Direction Générale de la Sécurité Extérieure

Diretoria Geral de Segurança Externa
Direction générale de la Sécurité extérieure
Logotipo da DGSE
Sede da DGSE, em Paris.
Organização
Natureza jurídica Agência de segurança e Serviço de inteligência
Dependência França República Francesa
Chefia Bernard Émié, Diretor Geral de Segurança Externa
Número de funcionários 7.000 (2019), incluindo 1.000 militares
7.100 (2022)
Orçamento anual 880 milhões de euros (2021)
Localização
Sede Paris
48° 52' 28" N 2° 24' 26" E
Histórico
Antecessor Serviço de Documentação Externa e de Contraespionagem (SDECE)
Criação 2 de abril de 1982
Sítio na internet
http://www.dgse.gouv.fr

Direction générale de la Sécurité extérieure (DGSE) é uma das agências de inteligência e contraespionagem da França, desde 1982. Ligada ao Ministério da Defesa do governo francês, a DGSE é a sucessora do antigo Serviço de Documentação Externa e de Contraespionagem (SDECE) e é responsável pela coleta de informações, contraterrorismo, espionagem econômica e operações sensíveis no exterior. A DGSE trabalha em cooperação com a Direction générale de la Sécurité intérieure (DGSI), Direção Geral de Segurança Interna, com o objetivo de "proteger os interesses vitais da nação", nos domínios antiterrorista e paramilitar. Seu lema é "partout où nécessité fait loi" ("em todo lugar onde a necessidade faz a lei"). É uma das operadoras do sistema de vigilância global Franchelon. Além do orçamento oficial, a DGSE conta com um patrimônio clandestino que possui desde a Primeira Guerra Mundial e que não aparece no orçamento do Estado. Destinado a situações de crise, deve ser, em princípio, suficientemente alto e disponível para garantir a continuidade do Estado em caso de crise: assim, poderia financiar um governo no exílio, caso o território nacional esteja em perigo (por exemplo, em caso de invasão ou destruição por arma nuclear). Gerenciado secretamente, sua existência foi reconhecida pelo governo da França apenas em 2006, mas seu valor não pode ser divulgado.

Cooperação com a CIA

Em novembro de 2005, a reporter Dana Priest do The Washington Post revelou a existência das Prisões secretas da CIA. O artigo revelou também a cooperação do governo da França com a CIA através da Alliance Base. Para aparentar pouca participação da CIA nas operações da Alliance Base, a língua utilizada no centro foi o francês. [carece de fontes]?

Em 5 de fevereiro de 2013, o jornal O Globo publicou matéria sobre um relatório emitido por uma organização que afirmava que a França não era um dos países listados como colaborador da CIA no seu programa de detenções secretas e interrogatórios com suposto uso de tortura. O mesmo relatório também listava vários países da Europa como tendo colaborado no programa de interrogatório da CIA, incluindo Portugal. As informações publicadas pela imprensa francesa e pelo The Washington Post todavia, apontam para outros fatos e indicam que a existência da aliança francesa com a CIA através da Alliance Base durou de 2002 ate 2009.

Acusações de sabotagem do Programa Espacial Brasileiro

A Agência Brasileira de Inteligência investigou se agentes do serviço secreto francês promoveram ação de sabotagem para explodir a base de lançamento de satélites de Alcântara, no Maranhão. Um documento da ABIN revela pelo menos três operações cujos alvos eram espiões franceses e seus contatos brasileiros e estrangeiros. Houve também monitoramento do serviço de inteligência em órgãos de cooperação e cultura ligados à Embaixada da França. A base de lançamento de satélites de Alcântara colocaria "em perigo" os interesses econômicos e diplomáticos da França, que atualmente possui uma base na região dos trópicos, localizada em Kourou, na Guiana Francesa.

Operações conhecidas

Dossiê Farewell ("despedida")

O Dossiê Farewell, provavelmente a mais significativa operação de inteligência efetuada por um serviço secreto europeu durante a Guerra Fria e crucial para a vitória do Ocidente, foi a coleção de documentos que Vladimir Vetrov, um desertor da KGB (codinome "Farewell"), reuniu e entregou ao serviço secreto francês. Vetrov ficou cada vez mais desiludido com o sistema soviético e decidiu trabalhar com os franceses no final da década de 1970. Entre o início de 1981 e o início de 1982, Vetrov deu quase 4000 documentos secretos aos franceses, incluindo a lista completa de 250 oficiais da KGB estacionados sob proteção legal em embaixadas em todo o mundo. Como consequência, as nações ocidentais realizaram uma expulsão em massa de espiões de tecnologia soviéticos. A CIA e a DGSE montaram uma operação de contra-inteligência que transferiu designs de hardware e software modificados para os soviéticos. Thomas Reed alegou que esta foi a causa do desastre de um oleoduto transiberiano em 1982. A história de Vetrov inspirou o livro Bonjour Farewell: The Truth about the French Mole in the KGB, de Serguei Kostine.

Ver também

Ligações externas

Referências

  1. ↑ Direction générale de la sécurité extérieure - Ministère de la Défense - Service-public.fr
  2. ↑ Keck, Zachary. «Robert Gates: Most Countries Conduct Economic Espionage». thediplomat.com (em inglês). Consultado em 18 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 21 de fevereiro de 2026
  3. ↑ «crime-reg.com» (PDF). crime-reg.com. Consultado em 18 de outubro de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 14 de dezembro de 2024
  4. ↑ Leman-Langlois, Stéphane (2009). «Stéphane Leman-Langlois, « Cours 9 : Le renseignement et la sécurité nationale » [archive], cours à l'école de criminologie de l'Université de Montréal, Terrorisme et antiterrorisme» (PDF)
  5. ↑ «« Le trésor englouti de la DGSE »». Cópia arquivada em 1 de agosto de 2023
  6. ↑ «« Un trou dans le « trésor de guerre » de la DGSE »». Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2026
  7. ↑ Foreign Network at Front of CIA's Terror Fight Dana Priest, The Washington Post, 18 de novembro de 2005
  8. ↑ Bush admite pela 1ª vez prisões da CIA fora dos EUA 6 de setembro de 2006 - BBC Brasil
  9. ↑ Foreign Network at Front of CIA's Terror Fight Dana Priest, The Washington Post, 17 de novembro de 2005
  10. ↑ Mais de 50 países ajudaram programa de prisões e voos secretos da CIA, diz ONG - Jornal O Globo - 5 de fevereiro de 2013
  11. ↑ Brasil não está em lista de países que ajudaram a CIA, diz relatório - RFI - 5 de fevereiro de 2013
  12. ↑ Terrorisme : pourquoi Alliance Base a fermé à Paris Le Nouvel Observateur 24 de maio de 2010
  13. 1 2 «Suspeita de sabotagem fez Brasil investigar franceses em Alcântara - 05/11/2013 - Poder». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 5 de julho de 2024
  14. ↑ Éric Denécé, Renseignement et contre-espionnage, Hachette Pratique, 2008, 253 p. (ISBN 978-2-01-237532-1 e 2-01-237532-4)
  15. ↑ Dasquié, Guillaume (1999). Secrètes affaires : Les services secrets infiltrent les entreprises. Paris: Paris. p. Chap. 4. 323 páginas
  16. ↑ «Les deux ex-otages français d'Irak sont arrivés en France». Le Monde.fr (em francês). 22 de dezembro de 2004. Consultado em 18 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2024
  17. 1 2 «France 2 Actualités & société - Tous les vidéos et replay | France tv». www.france.tv. Consultado em 18 de outubro de 2021
  18. ↑ «FRANCE : Raid de la DGSE en Somalie : ce qui s'est passé - 30/01/2013». Intelligence Online (em francês). 30 de janeiro de 2013. Consultado em 18 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 18 de abril de 2025
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  24. ↑ «How the Cold War was won... by the French». The Independent (em inglês). 22 de outubro de 2011. Consultado em 18 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 12 de julho de 2025
  25. ↑ «Vladimir Vetrov (FAREWELL)». archive.is. 31 de julho de 2013. Consultado em 18 de outubro de 2021
  26. ↑ Kostine, Sergueï (1997). Bonjour, Farewell: la vérité sur la taupe française du KGB (em francês). [S.l.]: R. Laffont. Cópia arquivada em 18 de outubro de 2021
  27. ↑ Help From France Key In Covert Operations The Washington Post, por Dana Priest, 3 de julho de 2005