Daniel Roseberry (Plano, Texas, 5 de setembro de 1985) é um designer de moda e artista estadunidense. Desde abril de 2019, ele ocupa o cargo de diretor criativo da maison francesa de alta-costura Schiaparelli. Roseberry fez história na indústria ao se tornar o primeiro estadunidense a liderar uma casa de alta-costura francesa e um dos mais jovens a assumir tal posição.
Antes de ingressar na Schiaparelli, ele construiu sua carreira trabalhando por 11 anos na marca nova-iorquina Thom Browne, onde começou como estagiário e ascendeu a diretor de design.
Sob sua liderança, Roseberry é amplamente creditado por ressuscitar o surrealismo na moda contemporânea do século XXI e transformar a Schiaparelli em uma das grifes mais influentes da atualidade.
Roseberry nasceu em Plano, uma cidade na região metropolitana de Dallas, no Texas. Cresceu em um ambiente marcado por contrastes: seu pai era um ministro conservador da Igreja Episcopal, enquanto sua mãe era pintora e artista.
Ele e seus três irmãos foram criados sob uma forte estrutura religiosa, o que o levou a considerar inicialmente o ministério como profissão. Aos 19 anos, após concluir o ensino médio, Roseberry dedicou-se a missões de serviço cristão, viajando para locais como Havaí, Paquistão, Jordânia e Israel.
Ao retornar aos Estados Unidos, decidiu redirecionar sua carreira para o design e mudou-se para Nova York, onde ingressou no Fashion Institute of Technology. Em 2008, após cursar dois anos, ele abandonou o FIT para aceitar sua primeira oportunidade prática na indústria.
Trajetória na Thom Browne (2008–2019)
O início e a linha feminina
Em 2008, Roseberry ingressou na marca nova-iorquina Thom BrowneThom Browne, reconhecida na época por sua alfaiataria masculina conceitual e subversiva. Ele iniciou sua trajetória na base da operação, atuando como estagiário não remunerado.
Sua ascensão dentro da empresa ocorreu em paralelo ao crescimento da própria marca. Entre 2008 e 2011, Roseberry esteve profundamente envolvido na transição da Thom Browne de uma grife exclusivamente masculina para o mercado feminino, estruturando os códigos de modelagem para a primeira coleção feminina da marca, lançada comercialmente em 2011.
Direção de Design
Em 2014, foi formalmente promovido a Diretor de Design (Design Director). Nesta função, assumiu a responsabilidade direta pelo desenvolvimento criativo e técnico de ambas as coleções (Menswear e Womenswear).

Durante os cinco anos em que ocupou este cargo (2014–2019), atuou como o principal executor das visões do fundador, gerenciando a equipe de estilo e supervisionando a produção dos desfiles teatrais da marca em Nova York e Paris.
Vida pessoal
Roseberry é abertamente gay. O estilista já discutiu publicamente em diversas entrevistas como a sua jornada de autodescoberta e aceitação foi complexa, principalmente por ter crescido em uma comunidade evangélica conservadora no Texas, onde seu pai é pastor anglicano. Roseberry revelou que passou por um período de forte conflito interno antes de assumir sua sexualidade para os pais no final de seus estudos em Nova York. Ele frequentemente cita que o sentimento de ser "diferente" na juventude serviu como um grande combustível emocional para a sua criatividade e dedicação à moda.
Atualmente, ele mantém um relacionamento amoroso com o também estilista americano Adam Selman.
A Casa Schiaparelli, fundada em 1927 por Elsa Schiaparelli, encerrou suas atividades em 1954. Em 2006, o empresário italiano Diego Della Valle adquiriu os arquivos e os direitos da marca, reabrindo a maison em 2012. Em abril de 2019, Della Valle e a CEO Delphine Bellini nomearam Roseberry, então com 33 anos, como diretor artístico.
Dar o controle de uma prestigiada casa parisiense a um norte-americano de 33 anos, sem nenhum treinamento formal prévio em alta-costura e que não falava francês, foi visto como um risco ousado pela indústria. A grife, no entanto, apostou que sua visão moderna seria capaz de capturar a "bravura e o espírito" da fundadora para uma nova geração.
Sua coleção de estreia (Outono e Inverno de 2019 e 2020) foi apresentada em julho de 2019, apenas dois meses após sua contratação. Em uma performance amplamente noticiada que atestou sua habilidade de desenhista, Roseberry sentou-se em uma prancheta no centro da passarela, de fones de ouvido, desenhando ao vivo enquanto as modelos desfilavam ao seu redor, recriando seu processo de criação solitário em Nova York.
Impacto na Cultura Pop (2021–Presente)

A partir de 2021, a Schiaparelli expandiu sua presença na mídia através de peças sob medida:
Identidade visual e legado
Fora das passarelas, Daniel Roseberry cultivou uma sólida reputação de artista e designer. Em uma era onde muitos diretores criativos atuam majoritariamente como curadores de estilo, Roseberry é amplamente admirado por desenhar e esboçar à mão todos os dias (habilidade que afirma ter desde antes de aprender a falar). Essa dedicação tátil confere a ele uma enorme credibilidade entre os artesãos e especialistas técnicos de Paris.
Seu maior impacto e contribuição para a moda foi a reintrodução do Surrealismo como uma força comercial e de luxo. Ao invés de copiar os arquivos originais (como o clássico vestido de lagosta ou o chapéu em formato de sapato), ele subverteu os arquivos para criar um novo código moderno para a marca. Este vocabulário visual é marcado por:

A admiração da indústria por seu trabalho resultou em um efeito de gotejamento na moda. Desde 2021, observa-se que várias outras grifes e marcas contemporâneas começaram a adotar elementos escultóricos, ferragens douradas exageradas e códigos surrealistas em suas próprias linhas, uma prova do papel de Roseberry como definidor de tendências e de sua capacidade de transformar a moda novamente em uma experiência artística performática e usável.