Crates de Malo

Crates de Malo (século II a.C.) foi um eminente filósofo estoico, gramático e erudito grego, distinguindo-se como o principal expoente da escola filológica de Pérgamo e o primeiro diretor da sua célebre biblioteca. Natural de Malo, na Cilícia, a sua produção intelectual foi pautada por uma oposição direta à escola de Alexandria, liderada por Aristarco de Samotrácia. Enquanto os alexandrinos privilegiavam a analogia e a regularidade linguística, Crates defendia o princípio da anomalia, sustentando que a linguagem é intrinsecamente irregular e moldada pelo uso e convenção, em vez de seguir regras gramaticais estritas. Esta divergência metodológica estendia-se à exegese literária, onde Crates aplicava interpretações alegóricas, especialmente sobre a obra de Homero, procurando conciliar os textos épicos com as doutrinas científicas e cosmológicas da física estoica.

A contribuição mais icónica de Crates para a geografia e a cosmologia foi a conceção de um modelo esférico da Terra, sendo-lhe atribuída a construção do primeiro globo terrestre de que há registo histórico. Segundo a sua teoria, a superfície do mundo seria dividida por dois grandes oceanos perpendiculares — um equatorial e outro meridional — que segmentavam a ecúmena (o mundo conhecido) em quatro massas de terra distintas, conhecidas como oikoumene, perioikoi, antoikoi e antipodes. Este modelo quadripartido influenciou profundamente a cartografia da Antiguidade e da Idade Média, introduzindo a noção de continentes desconhecidos no hemisfério sul. Além disso, a sua passagem por Roma em meados do século II a.C., durante uma missão diplomática, é considerada um marco fundamental para a história da educação romana, pois as suas lições introduziram o estudo sistemático da gramática e da crítica literária na capital latina.

Referências

  1. ↑ Crates; Broggiato, Maria (2001). I frammenti. Col: Pleiadi: studi sulla letteratura antica. La Spezia: Agorà. ISBN 978-88-87218-34-3
  2. ↑ Jones, D. M. (dezembro de 1954). «Hans Joachim Mette: Parateresis. Untersuchungen zur Sprachtheorie des Krates von Pergamon. Pp. 206. Halle: Niemeyer, 1952. Paper, DM. 24.». The Classical Review (em inglês) (3-4): 296–297. ISSN 0009-840X. doi:10.1017/S0009840X00181144. Consultado em 11 de março de 2026
  3. ↑ Pfeiffer, Rudolf (1968). History of classical scholarship from the beginnings to the end of the Hellenistic age. Oxford: Clarendon P. ISBN 978-0-19-814342-0
  4. ↑ «The Cambridge history of classical literature: Greek literature. part 3: Vol. 1 Philosophy, history and oratory». Cambridge: Cambridge Univ. Pr. 1989. ISBN 978-0-521-35983-2