A Copa Verde de Futebol, ou simplesmente Copa Verde, é uma competição inter-regional brasileira disputada desde 2014 entre equipes da Região Norte e Centro-Oeste, além do Espírito Santo.
Organizado pela CBF, o torneio teve majoritariamente formato similar ao da Copa do Brasil, com partidas em confrontos "mata-mata", nas quais o clube derrotado era eliminado da competição, ora em confrontos de ida e volta, ora em confrontos de partida única. Em 2026, pela primeira vez a competição não foi disputada exclusivamente em sistema eliminatório, contando com uma fase de grupos dividida em Copa Norte e Copa Centro-Oeste.
Nas duas primeiras edições, o campeão do torneio ganhou uma vaga na Copa Sul-Americana do ano seguinte. Posteriormente, a competição garantiu vaga para as oitavas de final da Copa do Brasil, o que perdurou até 2019. De 2020 a 2025, o vencedor assegurava uma vaga na terceira fase da competição nacional. Atualmente, a Copa Verde garante ao campeão e ao vice-campeão participação na mesma fase citada da Copa do Brasil.
O primeiro time a conquistar o torneio foi o Brasília, enquanto o maior vencedor da competição é o Paysandu, com seis títulos.
História
Máquina de troca de ingressos da Copa Verde de 2018, disponível em Vila Velha.
O torneio nasceu a partir da proposta de se fazer uma competição regional, como a Copa do Nordeste, para clubes da Região Norte – por isso seu nome faz alusão à Floresta Amazônica. Logo, foi decidido ampliar o torneio para clubes do Centro-Oeste e do Espírito Santo (que participava da antiga Copa Centro-Oeste). Apesar de não ter sido incluída no calendário oficial da CBF para 2014, divulgado em setembro do ano anterior, a competição foi confirmada pelo diretor de competições da entidade.
Além da alusão à maior floresta tropical do mundo, o nome da Copa Verde também remete a ações de sustentabilidade e preservação do meio-ambiente. Nas primeiras edições, durante diversas partidas, era possível trocar garrafas plásticas ou latas de alumínio por ingressos, através de máquinas instaladas nas cidades-sedes dos jogos. Entre 2017 e 2021, a competição contou com "troféus vivos", feitos a partir de madeira certificada – extraída de áreas de manejo florestal. O torneio também promoveu ações voltadas ao estímulo da consciência ecológica, como a já mencionada reciclagem de materiais, além de concursos de redação com temas ambientais, aulas de futebol para crianças em situação de vulnerabilidade e compensação das emissões de carbono.
Em 2025, a competição foi mencionada durante lançamento do programa CBF IMPACTA, na COP 30.
Apesar de aos poucos a competição ter perdido sua vertente atrelada à sustentabilidade, em 2025, durante a realização da COP 30, em Belém, a CBF chegou a citar a Copa Verde como modelo de "laboratório sustentável" para ações e práticas ambientais, que podem ser testadas antes de serem aplicadas em competições nacionais maiores.
Em relação ao formato e participantes do torneio, apesar de abranger o Centro-Oeste, os clubes do estado de Goiás só foram incluídos em 2016, uma vez que não demonstravam interesse em participar da competição até então. Com dois clubes a mais naquele ano, a CBF criou uma fase preliminar às oitavas de final. Outra mudança também foi a inclusão de equipes através do Ranking da CBF, não somente via desempenho em campeonatos estaduais. No ano seguinte, os times goianos ficaram de fora novamente, alegando falta de calendário para disputar o torneio, retornando apenas em 2019, ainda com algumas recusas.
Ao longo dos anos, a competição alternou edições realizadas no primeiro e no segundo semestre, por muitas vezes sem constar de forma oficial no calendário da CBF. Em 2022, por exemplo, a disputa só foi oficializada em agosto do mesmo ano, iniciando apenas em outubro, o que levou a desistência de diversos clubes, incluindo o Remo, defensor do título. A partir de 2023, a Copa Verde se estabilizou como uma competição da primeira metade do calendário do futebol brasileiro.
Em 2026, o torneio sofreu pela primeira vez na história uma mudança mais radical de regulamento, passando a ser dividido em Copa Norte e Copa Centro-Oeste, e os campeões de cada um dos novos torneios se enfrentam na final para decidir o título da Copa Verde. Com a implementação de uma fase de grupos antes do tradicional "mata-mata", a competição saltou de 30 para 70 partidas.
Transmissão televisiva
A TV Brasil exibiu a competição em três edições, mas apenas em 2020 adquiriu os direitos de todos os jogos.
A Copa Verde foi transmitida com exclusividade pelo canal Esporte Interativo, que também transmitia a Copa do Nordeste, de 2015 a 2018. A emissora e o Ministério do Esporte dividiam os custos de viagem das equipes. Em 7 de maio de 2018, antes mesmo do canal anunciar seu término, foi noticiado que Esporte Interativo não iria mais transmitir a competição.
A partir de 2019, o torneio passou a ser exibido através da plataforma de streamingMyCujoo. Ainda em 2019, os jogos de Remo e Paysandu tiveram a transmissão da Rede Cultura do Pará, em parceria com a TV Brasil. Para a edição de 2020, a emissora estatal transmitiu com exclusividade todos os jogos junto a canais afiliados à Empresa Brasil de Comunicação.
Em 2022, a apenas um dia do início da edição, o serviço de streamingDAZN chegou a um acordo com a CBF para exibir algumas partidas do torneio com exclusividade, a partir das oitavas de final. Assim, a TV Brasil ficou sem os direitos de transmissão. Na temporada seguinte, a plataforma não renovou os direitos e a competição ficou sem transmissão na TV nem em streaming próprio, com a cobertura ficando sob responsabilidade dos clubes. No entanto, apenas os jogos da final tiveram transmissão televisiva ao vivo em um pool formado pela Rede Cultura do Pará, TV Brasil (transmissão nacional) e BandSports, marcando o retorno das transmissões pela TV por assinatura, com a última cobertura ocorrendo em 2018.
Na temporada de 2024, novamente a exibição do torneio ficou restrita à cobertura dos próprios clubes participantes, através de seus canais oficiais. Nas quartas de final, a Rede Meio Norte transmitiu apenas o jogo de volta entre Goiás e Vila Nova. Já as semifinais entre a dupla Re-Pa foram transmitidas localmente pela Rede Cultura do Pará. Houve uma tentativa de aquisição dos confrontos entre Remo e Paysandu pela RBA TV, afiliada à Band, e o Nosso Futebol após os dois times paraenses anunciarem as transmissões via streaming. No entanto, a cobertura na primeira emissora seria inviável devido à incompatibilidade de horário com a programação nacional da Band e o acordo não avançou.
O canal por assinatura SportyNet transmite o torneio em 2026, assim como o Canal do Benja no YouTube.
Em 2025, a CBF passou a ser a detentora oficial dos direitos de transmissão com imagens, porém nenhum veículo demonstrou interesse em adquirir os direitos de exibição, deixando das partidas iniciais até o jogo de ida da final sem transmissão na televisão aberta e por assinatura pela primeira vez desde o início da competição. Além disso, ao contrário da temporada anterior, a entidade não autorizou as transmissões nas plataformas dos clubes, apesar das tentativas, sem sucesso, de Paysandu e Brasiliense. Apenas o jogo de volta da grande final teve transmissão através da TV Brasil em um pool com a TV Cultura do Pará, com a última realizando a respectiva cobertura de maneira regionalizada.
Em 2026, para evitar que a competição ficasse sem transmissão como nos anos anteriores e com a estreia do novo formato, os direitos foram vendidos para o canal por assinatura SportyNet, sendo sublicenciados ao jornalista esportivo Benjamin Back para fazer a cobertura gratuita via internet.
Campeões
Mosaico da torcida do Paysandu na final da Copa Verde de 2018, a segunda vencida pelo clube.
A primeira edição da Copa Verde foi conquistada pelo Brasília, após derrotar o Paysandu nos pênaltis. O título, contudo, só foi estabelecido de fato após uma longa batalha judicial, por conta de uma suposta escalação irregular de quatro jogadores na final do torneio. A façanha levou o time candango à Copa Sul-Americana de 2015, a primeira – e até hoje única – participação de uma equipe do Distrito Federal em uma competição internacional oficial.
Na edição seguinte, o Cuiabá tornou-se campeão e também colocou seu estado em uma competição internacional oficial de forma inédita, com a vaga na Copa Sul-Americana de 2016, marcando a última vez que a Copa Verde garantiu vaga para o torneio da CONMEBOL. A equipe mato-grossense ainda seria campeã mais uma vez em 2019.
Por sua vez, o Paysandu é notoriamente o clube mais bem-sucedido na história da Copa Verde, com seis títulos e quatro vice-campeonatos, tendo ficado fora da final em apenas três edições. Por conta disso, o estado do Pará é a unidade federativa com o maior número de títulos na competição, contabilizando também a conquista do Remo em 2021.
Com seis títulos, o Paysandu lidera com folga a lista de maiores campeões da Copa Verde, seguido pelo Cuiabá com duas taças. Completam a lista, com uma conquista cada: Brasília, Luverdense, Brasiliense, Remo e Goiás. Com esse cenário, o estado do Pará é o maior detentor de títulos da competição, enquanto no ranking por regiões o Norte leva sete troféus contra seis do Centro-Oeste.
Por outro lado, o Vila Nova é o clube que mais vezes chegou à final sem ter vencido a disputa, amargando três vice-campeonatos. Também entram na lista de vice-campeões sem título o Gama, o Atlético Itapemirim – atualmente licenciado, mas que ostenta a melhor colocação de um time do Espírito Santo na história da Copa Verde – e o Anápolis.
Outras nove equipes chegaram pelo menos à semifinal, fazendo com que apenas três unidades federativas, dentre as que participam do torneio, nunca tenham atingido essa fase: Acre, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Luizinho Lopes dá entrevista após o título da Copa Verde de 2025, pelo Paysandu.
O pernambucano Dado Cavalcanti e o gaúcho Júnior Rocha são os técnicos que mais vezes sagraram-se campeões da Copa Verde, com dois títulos cada: enquanto Cavalcanti venceu ambos pelo Paysandu, em 2016 e em 2018, Rocha foi campeão pelo Luverdense em 2017 e também pelo Papão da Curuzu em 2026. Já Emerson Ávila aparece na lista como o único treinador vencedor da competição sem ocupar o cargo de forma efetiva: na edição de 2023, ele comandou o Goiás interinamente nas finais.
Ao todo, dezenove jogadores já foram artilheiros de uma edição da Copa Verde. Os maiores goleadores de uma única temporada são Cassiano, que fez nove gols pelo Paysandu na campanha do título em 2018, e Neto Pessoa, que também anotou nove tentos em 2021, pelo Remo, vencedor daquela edição. Já o maior artilheiro de toda a história da competição é Nicolas, com dez gols ao todo, marcados em três anos diferentes – a maior parte deles em 2024, quando foi o maior goleador daquela edição.
Disputada por algumas equipes tradicionais e outras tantas sem muita expressão no cenário do futebol brasileiro, a Copa Verde ostenta médias modestas de público. A edição com a maior média de espectadores foi a temporada inaugural, a única a superar a marca de cinco mil pagantes por partida. O confronto que alavancou esse número foi, principalmente, o jogo de volta da grande decisão entre Brasília e Paysandu, quando mais de 51 mil pessoas compareceram ao Estádio Mané Garrincha, até hoje o maior público presente da história do torneio. Na ocasião, o Governo do Distrito Federal distribuiu 20 mil ingressos a estudantes e funcionários, assim como o Banco BRB utilizou bilhetes para promoções de marketing. No borderô oficial da partida, 38.305 ingressos constam como vendidos a um real.
Maiores públicos
Estes são os dez maiores públicos presentes da história da Copa Verde:
A maior goleada de todos os tempos da Copa Verde foi a vitória do Remo contra o Galvez por 9–0, em 2021. A equipe paraense ainda poupou os titulares do confronto, mas não perdoou o rival acreano, com direito a dois hat-tricks, um de Neto Pessoa e outro de Wallace. Em quatro ocasiões, um jogo do torneio terminou em 7–0; e em outras cinco vezes houve goleada por 6–0: a mais destacada delas aconteceu na final da edição de 2024, com o triunfo do Paysandu diante do Vila Nova, no jogo de ida, praticamente sacramentando o título. Foi a maior diferença de gols em finais de copas no futebol brasileiro no século XXI, superando a decisão da própria Copa Verde de 2015, quando o Cuiabá fez 5–1 no Remo, e também a final da Copa Centro-Oeste de 2000, na qual o Vila Nova também foi o time goleado, dessa vez pelo rival Goiás, também por 5–1.
Estas são as dez maiores goleadas da história da Copa Verde:
↑A inclusão do Espírito Santo acontece porque o Estado tinha representantes na antiga Copa Centro-Oeste.
12No dia 28 de julho de 2014, o STJD retirou o título do Brasília devido à suposta escalação irregular de quatro jogadores na final do torneio, concedendo o título ao Paysandu. No dia 1 de agosto, porém, o Brasília conseguiu um efeito suspensivo da decisão, retomando o título temporariamente. A resolução final do caso seria julgada pelo Tribunal Pleno do STJD no dia 14 de agosto, mas foi adiada por conta do mau tempo. Na sequência, o julgamento foi remarcado para o dia 2 de outubro, porém adiado outra vez devido a um pedido do Paysandu, uma vez que o relator do processo não poderia estar presente. No dia 7 de novembro, ficou definido que o julgamento final aconteceria no dia 13 de novembro, após mais de um mês de indefinição. Porém, mais uma vez o julgamento foi adiado, pois o Paysandu alegou que um de seus advogados não poderia comparecer. Assim, o pleito foi adiado para o dia 27 de novembro, quando finalmente o Pleno decidiu a favor do Brasília, que foi declarado campeão.
12A edição da Copa Verde de 2020 foi disputada em 2021 por conta da pandemia de COVID-19.
↑Por conta da pandemia de COVID-19, a edição da Copa Verde de 2020 não teve presença de público.