
A coquina é uma rocha sedimentar biogénica e detrítica, de natureza carbonatada, constituída quase exclusivamente por fragmentos de conchas de moluscos, carapaças de invertebrados e outros vestígios fósseis marinhos. O termo deriva do castelhano homónimo, que significa «pequeno marisco» ou «concha», refletindo a sua composição visual. Esta rocha forma-se em ambientes marinhos de águas pouco profundas e de alta energia, como praias e canais de maré, onde a ação contínua das ondas acumula e quebra as estruturas de carbonato de cálcio de organismos mortos. A deposição rápida impede a mistura significativa de sedimentos terrígenos, resultando num agregado inicialmente frouxo. Com o tempo, a dissolução parcial dos fragmentos liberta carbonato de cálcio, que precipita sob a forma de calcite e atua como um cimento natural leve entre os bioclastos. Uma das características mais marcantes da coquina é a sua elevada porosidade e permeabilidade, causadas pela geometria irregular das conchas e pela cimentação incompleta. Na arquitetura histórica e na engenharia militar, revelou ser um material excecional devido à sua invulgar capacidade de absorver impactos de artilharia. Quando extraída, a rocha está saturada de água e é macia o suficiente para ser cortada em blocos fáceis de manusear; contudo, após a exposição prolongada ao ar, a água evapora e o mineral recristaliza, endurecendo consideravelmente o bloco. Durante os cercos no período colonial, como no Castillo de San Marcos na Flórida, as balas de canhão disparadas contra as muralhas de coquina enterravam-se na sua matriz compressível em vez de provocarem o estilhaçamento ou o desabamento da estrutura. Hoje, além do seu valor patrimonial e do uso comercial como agregado ou corretivo de solos, a coquina assume grande relevância na petrologia sedimentar e na paleontologia, atuando como um indicador paleoambiental indispensável para decifrar a dinâmica de antigas linhas de costa.