Jacundá é a designação comum a vários peixes do gênero Crenicichla, perciformes, da família dos ciclídeos. Possuem o corpo alongado, nadadeira dorsal contínua ocupando quase todo o dorso e, geralmente, um ocelo típico na cauda. Também são conhecidos por nhacundá e guenza.
O grupo integra 113 espécies, nativas dos rios e ribeiros da América do Sul.
O jacundá habita em rios de água fria e corrente, sendo um peixe frágil, muito suscetível à poluição. No sul do Brasil, é conhecido também como joaninha, peixe-sabão, boca-de-velha e badejo (pelo seu aspecto parecido com o do badejo de água salgada). Pode alcançar 40 centímetros de comprimento e pesar quase um quilo.
As menores espécies de Crenicichla não ultrapassam 6–14 cm de comprimento e podem ser chamadas de “ciclídeos-anões” no aquarismo — embora seus hábitos agressivos e territoriais as tornem inadequadas para aquaristas iniciantes.
Os menores representantes, medindo entre 5,2 e 8,5 cm, anteriormente pertenciam ao complexo de espécies C. wallacii, que foi separado para o gênero Wallaciia em 2023. No mesmo trabalho, o antigo complexo C. saxatilis passou a constituir o gênero Saxatilia, enquanto o complexo C. lugubris tornou-se Lugubria. O estudo também criou outro gênero, Hemeraia, e dividiu as espécies remanescentes em subgêneros.
Os maiores ciclídeos-lúcio podem atingir cerca de 50 cm de comprimento. A maioria das espécies de Crenicichla mede entre 15 e 30 cm.
Distribuição e ecologia
O gênero Crenicichla é nativo de ambientes dulcícolas da América do Sul tropical e subtropical a leste dos Andes, ocorrendo desde Trinidad e o Escudo das Guianas (incluindo a bacia do Orinoco), passando pela Amazônia e pela bacia do Rio da Prata, até o rio Negro, na Argentina.
Embora o grupo seja amplamente distribuído, as espécies individuais frequentemente estão restritas a um único rio ou bacia hidrográfica.
Esses peixes habitam grande variedade de ambientes, incluindo rios, riachos, poças e lagos; algumas espécies são reofílicas, ou seja, adaptadas a águas correntes.
A grande maioria dos ciclídeos-lúcio é predadora e alimenta-se de peixes, insetos e outros pequenos animais. Geralmente posicionam-se em locais onde podem permanecer ocultos das presas, como próximos a troncos submersos ou atrás de rochas.
Esse comportamento, aliado ao formato corporal adaptado — semelhante ao dos lúcios (Esocidae) do Holártico, embora sem parentesco próximo — originou o nome comum “ciclídeo-lúcio”.
Uma exceção é C. tapii, que, apesar da aparência semelhante às demais espécies do grupo, apresenta comportamento gregário e alimenta-se de perifíton.
Espécies
Atualmente, são reconhecidas 45 espécies neste gênero:
12Henrique Rosa Varella; Sven Kullander; Naercio Menezes; Hernán López-Fernández; Claudio Oliveira (June 2023). "Revision of the generic classification of pike cichlids using an integrative phylogenetic approach (Cichlidae: tribe Geophagini: subtribe Crenicichlina)". Zoological Journal of the Linnean Society. 198 (4): 982–1034. doi:10.1093/zoolinnean/zlad021.
↑Froese, Rainer; Pauly, Daniel (eds.). "Species in genus Crenicichla". FishBase. August 2024 version.
123Piálek, Lubomír; Říčan, Oldřich; Casciotta, Jorge; Almirón, Adriana; Zrzavý, Jan (January 2012). "Multilocus phylogeny of Crenicichla (Teleostei: Cichlidae), with biogeography of the C. lacustris group: Species flocks as a model for sympatric speciation in rivers". Molecular Phylogenetics and Evolution. 62 (1): 46–61. Bibcode:2012MolPE..62...46P. doi:10.1016/j.ympev.2011.09.006. PMID 21971056.
12345Piálek, L.; Dragová, K.; Casciotta, J.; Almirón, A.; Říčan, O. (2015). "Description of two new species of Crenicichla (Teleostei: Cichlidae) from the lower Iguazú River with a taxonomic reappraisal of C. iguassuensis, C. tesay and C. yaha". Historia Natural. 5 (2): 5–27. S2CID 51899505.