende (1754)

# Titular Datas Título Notas Ref.
1 D. António José de Castro 1719–1782 (ou 1801) 1.º Conde de Resende Primeiro titular. Filho de D. Luís Inocêncio de Castro, 14.º Almirante de Portugal, e de D. Joana Cecília de Lancastre. Nasceu em São Salvador de Resende a 3 de julho de 1719. Segundo Canedo, morreu em Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, a 10 de dezembro de 1782; Silveira Pinto indica como data de morte 14 de julho de 1801. 15.º Almirante de Portugal, 5.º capitão da Guarda Real dos Archeiros, conselheiro de Estado e presidente do Conselho Ultramarino. Casou a 12 de janeiro de 1741, no oratório das casas do Conde de São Vicente na Calçada do Combro (freguesia de Santa Catarina), com D. Teresa Xavier da Cunha e Távora (1720–1783), filha de Manuel Carlos da Cunha, 4.º Conde de São Vicente, e de D. Isabel de Noronha. Tiveram catorze filhos.
2 D. José Luís de Castro 1744–1819 2.º Conde de Resende Filho do anterior. Nasceu na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa, a 19 de agosto de 1744 e morreu no palácio de Santa Clara, em Lisboa, a 23 de março de 1819. 11.º senhor de Penela, 13.º senhor de Reriz e Benviver e senhor do morgado de Resende; 16.º Almirante de Portugal, 6.º capitão da Guarda Real dos Archeiros e tenente-general do Exército. Foi vice-rei do Brasil e capitão-general de mar e terra nos estados do Brasil de 1790 a 1801. Casou na freguesia da Encarnação, a 11 de setembro de 1774, com D. Maria do Resgate do Rosário de Noronha (1748–1822), filha herdeira de D. Lourenço de Noronha, governador da Índia, e de D. Ana de Almeida Portugal, filha dos 1.ºs Marqueses de Alorna. Tiveram doze filhos.
3 D. Luís Inocêncio Benedito de Castro 1777–1824 3.º Conde de Resende Filho do anterior, a quem sucedeu a 23 de março de 1819. Nasceu na freguesia de Santa Engrácia, em Lisboa, a 5 de setembro de 1777 e morreu a 7 de janeiro de 1824. Senhor de Penela, 14.º senhor de Reriz e Benviver e senhor do morgado de Resende; 17.º Almirante de Portugal, 7.º capitão da Guarda Real dos Archeiros, marechal de campo, governador da praça de Abrantes e inspetor de milícias do Alentejo; comendador de Capa-Rosa na Ordem de Cristo e comendador da Ordem da Torre e Espada. Casou a 2 de março de 1813, na freguesia de Santos-o-Velho, com a prima direita D. Maria José Inocência (ou Emerenciana) da Piedade da Silveira (1792–1852), filha de D. Brás Baltasar da Piedade da Silveira e de D. Ana Isabel de Castro, filha do 1.º Conde. Tiveram cinco filhos.
4 D. António Benedito Maria do Coração do Santíssimo Sacramento e Castro 1820–1865 4.º Conde de Resende Filho do anterior e único sobrevivente, a quem sucedeu, ainda criança, a 7 de janeiro de 1824. Nasceu na freguesia de São Sebastião da Pedreira a 30 de novembro de 1820 e morreu a 24 de abril de 1865. Par do Reino desde 1826, 13.º senhor de Penela, 15.º senhor de Reriz e Benviver e senhor do morgado de Resende; 18.º Almirante de Portugal, porteiro-mor da Casa Real, 8.º capitão da Guarda Real dos Archeiros e capitão graduado de infantaria; comendador da Ordem de Cristo. Casou na freguesia de Cedofeita, no Porto, a 8 de outubro de 1843, com D. Maria Balbina Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Miranda e Figueiroa (1819–1890), filha e herdeira de Manuel Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Miranda e Figueiroa, 1.º Visconde de Beire, e de D. Maria Helena de Sousa Holstein; por este casamento, a casa de Beire foi incorporada na de Resende. Tiveram onze filhos.
5 D. Luís Manuel Benedito da Natividade de Castro Pamplona 1844–1876 5.º Conde de Resende Filho primogénito do anterior. Nasceu a 30 de agosto de 1844 e morreu solteiro a 23 de maio de 1876. Formado em engenharia de pontes e estradas pela Academia Politécnica do Porto, sucedeu no pariato do pai, tomando posse como par do Reino a 10 de maio de 1870; foi ainda oficial-mor da Casa Real e 19.º Almirante de Portugal. Deixou um filho ilegítimo, que perfilhou: D. Luís de Castro Pamplona (1870–1935), funcionário superior do Banco Nacional Ultramarino, que casou em 1905 com D. Emília Maria das Dores Teles da Gama, filha dos 1.ºs Condes de Cascais; foram pais de Manuel Luís de Castro Pamplona, marido da 9.ª Condessa.
6 D. Manuel Benedito de Castro Pamplona 1845–1907 6.º Conde de Resende Irmão do anterior e segundo filho do 4.º Conde, a quem sucedeu no título e na casa por o 5.º Conde ter morrido sem descendência legítima; o título foi renovado na sua pessoa por decreto de 20 de abril de 1876. Nasceu a 19 de outubro de 1845 e morreu a 25 de abril de 1907. 20.º Almirante de Portugal e oficial-mor da Casa Real. Casou na ilha da Madeira, a 22 de junho de 1876, com D. Maria das Dores da Câmara (1855–1910), filha primogénita de António Leandro da Câmara do Carvalhal Esmeraldo de Atouguia Sá Machado, 2.º Conde de Carvalhal, e de D. Maria Montufar Infante; por morte do pai, ela passou a representar aquele título, e a casa de Carvalhal foi incorporada na de Resende. Tiveram sete filhos.
7 D. António de Castro Pamplona 1877–1910 7.º Conde de Resende Filho primogénito do anterior. Nasceu a 7 de maio de 1877 e morreu solteiro, sem descendência, a 10 de maio de 1910.

Representantes do título na República

Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:

# Nome Datas Título pretendido Notas Referências
8 João de Castro Pamplona 1882–1924 8.º Conde de Resende Irmão do anterior e terceiro filho do 6.º Conde; sucedeu na representação da casa por morte, antes dele, do irmão D. Luís (1909) e, sem descendência, do 7.º Conde. Foi também representante do título de Conde de Carvalhal. Nasceu a 16 de setembro de 1882 e morreu a 13 de dezembro de 1924. Casou a 15 de julho de 1907 com D. Margarida Elvira Pereira Machado de Castro (1886–1977), filha do Dr. José Luís Fernandes de Castro e de D. Margarida Rosa Pereira Machado, esta filha dos Viscondes de Pereira Machado. Tiveram duas filhas.
9 Maria José de Castro Pamplona 1908–1965 9.ª Condessa de Resende Filha mais velha do anterior. Nasceu na freguesia de Canelas, em Vila Nova de Gaia, a 11 de junho de 1908, e morreu a 26 de fevereiro de 1965. Casou a 25 de janeiro de 1941 com o primo Manuel Luís de Castro Pamplona (n. 1907), neto do 5.º Conde. Não tiveram descendência.
10 João de Castro de Mendia n. 1946 10.º Conde de Resende Sobrinho da anterior, filho da sua irmã mais nova, e neto de João de Castro Pamplona. Nasceu em Lisboa a 7 de outubro de 1946. É filho de Maria Benedita de Castro (n. 1917) e do engenheiro Francisco de Assis da Nazaré de Almeida de Mendia (1895–1964), que casaram na Praia da Granja em 1941.

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1961). Nobreza de Portugal. 3. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. pp. 207–209
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal – 1985. III, tomo I. Lisboa: Instituto Português de Heráldica. pp. 514–517
  3. 1 2 3 4 5 6 Resenha das familias titulares do Reino de Portugal: acompanhada das noticias biographicas de alguns individuos das mesmas familias Edição fac-similada da edição de 1838 (Lisboa: Imprensa Nacional) ed. Braga: Edições Carvalhos de Basto. 1991. p. 183
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Canedo, Fernando de Castro da Silva (1945). A descendência portuguesa de El-Rei João II. 1. Lisboa: Edições Gama, Limitada. pp. 125–132
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Silveira Pinto, Albano Anthero da; Visconde de Sanches de Baena (1890). Resenha das Familias Titulares e Grandes de Portugal. 2. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. pp. 394–397. Consultado em 4 de outubro de 2026
  6. ↑ «Conde de Resende». Machado de Assis. Consultado em 2 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2024
  7. ↑ «1790 – 1801: D. José Luís de Castro (Conde de Resende)». Identidades do Rio. www.pensario.uff.br. Consultado em 2 de novembro de 2025
  8. 1 2 «Gaia Cultura - Solar Condes de Resende». Gaia Cultura. Consultado em 2 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 11 de junho de 2026
  9. ↑ «Counts of Resende Manor House». Vive Eixo Atlântico (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 10 de dezembro de 2025
  10. ↑ Menezes Cordeiro, António (2009). «Títulos nobiliárquicos e registo civil: a inconstitucionalidade da reforma de 2007». Revista da Ordem dos Advogados. 69. Consultado em 26 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2026
  11. ↑ «Constituição Portuguesa de 1911» (PDF). Consultado em 26 de setembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 27 de setembro de 2026 (art. 3.º, n.º 3)
  12. ↑ Canedo, Fernando de Castro da Silva (1945). A descendência portuguesa de El-Rei João II. 2. Lisboa: Edições Gama, Limitada. p. 82
  13. ↑ «Instituto da Nobreza Portuguesa». Consultado em 4 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 4 de outubro de 2026