A digestibilidade é um conceito basilar da nutrição humana e animal, definido como a percentagem ou proporção de um alimento ou nutriente que, após a sua ingestão, é efetivamente cindida e absorvida pelo trato gastrointestinal, deixando por isso de ser expelida através das excreções fecais. Este parâmetro biológico diferencia a composição química bruta de uma matéria-prima do seu valor nutritivo real, uma vez que a mera presença de um nutriente num ingrediente não garante que o organismo o consiga assimilar para as suas funções vitais. A determinação da digestibilidade pode apresentar-se sob a forma aparente, que contabiliza a perda total nas fezes sem distinguir os resíduos do alimento daqueles de origem endógena, tais como enzimas, muco e células descamadas, ou sob a forma verdadeira, que desconta este atrito metabólico interno para obter uma precisão absoluta. Adicionalmente, em animais não ruminantes, foca-se com frequência na digestibilidade ileal, aferida no final do intestino delgado, de modo a evitar a interferência e a degradação promovidas pela microbiota do cólon. A magnitude deste processo biológico está intrinsecamente ligada a fatores diversos, incluindo a natureza e a matriz do próprio alimento — onde a presença de fibras estruturais complexas, como a lenhina, ou de fatores antinutricionais, como os taninos, atua como barreira —, a anatomia e a maturidade enzimática do hospedeiro, e os tratamentos mecânicos ou térmicos aplicados, tais como a moagem ou a extrusão, que facilitam a ação hidrolítica. Na vertente prática e económica, o domínio da digestibilidade assume um papel fulcral na formulação de dietas eficientes e sustentáveis, minimizando o desperdício alimentar, otimizando os índices de conversão na pecuária e mitigando a ejeção de poluentes azotados e fosfatados para o meio ambiente, promovendo simultaneamente a saúde digestiva e o bem-estar dos indivíduos.