Mecanismo de enfrentamento, ou estratégia de coping, ou estratégia de enfrentamento, é um esforço cognitivo e comportamental para lidar com situações de dano, ameaça ou desafio quando não está disponível uma rotina ou uma resposta automática. Apenas esforços conscientes e intencionais são considerados estratégias de coping, e o elemento desencadeador de estresse deve ser percebido e analisado, não sendo assim consideradas respostas subconscientes.
Tradicionalmente estudado pela psicologia da saúde, o conceito é empregado para compreender as formas pelas quais indivíduos e famílias reagem a transtornos, doenças e terapias. No entanto, o termo passou a ser utilizado também nas ciências sociais, em especial na ciência política e na administração pública, para analisar como agentes e organizações respondem a pressões institucionais, dilemas morais e restrições de recursos.
Nessa perspectiva ampliada, o coping é visto como um conjunto de estratégias adaptativas que permitem a indivíduos e grupos lidar com situações de estresse organizacional e com as contradições inerentes à implementação de políticas públicas. Essa abordagem é particularmente relevante nos estudos sobre burocracias de nível de rua, em que o coping é associado ao exercício da discricionariedade e à criação de práticas informais que moldam o resultado das políticas.
Associados ao conceito de coping estão o de "mediadores" e "moderadores". Moderadores são variáveis preexistentes que influenciam as estratégias de coping, como as características da pessoa (nível de desenvolvimento, gênero, experiência prévia, temperamento, etc), do elemento de estresse (tipo, nível de controlabilidade, etc), do contexto (influência paterna, suporte social, etc), assim como a interação entre esses fatores.
As estratégias de coping são divididas em coping focalizado na emoção e coping focalizado no problema. O coping focalizado na emoção tem por objetivo reduzir a sensação física desagradável de um estado de estresse — por exemplo, comer doces, fumar cigarro ou chorar no ombro de um amigo. Dentre os copings emotivos mais estudados e comuns, está o coping religioso, como rezar e participar de rituais. Os copings também são divididos entre adaptativos, caso sejam saudáveis e eficazes, como meditar para relaxar, e desadaptativos, caso causem prejuízos para si ou para outrem, como o consumo episódico excessivo de álcool.
O coping focalizado no problema pode ser dirigido para uma fonte externa, como tomar medicamentos, ou dirigido internamente, como ao fazer uma reestruturação cognitiva para encarar o problema de uma forma mais adaptativa.
Um estudo demonstrou que crianças de 7 a 10 anos utilizam mais as estratégias de inação e busca de apoio, enquanto que o grupo de 11 a 15 anos utiliza mais estratégias objetivas e funcionais focalizadas no problema. Diante de adultos, foram mais frequentes as estratégias de evitação, aceitação e expressão emocional, enquanto que diante de outras crianças foram mais utilizadas a reação agressiva e busca de apoio. Em muitas sociedades, meninos e meninas são socializados de forma diferente para reagir em acordo com expectativas de gênero. As meninas frequentemente são socializadas para o uso de estratégias pró-sociais, como conversar, negociar ou pedir ajuda, enquanto que os meninos são socializados para serem mais independentes e utilizar estratégias de coping competitivas, sendo mais comum o uso de estratégias antissociais tais quais xingar, brigar e trapacear.
Nas ciências sociais, especialmente na administração pública e na ciência política, o conceito de coping passou a ser utilizado para compreender como burocratas, principalmente do nível da rua, e agentes públicos lidam com dilemas morais, pressões institucionais e restrições de recursos em seu cotidiano de trabalho. Estes estudos partem da ideia de que o comportamento dos indivíduos em organizações é moldado não apenas por regras formais, mas também por práticas informais e respostas situacionais. Neste contexto, as estratégias de coping são entendidas como padrões de ação desenvolvidos por burocratas para gerir demandas conflitantes entre normas institucionais, expectativas sociais e condições materiais. Elas permitem atenuar o estresse e a incerteza associados ao exercício da discricionariedade — ou seja, o espaço de decisão que esses agentes possuem na implementação de políticas públicas.
Em pesquisas sobre burocracias de nível de rua, o coping aparece como um mecanismo adaptativo que influencia diretamente a forma como políticas são efetivamente executadas. Por exemplo, em estudos sobre o sistema prisional, observa-se uma lógica de mimetização entre policiais penais e pessoas privadas de liberdade, evidenciada por estratégias de coping que buscam reduzir as pressões psicológicas e os riscos associados à convivência nesse ambiente.