Daniel Pennac

Daniel Pennacchioni, conhecido como Daniel Pennac, é um escritor francês que nasceu a 1 de Dezembro de 1944 em Casablanca, Marrocos. Tem como destaque, o Prêmio Renaudot de 2007 que ganhou pelo seu romance autobiográfico, Mágoas de Escola.

Escreveu também, argumentos para o cinema, televisão e banda desenhada.

Biografia

Daniel Pennacchioni é o quarto e último rapaz de uma família de origem córsica e provençal. O seu pai foi engenheiro politécnico e tornou-se oficial do exército colonial, tendo atingido o grau de general em final de carreira, e a sua mãe, dona de casa, leitora autodidata. Passa a sua infância de acordo com as colocações do pai, na África (Djibuti, Etiópia, Argélia, África Equatorial), no sudeste asiático (Indochina) e na França (nomeadamente em La Colle-sur-Loup). É o seu pai, fã de poesia, que lhe transmite muito cedo o gosto pelos livros que ele devora na biblioteca familiar ou na escola.

A sua escolaridade é desastrosa. Em “Mágoas de Escola”, pretende ter demorado um ano para assimilar a lógica e a complexidade do carácter “A”; no entanto, seu pai, militar, general, não se preocupou, afirmando que o seu filho dominaria perfeitamente o alfabeto no fim de 26 anos. Péssimo aluno, diz-se vítima de uma disortografia infantil. Estas versões mais ou menos romanceadas das suas dificuldades não o impedem de conseguir o seu bacharelado e tornar-se mestre em Letras em Nice.

Adulto, trabalha como taxista e ilustrador, antes de se tornar, em 1969, professor de Literatura -primeiro no colégio Saint Paul, em Soissons, depois em Nice e mais tarde em Paris. Corta o seu patronímico (Pennacchioni) para Pennac com medo de constranger o seu pai ao assinar, em 1977, a sua primeira obra, “O serviço militar ao serviço de quem”, uma sátira sobre o serviço militar . Em 1979, desesperado pela transformação do seu bairro de adoção, Belleville, realiza uma estadia de dois anos no Brasil com a sua primeira mulher, Irène Pennac, que conseguiu um contrato de professora na Universidade Federal do Ceará, estadia que será a fonte do seu romance “O ditador e a cama de rede”. Regressa à França e começa a escrever para as crianças ao mesmo tempo que continua a leccionar. Acaba por propor “O Paraíso dos Ogros” em 1985 à Série noire. É assim que Benjamin Malaussène e os seus amigos de Belleville fazem a sua aparição na literatura. Em 1995, deixa a profissão de professor para se dedicar inteiramente à literatura.

Daniel Pennac guarda da sua infância uma nostalgia do lar e uma ternura pela família de eleição. Mesmo sendo a sua escrita divertida e cheia de uma imaginação desenfreada, Pennac pode também escrever “Como um Romance”, um ensaio de pedagogia ativa, lúcida e entusiasta, no qual apresenta o que chama de “Direitos imprescritíveis do leitor”  ». Pensemos nesta frase que poderia guiar qualquer professor: “Não se pode forçar uma curiosidade, temos que despertá-la”. A banda desenhada ”La Débauche”, que assinou com Jacques Tardi, revela a sua consciência social e cívica, revoltada pelo despedimento selvagem, pela situação de um desempregado vítima de um gerente corrupto. Desde o início, Pennac estuda e critica as instituições que negam o indivíduo. Poder-se-ia dizer dele como da sua personagem principal: “Tem um vício raro Malaussène, compadece-se.” (“A vendedora de prosa”).

Daniel Pennac defende o prazer da leitura em voz alta. Grande amante de livros em áudio, gravou ele mesmo vários dos seus livros para as edições Gallimard e para a associação “Lire dans le noire”. Em cena, após ter interpretado “Merci” no teatro do Rond-Point, lê “Bartleby le scribe” no Pépinière Théâtre. “Bartleby en coulisses” é o documentário realizado por Jérémie Carboni acerca de preparação deste espectáculo de leitura. Em outubro de 2012, Daniel Pennac lê “Journal d'un corps” no Théâtre des Bouffes du Nord; a sua peça “Le 6e Continent” foi representada na mesma sala de espetáculo.

Em 2013, Daniel Pennac dá a sua contribuição para a quarta edição do livro AudioSolidaire (gravação áudio do Paraíso dos Ogres pelos internautas em proveito de pessoas cegas e com outros problemas visuais).

Obras

Saga Malaussène

Literatura juvenil

Outros romances

Ensaios

Teatro

Livros ilustrados

Álbuns para crianças

Banda desenhada

Cinema e televisão

Daniel Pennac escreveu ou co-escreveu vários argumentos para o cinema e televisão, por vezes adaptando os seus próprios livros:

Por outro lado, algumas obras de Daniel Pennac foram adaptadas ao ecrã sem que Pennac tenha participado na escrita do argumento :

Daniel Pennac participou igualmente nalgumas produções audiovisuais emprestando a sua voz ou representando pequenos papeis:

Distinções

Referências

  1. ↑ Daniel Pennac, Chagrin d'école, Gallimard,‎ 2007, p. 5
  2. 1 2 François Devinat, «  Par ici les enfants », sur Libération,‎ 20 octobre 1997
  3. ↑ Dans Chagrin d'école, p. 16 (édition Folio), Pennac explique que son père affirme avec ironie qu'il faudra 27 ans à son fils pour apprendre l'alphabet.
  4. ↑ Il y enseignera notamment au lycée privé d'Hulst, c'est de cette expérience qu'il s'inspirera pour écrire Comme un roman.
  5. ↑ La série des Kamo est le fruit de sa collaboration avec le magazine Je bouquine.
  6. ↑ Ce roman aurait été écrit à la suite d'un pari.
  7. ↑ «  Daniel Pennac », sur Gallimard,‎ 20 novembre 2012
  8. ↑ 1.
  9. ↑ Le livre Audiosolidaire 2013 - Association Valentin Haüy
  10. ↑ Qu'il est triste, le son du corps…, Le Point, le 15 mars 2012
  11. ↑ Daniel Pennac et Manu Larcenet cosignent l'album illustré de "Journal d'un corps" ! Arquivado em 4 de outubro de 2013, no Wayback Machine., 'My Boox, 7 mars 2013
  12. ↑ «Le Prix Mystère de la Critique». Consultado em 15 de outubro de 2015. Arquivado do original em 1 de maio de 2008

Anexos

Bibliografia

Documentários sobre Daniel Pennac