
Cordel é uma corda fina, fio grosso ou pequeno conjunto de fios unidos e torcidos, usado para atar, prender, suspender, embalar ou alinhar objectos. É também conhecido, conforme o contexto e a variedade linguística, por nomes como baraço, guita, cordão, barbante ou cordinha.
O cordel distingue-se geralmente da corda pelo menor diâmetro e resistência, e do fio simples por ser normalmente formado por dois ou mais fios ou fibras torcidos entre si. Na terminologia técnica em inglês, corresponde em muitos usos a twine, isto é, um fio forte, corda leve ou cordão composto por dois ou mais filamentos mais finos torcidos em conjunto.
O cordel é um produto flexível, comprido e estreito, fabricado pela torção ou entrançamento de fibras. A sua espessura, resistência e elasticidade variam de acordo com o material utilizado, o número de filamentos, o grau de torção e o modo de fabrico. Pode ser feito de fibras naturais, como linho, algodão, cânhamo, juta, sisal, lã ou fibra de coco, ou de fibras artificiais e sintéticas, como náilon, poliéster e polipropileno.
A técnica de fabrico é semelhante à de outros produtos de cordoaria. Em geral, os filamentos ou fibras são primeiro torcidos em fios; estes fios podem depois ser torcidos em sentido oposto, formando um cordel mais resistente e menos propenso a desfazer-se.
Os cordéis são usados em actividades domésticas, agrícolas, comerciais, artesanais e industriais. Servem para atar volumes, embrulhos e mercadorias, prender plantas, fixar objectos, marcar alinhamentos, suspender peças leves, fazer nós, fabricar redes, empregar em trabalhos manuais e reforçar ou unir materiais flexíveis.
Na construção civil e em trabalhos de carpintaria ou alvenaria, cordéis esticados entre pontos fixos podem servir como linha de referência para alinhamentos. No comércio e na embalagem, o cordel foi durante muito tempo usado para atar maços, embrulhos e fardos, antes da difusão de fitas adesivas, cintas plásticas e outros materiais de embalagem.
A utilização de fibras torcidas é uma das tecnologias mais antigas associadas à vida humana. Cordéis, fios e cordas permitiram atar ferramentas, transportar objectos, fazer redes, fabricar armadilhas, coser materiais, construir abrigos e produzir artefactos têxteis.
Achados arqueológicos de fibras torcidas são raros, pois a maioria dos cordéis e fibras vegetais degrada-se facilmente. Ainda assim, estudos sobre tecnologia paleolítica identificaram vestígios de cordões ou fibras torcidas muito antigos, incluindo um fragmento de cordão de três elementos produzido a partir de fibras de casca interna, associado a contexto neandertal.
A expressão literatura de cordel deriva do uso de cordéis para expor folhetos populares à venda, pendurados em feiras, mercados ou bancas. Nesse sentido, «cordel» passou também a designar, por extensão, um género de literatura popular em verso, especialmente associado ao Brasil.