Cutair

Cutair (em árabe: كُثَيِّر; romaniz.: Kuthayyir; c. 644 (1382 anos)–723), também conhecido como Cutair Aza (Kuthayyir ʿAzza), foi um poeta árabe cuzaaíta do período omíada, considerado um dos principais poetas do Hejaz de sua época. Seu nome era Catir, sendo Cutair uma forma diminutiva pela qual se tornou conhecido. Grande parte de sua fama esteve ligada à poesia amorosa dedicada a Aza binte Humail, cuja relação com o poeta deu origem a uma das célebres narrativas árabes de amor platônico, comparada às de Jamil Butaina e Majenune e Laila.

Ligado inicialmente à transmissão da poesia de Jamil Butaina, Cutair destacou-se sobretudo pelo gazal, embora também tenha composto sátiras e panegíricos. Apesar de adepto do caiçanismo e partidário de Maomé ibne Alhanafia, manteve relações com a corte omíada e compôs panegíricos para governantes como Abalmaleque ibne Maruane, Abedalazize, Iázide II e Omar II. Seu divã original não sobreviveu, mas numerosos poemas e fragmentos foram preservados por outras fontes e posteriormente reunidos em compilações modernas.

Vida

Cutair nasceu, segundo diferentes tradições, em 23–24 A.H. (644–645) ou em 40 A.H. (660). Pertencia aos cuzaaítas e seu nome era Catir, tendo ficado conhecido pela forma diminutiva Cutair em razão de sua baixa estatura e constituição franzina, embora também se registre que o nome teria sido empregado como expressão de afeição. Era conhecido ainda como Cutair Aza, em referência a sua amada, Ume Anre Aza binte Humail ibne Háfece, frequentemente mencionada em seus poemas. Órfão de pai ainda jovem, foi criado sob a proteção de um tio e trabalhou como pastor, passando parte considerável da vida na região compreendida entre Medina e Iambuaine. Segundo a tradição, quando jovem, Cutair pastoreava seu rebanho junto à costa do Mar Vermelho quando encontrou um grupo de mulheres dos dameraítas e lhes perguntou onde poderia encontrar água. Uma jovem chamada Aza indicou-lhe o local, ocasião em que o poeta teria se apaixonado por ela. À medida que os poemas compostos em sua homenagem se difundiram, a família de Aza, seguindo os costumes tribais e procurando preservar sua honra, casou-a com um homem idoso que primeiro a pediu em casamento. Aza posteriormente mudou-se com o marido e seu grupo tribal para o Egito, e a separação teria intensificado a paixão de Cutair. A história de ambos tornou-se uma das célebres narrativas árabes de amor platônico, comparada às de Jamil Butaina e Majenune e Laila.

Depois da morte do marido de Aza, o califa Abalmaleque ibne Maruane teria pretendido promover seu casamento com Cutair e escreveu ao poeta, então em Medina, ordenando-lhe que fosse a Damasco. Segundo uma das tradições transmitidas sobre o episódio, Cutair dirigiu-se posteriormente ao Egito, mas, ao chegar, encontrou pessoas que regressavam do funeral de Aza, morta em 85 A.H. (704), e compôs uma elegia em sua memória. Outra versão relaciona sua viagem ao Egito à saudade da amada e apresenta uma sequência diferente para os encontros e deslocamentos do poeta. Cutair aderiu ao caiçanismo, corrente do xiismo, e expressou em seus poemas sua devoção aos Ahl al-Bayt, sustentando que a autoridade profética passara a Ali e seus filhos e considerando Maomé ibne Alhanafia o Mádi esperado. Depois que Ibne Alhanafia, cuja condição de Mádi foi proclamada por Almoquetar Atacafi, foi libertado do cativeiro imposto em Meca por Abedalá ibne Azobair, Cutair acompanhou-o a Damasco, onde Maomé prestou baia a Abalmaleque. Nessa ocasião, Cutair conheceu o califa e teve oportunidade de lhe apresentar seus panegíricos. Posteriormente dirigiu-se ao Egito para recitar poemas em louvor de Abedalazize, irmão do califa e governador da província. Apesar de sua vinculação xiita, Cutair compôs panegíricos em homenagem a diversos governantes omíadas, entre eles Abalmaleque, Abedalazize, Iázide II e Omar II. Essa relação é associada à baia prestada a Abalmaleque por Ibne Alhanafia, a quem o poeta reconhecia como imame. Cutair morreu em Medina em 105 A.H. (723), sendo sepultado no mesmo dia que o jurista Icrima Albarbari. Segundo a tradição, Maomé Albaquir tinha grande estima pelo poeta e compareceu a seu funeral.

Poesia

Cutair esteve ligado a Jamil Butaina como transmissor de sua poesia, relação que teria contribuído para que suas primeiras composições se concentrassem no gazal e na temática amorosa. Com o tempo, sua produção passou a se concentrar sobretudo no amor por Aza e em sua descrição. Embora seus gazais e descrições recorram por vezes ao exagero, sua poesia é caracterizada por uma tendência predominantemente realista. O poeta também se envolveu em ásperas disputas satíricas com Cazine, das quais, segundo a tradição, era repetidamente socorrido por seu amigo Hindife Alaçadi. Celebrado por sua inteligência e eloquência, Cutair foi considerado um dos principais poetas do Hejaz de sua época. Ibne Salame Aljumai incluiu-o entre os poetas de primeira classe e o mencionou ao lado de Jarir ibne Atia, Alfarasdaque e Arrai Anumairi. Parte de seus poemas foi musicada, e tornou-se particularmente conhecida sua al-Qasida al-Ta'iyya, dedicada aos sentimentos do poeta por Aza. O divã de Cutair compilado por Abedalá ibne Abi Ubaida e comentado por Maomé ibne Habibe e Ibne Aciquite não chegou à atualidade. Henri Pérès reuniu e comentou os poemas sobreviventes, publicando-os em duas partes em Argel entre 1928 e 1930. Uma segunda compilação foi preparada por Iḥsān ʿAbbās e publicada em Beirute em 1971; acompanhada de um estudo extenso sobre a vida e a obra do poeta, reunia 133 poemas e fragmentos dispostos sem ordenação sistemática. Mājid Ṭarrād publicou em Beirute, em 1993, uma nova edição organizada alfabeticamente. Há ainda registro de um manuscrito de seu divã, comentado por Abu Abedalá Arraxide, conservado na biblioteca do Escorial.

Referências

  1. ↑ Çuhadar 2002, p. 575.
  2. ↑ Çuhadar 2002, pp. 575–576.
  3. 1 2 Çuhadar 2002, p. 576.

Bibliografia