| Dião Cássio | |
|---|---|
| Nascimento | Lucius Claudius Cassius Dio Cocceianus ca. 155 Nicaea (Roma Antiga) |
| Morte | após 229 (74 anos) Nicaea |
| Cidadania | Roma Antiga |
| Progenitores | |
| Ocupação | historiador, político, militar |
| Cargo(s) | Cônsul (desde 229) senador romano |
| Obras destacadas | História de Roma |
Dião Cássio (c. 165), também conhecido como Cássio Dio, Lúcio Cássio Dião, ou Dio Cássio (em grego clássico: Δίων Κάσσιος), foi um senador e historiador romano de origem materna grega. É o autor de 80 volumes da história da Roma Antiga, começando com a chegada de Eneias na Itália e documento a subsequente fundação de Roma (753 a.C.), a formação da República (509 a.C.), e a criação do Império (27 a.C.) até 229 d.C., durante o reinado de Severo Alexandre. Escrita em grego coiné ao longo de 22 anos, a obra de Dião cobre aproximadamente mil anos de história.
Muitos de seus livros sobreviveram intactos, junto com resumos editados por autores posteriores como Xifilino, um monge bizantino do século XI, e Zonaras, um cronista bizantino do século XII.
Lúcio Cássio Dião era filho de Cássio Aproniano, um senador romano e membro da gens Cassia, que nasceu e foi criado em Niceia na Bitínia. A tradição bizantina sustenta que a mãe de Dião era filha ou irmã do orador e filósofo grego Dião Crisóstomo; no entanto, essa relação tem sido contestada. Embora Dião fosse um cidadão romano, ele escreveu em grego. Dião sempre manteve amor por sua cidade natal de Niceia, chamando-a de "minha casa", em oposição à sua descrição de sua vila em Cápua, Itália ("o lugar onde passo meu tempo sempre que estou na Itália").
Durante a maior parte de sua vida, Dião foi membro do serviço público. Foi senador sob Cômodo e governador de Esmirna após a morte de Septímio Severo; tornou-se cônsul sufecto aproximadamente no ano 205. Dião também foi procônsul na África e Panônia. Severo Alexandre tinha Dião na mais alta estima e o renomeou para o cargo de cônsul em 229. Após seu segundo consulado, em seus últimos anos, Dião retornou à sua Bitínia natal, onde por fim morreu.
Dião era avô ou bisavô de Cássio Dião, cônsul em 291.
Dião publicou a História Romana (Ῥωμαϊκὴ Ἱστορία, Rhōmaïkḕ Historía) em 80 livros em grego, posteriormente traduzida para o latim. Sobre sua composição, ele escreve o seguinte: "Passei dez anos coletando todas as conquistas dos romanos desde o início até a morte de Severo [211 d.C.], e doze anos a mais compondo minha obra. Quanto aos eventos subsequentes, eles também serão registrados, até qualquer ponto que me seja permitido".
Os livros cobrem um período de aproximadamente 1 400 anos, começando com os contos da mitologia romana da chegada do lendário Eneias na Itália (c. 1200 a.C.) e a fundação de Roma por seu descendente Rômulo (753 a.C.); bem como os eventos históricos das eras republicana e imperial até 229 d.C. A obra é uma das apenas três fontes romanas escritas que documentam a revolta britânica de 60–61 d.C. liderada por Boadicea. Até o primeiro século a.C., Dião fornece apenas um resumo dos eventos; após esse período, suas narrativas tornam-se mais detalhadas.
A obra de Dião tem sido frequentemente depreciada como não confiável e carente de qualquer objetivo político geral. Recentemente, no entanto, alguns estudiosos reavaliaram sua obra e destacaram sua complexidade e interpretações políticas e históricas sofisticadas.
Os primeiros 21 livros foram parcialmente reconstruídos com base em fragmentos de outras obras, bem como o epítome do século XII de Joannes Zonaras que usou a História Romana de Dião como fonte principal. A erudição sobre esta parte da obra de Dião é escassa, mas a importância da República Primitiva e do período Régio para a obra geral de Dião foi recentemente sublinhada. Os livros 22 a 35, que são apenas esparsamente cobertos por fragmentos, já estavam perdidos na época de Zonaras.
Os livros que se seguem, livros 36 a 54, estão todos quase completos; eles cobrem o período de 65 a.C. a 12 a.C., ou da campanha oriental de Pompeu e a morte de Mitrídates até a morte de Marco Vipsânio Agripa. O livro 55 contém uma lacuna considerável, enquanto os livros 56 a 60 (que cobrem o período de 9–54 d.C.) estão completos e contêm eventos desde a derrota de Varo na Germânia até a morte de Cláudio.
Dos 20 livros subsequentes da série, restam apenas fragmentos e o parco compêndio de João Xifilino, um monge bizantino do século XI patrocinado pelo imperador Miguel VII Ducas. O compêndio de Xifilino, como agora existe, começa com o livro 35 e continua até o final do livro 80. O último livro cobre o período de 222 a 229 d.C. (a primeira metade do reinado de Alexandre Severo).
Os fragmentos dos primeiros 36 livros foram coletados de quatro formas:
| Livro | Descrição |
|---|---|
| 1 | A Fundação de Roma. |
| 2 | Os sete lendários Reis Romanos. O estupro de Lucrécia e seu suicídio, a Queda da monarquia romana e a transição para uma República. |
| 3 | A República Romana primitiva. |
| 4 | Luta interna entre plebeus e patrícios. O ditador romano é estabelecido como conceito e cargo. |
| 5 | O Conflito das Ordens, pausado durante tempos de crise. Guerras com os volscos, etruscos, équios, e sabinos, e a traição de Coriolano. As Leis das Doze Tábuas. |
| 6 | A criação dos cargos de tribuno consular e de censor. Guerras com os etruscos, faliscos e com Veios. |
| 7 | Guerra com os gauleses e latinos. O Capitólio sitiado. Golpe fracassado de Marco Mânlio Capitolino. Camilo serve vários mandatos como ditador. |
| 8 | Guerra é travada com os samnitas e com Cápua. As dívidas do povo são anuladas pelos tribunos. |
| 9 | Guerra é travada com Tarento e Epiro. Epiro é liderado pelo Rei Pirro |
| 10 | Tarento e Epiro são derrotados. Roma intervém em Volsínios apoiando a nobreza. |
| 11 | Primeira Guerra Púnica. Criação da marinha romana. Relato de Régulo |
| 12 | Roma vence a Primeira Guerra Púnica. Guerra é travada com os gauleses, os faliscos, Ligúria, Córsega e Sardenha. Roma inicia intervenção nos assuntos gregos. |
| 13 | Início da Segunda Guerra Púnica. |
| 14 | Segunda Guerra Púnica continua. Fábio Máximo, eleito ditador, persegue uma política de desgaste. |
| 15 | Segunda Guerra Púnica continua. Batalha de Canas e o Cerco de Siracusa e captura romana de Cápua. Morte de Arquimedes. |
| 16 | Segunda Guerra Púnica continua. Sucesso de Cipião na Espanha. |
| 17 | Fim da Segunda Guerra Púnica e vitória romana. |
| 18 | Guerra com Filipe V da Macedônia, Batalha de Cinoscéfalos leva à derrota de Filipe. Os cartagineses incitam os gauleses. Catão, o Antigo e seus escritos. |
| 19 | Relações de Roma com a Grécia continuam. Guerra com Antíoco. Morte de Aníbal no exílio na Bitínia. |
| 20 | Guerra contra Perseu e Dalmácia. Relações de Roma com Rodes, Capadócia, Egito. |
| 21 | Terceira Guerra Púnica. Cartago e Corinto destruídas. |
| 22‑29 | O escândalo das Bacanais. Guerras na Espanha, e contra os cimbros e márcios. Discussão sobre Tibério Graco. |
| 30‑35 | Início das Guerras Mitridáticas. Guerra civil de Sula. |
| 36 | As campanhas armênias. Campanha de Pompeu contra os piratas |
| 37 | A carreira de Pompeu. Campanhas contra os ibéricos asiáticos, a anexação da Síria e Fenícia, e o Primeiro Triunvirato (Crasso, César e Pompeu). |
| 38 | Exílio de Cícero. Primeiro consulado de Júlio César. |
| 39 | Guerra Gálica continua. César cruza para a Britânia. Ptolomeu expulso do Egito e restaurado. |
| 40 | Guerra Gálica continua. César cruza para a Britânia uma segunda vez. Crasso é derrotado e morto. Ruptura entre César e Pompeu começa. |
| 41 | César e seus exércitos cruzam o Rubicão. Batalha de Dirráquio, Batalha de Farsalo, derrota de Pompeu. |
| 42 | Morte de Pompeu. César recebe honras em Roma. |
| 43 | César derrota Cipião e o jovem Gneu Pompeu. Triunfos de César celebrados em Roma. Fundação do Fórum de César. As reformas do calendário juliano são emitidas. |
| 44 | Culto da personalidade de César e seu assassinato. |
| 45 | Herdeiro de César, Otaviano, e seu caráter. O Segundo Triunvirato (Otaviano, Antônio, Lépido). Ruptura entre Antônio e Otaviano, e Cícero. |
| 46 | Vitória de Otaviano sobre Antônio. |
| 47 | Governo do Terceiro Triunvirato. Derrota de Bruto e Cássio na Batalha de Filipos. |
| 48 | Terceiro Triunvirato continua. Otaviano e Antônio se aliam com, depois derrotam Sexto Pompeu. |
| 49 | Otaviano derrota Sexto Pompeu e priva Lépido de seu exército e poderes. Derrota de Antônio contra os partos. Otaviano conquista a Panônia. Roma adquire a Mauritânia. |
| 50 | Otaviano e Antônio lutam entre si, o último é decisivamente derrotado na batalha de Ácio. |
| 51 | Antônio e Cleópatra. Suicídio de Antônio. Otaviano conquista o Egito. |
| 52 | Otaviano se prepara para se tornar o único governante de Roma. |
| 53 | Otaviano torna-se o único governante de Roma, e ao fazê-lo inaugura o período imperial. Organização da administração provincial é discutida. |
| 54 | Consolidação do poder por Otaviano, agora chamado Augusto. O domínio romano se estende à Récia, Nórico, os Alpes Marítimos e o Quersoneso. |
| 55 | Dedicação do Recinto de Lívia, do Campo de Agripa, do Dibitório, do Templo de Marte. Tibério se retira para Rodes. Os herdeiros de Augusto morrem jovens. A Imperatriz Lívia cresce em influência. |
| 56 | O Desastre de Varo. Dedicação do Templo da Concórdia e do Pórtico de Lívia. Morte de Augusto e seu funeral. |
| 57 | Tibério assume o imperium, seu reinado e caráter. Capadócia torna-se romana. Mortes de Druso e Germânico César. |
| 58 | Ascensão e queda de Sejano. Continuação do reinado de Tibério, sua consolidação do poder, e sua morte. |
| 59 | Ascensão e reinado de Calígula. |
| 60-61 | Ascensão e reinado de Cláudio. Britânia conquistada. Cláudio morre, envenenado por sua esposa Agripina. Nero assume o imperium. |
| 62 | Agripina, a Jovem é executada. O reinado de Nero inclui a revolta de Boadiceia e o Grande Incêndio de Roma. Domício Córbulo conquista a Armênia. Conspiração e suicídio de Sêneca. |
| 63 | Reinado de Nero continua, e seu suicídio. Vespasiano inicia a Primeira Guerra Judaico-Romana. Os breves reinados de Galba e Otão. |
| 64 | O reinado de Vitélio. |
| 65 | Reinado de Vespasiano. Seu filho Tito captura Jerusalém e destrói o Segundo Templo, vencendo a Primeira Guerra Judaica. Vespasiano subjuga o Egito. Templo de Júpiter Capitolino reconstruído. |
| 66 | Após a morte de Vespasiano, Tito assume o imperium por dois anos e seu reinado. A erupção do Vesúvio que soterrou Pompeia. |
| 67 | O reinado e caráter de Domiciano. |
| 68 | O breve reinado de Nerva. Reinado de Trajano. As Guerras Dácias terminam em vitória romana. Campanhas bem-sucedidas na Armênia e Pártia. Um grande terremoto centrado em Antioquia. Trajano morre. |
| 69 | Filho adotivo de Trajano, Adriano, sucede ao trono. Seu caráter e interesses. Antínoo. Adriano suprime brutalmente a Revolta de Bar Kokhba. Doença prolongada e morte de Adriano. |
| 70 | O reinado de Antonino Pio. |
| 71 | Marco Aurélio assume o imperium. A guerra contra Vologeso na Armênica. Técnicas romanas de construção de pontes são discutidas. |
| 72 | Guerras contra os marcomanos e os iázigas. Revolta de Cássio na Síria termina em sua morte. Caráter de Marco Aurélio. |
| 73 | O reinado do filho de Marco Aurélio, Cômodo, e seu caráter. Seu assassinato. |
| 74 | O reinado e assassinato de Pertinax. Dídio Juliano ganha o poder comprando-o da Guarda Pretoriana. Reinado de Juliano e seu assassinato. |
| 75 | Ascensão de Septímio Severo ao imperium e sua supressão de uma rebelião. |
| 76 | Severo derrota Albino. Guerra na Caledônia, e segundo cerco de Hatra na Mesopotâmia: nenhum particularmente bem-sucedido. Poder de Plauciano, prefeito da cidade. |
| 77 | Erupção do Vesúvio. A queda de Plauciano. Campanha e morte de Severo. |
| 78 | Reinado de Caracala como imperador. As guerras que travou, seu caráter e suas matanças em massa de alexandrinos são discutidas. |
| 79 | Caracala cai para Macrino. Macrino e seu reinado. Reinado de Macrino primariamente ocupado com guerra civil. Ele é derrubado por Heliogábalo. |
| 80 | O reinado de Heliogábalo, que é derrubado devido aos seus excessos. Severo Alexandre assume o trono. |